Depois das promessas de atores e atrizes de Hollywood, de politicos de meio mundo que aproveitaram para fazer publicidade com a desgraça do pobre povo haitiano, da cobertura hipocrita e interesseira dos meios de comunicaçao, hoje nao se fala mais nada. E nao é por que a situaçao voltou ao normal. Pelo contrario, PARECE QUE A SITUAçAO FICOU PIOR QUE ANTES DO TERREMOTO.
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domingo, 20 de junho de 2010
Haiti 1/6 - Terremoto e as promessas nao cumpridas dos "grandes" (miseraveis) da Terra
Depois das promessas de atores e atrizes de Hollywood, de politicos de meio mundo que aproveitaram para fazer publicidade com a desgraça do pobre povo haitiano, da cobertura hipocrita e interesseira dos meios de comunicaçao, hoje nao se fala mais nada. E nao é por que a situaçao voltou ao normal. Pelo contrario, PARECE QUE A SITUAçAO FICOU PIOR QUE ANTES DO TERREMOTO.
terça-feira, 15 de junho de 2010
EUROPA CONTRA a MODERNA DITADURA ITALIANA (precisamente contra a "banda Berlusconi")
A representante da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação Europeia), Dunja Mijatovic, em palavras citadas pela agência France Press, pedia que a Itála abandonasse "a lei das interceptaçoes telefonicas (...) ou que a modificasse, de modo a que as suas disposições respeitem os princípios internacionais de liberdade de expressão e os compromissos da OSCE".
Mijatovic manifestou-se também "inquieta por o Senado ter aprovado um texto que poderia colocar sérios entraves ao jornalismo de investigação em Itália ... Isto mostra uma tendência para criminalizar o trabalho jornalístico". E explicou que a lei "na sua forma actual contradiz os compromissos da OSCE, especialmente por proibir a utilização de certas fontes confidenciais que poderiam ser necessárias ao jornalismo de investigação ao serviço da democracia".
O projecto limita a possibilidade de publicação de documentos preparatórios de um processo que ainda não esteja aberto, e prevê multas até 450 000 euros para os jornalistas ou meios de comunicação social que publiquem escutas telefónicas, bem como penas de prisão para os "não-jornalistas" que filmem ou gravem pessoas sem o seu consentimento prévio.
O projecto foi aprovado pelo governo e terá ainda de passar pela Assembleia Nacional e ser promulgada pelo presidente da República.
FONTE: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Europa-junta-se-ao-coro-contra-a-lei-das-escutas-de-Berlusconi.rtp&article=352565&visual=3&layout=10&tm=7
domingo, 13 de junho de 2010
CELEBRAçAO DA NOVA DITADURA ITALIANA
Se o povo nao se der por conta que o seu destino depende somente dele, seu futuro serà muito tragico. A uniao, a elevaçao espiritual/moral (notando que o progresso moral e tecnico nao coincidem) e a conscientizaçao das massas é condiçao necessaria para o bem-estar nao sò dela, mas daquele coletivo-geral.
fonte da noticia abaixo: jornal A Bola
(http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=209482)
O Senado italiano aprovou, esta quinta-feira, uma lei proposta pelo Governo de Berlusconi, que limita o uso de escutas telefónicas em processos judiciais. António Di Pietro, do partido da oposição, Itália dos Valores, já afirmou que a nova lei significa «a morte da liberdade».
O projecto, apoiado pelo partido de Berlusconi e pela Liga do Norte, limita o uso das escutas telefónicas, que só poderão ser efectuadas caso se detectem «graves indícios de delito» e durante um período máximo de 75 dias, prorrogáveis por três períodos. Além disso, o uso de microfones ambientais, que não poderão ser instalados em lugares privados, ficará limitado a um período de 72 horas. Além disso, as transcrições das escutas não poderão ser publicadas na imprensa enquanto não estiver concluída a investigação preliminar.
Para que seja definitivamente aprovada, a lei terá que ser novamente discutida na câmara baixa do parlamento e assinada pelo presidente da República.
«É algo que não se poderia ter passado nem com Mussolini», disse Di Pietro, citado pela edição online do El País. Para o deputado, a nova lei vai ter efeitos profundos no sistema de Justiça, na luta anti-máfia e na liberdade de imprensa. Também o Povo Violeta – movimento criado com o objectivo de defender a Constituição italiana – marcou para esta quinta-feira um “velório” em Roma, para assinalar a «morte da democracia em Itália».
sábado, 5 de junho de 2010
OBAMA E A ALIENAçAO TOTAL
O absurdo virou moda. O paradoxo é normalidade. Os governantes mundiais fizeram com que a vida perdesse muito de sua graça.
Na Italia, Andreotti [SETE vezes primeiro ministro] foi condenado por associaçao mafiosa segundo sentença da Corte de Appello de 2 maio 2003. (mas està em liberdade, pois o crime era prescrito!).
Berlusconi, atual primeiro ministro "hospedou" por anos em sua casa um mafioso chamado Vittorio Mangano e ainda o definiu um heròi!!! Como se nao bastasse, Marcello Dell’Utri, o amigo e co-fundador do seu partido (hoje Popolo della Libertà) ja foi condenado a 9 anos de prisao, em primeiro e segundo graus, pelo mesmo motivo de Andreotti (concurso esterno em associaçao mafiosa).
Mas nao è tudo obviamente. E nao sei se alguém consegue resumir todos os processos nos quais Berlusconi è chamado em causa. Existem processos que confirmam que Berlusconi é corrupto, mentiroso (sentenças do “Processo Mills” que comprovam que Berlusconi pagou 600 mil dolares ao advogado Mills para que esse mentisse a favor de Berlusconi nos processos “All Iberian” e “Tangenti alla Guardia di Finanza” e da sua afiliaçao à Loja Maçonica P2). Mas nestes processos nenhum dos dois acabou na cadeia. Per Mills ajudou a solita prescriçao e per Berlusconi suo governo (!) aprovou uma lei que o impedia de ser processado (!). O jornalista Marco Travaglio elencou 37 leis “ad personam” feitas sobre misura para salvar o magnata das comunicaçoes desde 1994 (è um tipo Roberto Marinho italiano).
Berlusconi e sua tropa chegam ao ponto de tornar real o surreal e a ficçao de "Watch the Dog" com o seu monopolio televisivo (sem falar dos seus bancos, revistas, jornais, time de futebol (Milan), ecc). Detalhe interessante è que seus advogados, sao deputados e senadores do seu partido, ou seja, os mesmos que depois fazem as leis (!!!!).
Mas saindo da tao famosa e mau falada Italia e dirigindo-nos verso Inglaterra as coisas nao mudam tanto. E nao è de hoje. No passado a rainha Elisabeta fundou as suas companhias maritimas (West Indian Company) com o lucro dos seus piratas que assaltaram barcos espanhòis (Keynes – Profezie e esortazioni). E nos ultimos anos, Blair em parlamento admite nao ter remorsos de ter invadido o Iraque basando-se em mentiras e admite que faria outra vez.
Indo para a américa nada de novo. Depois do guerrafondista Bush, chega seu sucessor Obama que aumentou os gastos militares (ainda mais do que jà gastava Bush!). Attualmente os americanos gastam mais com guerra QUE O RESTO DO MUNDO JUNTO!
Segundo Jack A. Smith (Asia Times Online. Jack A. Smith é editor do Hudson Valley Activist Newsletter no estado de NY e ex-editor do Guardian Newsweekly) os gastos chegam ao trilhao! Ou seja o triplo de quanto produz em um ano (PIB) paises como Finlandia, Irlanda, Dinamarca, o dobro de paises como Suécia, Suiça, Belgica, o mesmo valor do PIB australiano o mexicano.
Depois se pensassemos nos estudos de Hubbert sobre o petrolio feitos em 1956 (teoria do pico de Hubbert) que indicam que a ùltima regiao do mundo na qual se esgotaria o petrolio seria o oriente medio, poderiamos entender por que os americanos que sao tanto dependentes de petrolio fazem tantas guerras àquela regiao sem convincentes motivos. E por que na resoluçao da ONU para uma investigaçao esterna do massacre cometido pelos militares de Israel os americanos (assim como os italianos) votaram contra. Se alguém nao sabe a américa fornece mais de 3 BILHOES em ajuda militar a Israel anualmente. (http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/middle_east/8681919.stm )
Se pode com uma cultura média entender como as coisas continuam sempre como foram. Que a mobilidade social é conto de fadas. Ainda mais lendo um estudo de genealogia que afirma que Bra Pitt, Obama, Bush, Clinton, McCain, Madonna, Gerald Ford (ex-presidente americano) sao todos parentes. (reportagem copiada abaixo da http://port.pravda.ru/news/mundo/26-03-2008/22165-barak-0 )
Temos que nos dar conta que vivemos na escravidao, mas nao naquela violenta e conhecida. Sao formas de dominio muito mais sutis... como dizia o Gattopardo " para que as coisas permaneçam como sao, tudo deve mudar"!
Ahhh MISéRIA HUMANA!!!!!!!!!!!!!
Boa semana e nao se esqueça de impenhar-se no trabalho, pois somos os novos escravos modernos e do nosso trabalho depende a richeza da elite!
“Barack Obama, é primo distante de Brad Pitt
Barack Obama, é primo distante de Brad Pitt, e Hillary Clinton, a ex-primeira-dama, compartilha antepassados com a atriz Angelina Jolie, mulher do ator, revela um estudo da New England Historic Genealogical Society (NEHGS) de Boston, que analisou a árvore genealógica dos democratas Hillary Clinton e Barack Obama, e o candidato republicano, John McCain, seguno a rede Globo.
O estudo conclui que Hillary, que tem ascendência franco-canadense por parte de mãe, é também prima distante das cantoras Celine Dion, Madonna e Alanis Morissette, além de Angelina Jolie.
A pré-candidata também é prima distante de Camilla Parker-Bowles, duquesa da Cornualha e esposa do príncipe Charles, assim como do escritor americano Jack Kerouac.
Já Barack Obama, filho de um agricultor do Quênia e de uma anglo-saxã do Kansas, além de primo distante de Brad Pitt, também é parente do ex-presidente americano Gerald Ford, assim como do atual dirigente, George W. Bush.
Os demais parentes famosos do senador incluem o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Winston Churchill.
Do lado republicano, o estudo indica que o senador pelo Arizona John McCain é primo distante da atual primeira-dama americana, Laura Bush. A pesquisa genealógica certamente dará o que falar na sociedade e na imprensa americanas, mas Christopher Child, especialista do NEHGS, adverte de que os parentescos dos aspirantes "não devem influenciar os eleitores" no pleito presidencial.
No entanto, em um momento no qual os aspirantes à Casa Branca se dedicam a ressaltar suas diferenças para ganhar votos, é curioso ver que Hillary, Obama e McCain têm mais semelhanças do que imaginavam."
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Debate Noam Chomsky e Michel Foucault (1971)
Um debate muito interessante sobre sociedade, natureza e a criatividade humana, sobre as istituiçoes (escolas, universidades, governos e exercitos) que servem como instrumento para as elites que, utilizando-as, conseguem manter o poder em suas maos.
Duas grandes mentes que mereceriam programas diarios em rede nacional de TV. Mas obviamente o futebol, mulheres semi-nuas e programas de distraçao de massa sao muito mais funcionais para a alienaçao popular. Divertimento para o povo que, paradoxalmente, no mesmo tempo em que o diverte, perpetua o seu proprio penar.
Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo.
Paul Michel Foucault foi um importante filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Todo o seu trabalho foi desenvolvido em uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Seu trabalho também se concentrou sobre a relação entre poder e governamentalidade, e das práticas de subjetivação.
domingo, 30 de maio de 2010
APERTEM OS CINTOS! A AMERICA QUER GUERRA
A “nova” máquina de guerra dos EUA
Jack A. Smith do Asia Times Online. Jack A. Smith é editor do Hudson Valley Activist Newsletter no estado de NY e ex-editor do Guardian Newsweekly (US).
Há mais guerra no futuro dos EUA – muito mais, a julgar pelos relatórios, pronunciamentos e ações do governo Obama nesses últimos meses.
Esses documentos incluem o Relatório de Revisão Quadrianual da Defesa [Quadrennial Defense Review (QDR)], a Revisão da Postura Nuclear [Nuclear Posture Review (NPR-2010)], o Relatório da Defesa de Mísseis Balísticos [Ballistic Missile Defense Report], o encontro de segurança nuclear em New York e a conferência da ONU, de 3 a 28 de maio, de revisão do Tratado de Não-proliferação Nuclear, além, claro, das guerras em curso no Oriente Médio e na Ásia Central, e das exigências do orçamento de guerra do Pentágono.
O governo dos EUA comanda um colosso militar sem par, mas a [QDR], publicada em fevereiro, sugere que Washington entende que os EUA estejam constantemente sob ameaça de ataque por inúmeras forças terríveis, decididas a destruí-los. Por isso, mais trilhões de dólares têm de ser consumidos em guerras presentes e futuras – ostensivamente para salvaguardas a pátria amada ameaçada.
A Revisão da Postura Nuclear (NPR-2010) diz que o objetivo de longo prazo é um mundo “livre de bombas nucleares”, mas, apesar de reduções simbólicas dos arsenais desse tipo de armas, o Pentágono só faz ampliar sua capacidade nuclear, temperando a ampliação com uma devastadora “contenção convencional” capaz de atacar vários alvos pelo mundo, no período de uma hora. Além disso, esse documento, publicado em abril, preserva a prontidão para disparar ataque nuclear imediato [ing. “ ‘hair-trigger’ nuclear launch readiness”], não limita a força nuclear à função de contenção, sugere uso ofensivo e, pela primeira vez, autoriza ataque nuclear, se necessário, contra Estado não-nuclear (o Irã).
Entre um e outro documento, Obama expande vigorosamente as guerras que herdou do governo de George W. Bush, ampliando e operando o maior poder militar que os EUA jamais tiveram.
Feito a elogiar do governo Obama foi ter assinado, dia 9 de abril, em Praga, novo Tratado Estratégico de Redução de Armas Nucleares com a Rússia, que reduz em 1.500 o arsenal de ogivas nucleares de cada lado. Foi passo positivo, mas todos sabem que excessivamente tímido, e nem de longe reduz efetivamente o risco de guerra nuclear.
A Revisão Quadrianual da Defesa (QDR) é relatório de 128 páginas que o Departamento de Defesa envia ao Congresso a cada quatro anos, com uma projeção do planejamento militar dos EUA para os 20 anos seguintes. Comissão de 20 membros civis, selecionados pelo Pentágono e pelo Congresso, analisam o documento e sugerem alterações, para acrescentar uma perspectiva dita “independente”. 11 dos 20 membros ‘independentes’, inclusive o co-presidente dessa comissão – ex-secretário da Defesa William Perry; e o ex-conselheiro de segurança nacional Stephen Hadley – são empregados da indústria da Defesa.
Embora o Pentágono trabalhe nos preparativos de uma possível III Guerra Mundial e novo pós-guerra, o relatório que está sendo apresentado concentra-se no futuro relativamente mais próximo, e só acrescenta rápidas generalizações sobre o futuro de longo prazo. Três das prioridades do QDR merecem comentário extra.
A primeira dessas prioridades é “vencer as guerras em andamento” [orig. “prevail in today's wars”] no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Iêmen e onde mais houver intrusão militar da Washington pós-11/9 nos anos vindouros. Na apresentação da Revisão Quadrianual, dia 1/2/2010, o secretário de Defesa de Bush-Obama Robert Gates fez declaração importante: “O sucessos nas guerras futuras dependerá do sucesso nas guerras em andamento.” As “guerras futuras” não foram identificadas. Além disso, a Revisão Quadrianual declara que a vitória militar no Iraque e no Afeganistão “é apenas o primeiro passo rumo a nossos objetivos estratégicos”.
Segundo, enquanto no passado os EUA concentraram-se em construir capacidade para combater duas grandes guerra simultâneas, a Revisão Quadrianual sugere que não basta isso. Hoje, o governo Obama afirma “a necessidade de força robusta, capaz de proteger os interesses dos EUA contra uma multiplicidade de ameaças, inclusive as que advenham de sofrer ataque simultâneo por dois Estados-nação”.
Hoje se trata de mais de duas guerras – sendo o “a mais”, a obrigação de “lutar de contrainsurgência em larga escala, [montar e operar] operações de estabilização e contraterrorismo em ampla variedade de ambientes”, sobretudo em países pequenos e pobres como o Afeganistão. Outros alvos “a mais” incluem “atores não estatais”, como a al-Qaeda; “Estados fracassados”, como a Somália; e Estados de tamanho médio mas bem defendidos, que não se curvem ao Tio Sam, como o Irã e a República Popular Democrática da Coreia ou, algum dia, talvez, a Venezuela.
Terceiro, é absolutamente evidente, na Revisão Quadrianual, embora não assumidamente reconhecido, que o governo Obama crê que China e Rússia sejam os dois possíveis “Estados-nação” contra os quais Washington deve preparar-se para defender-se. Nem Pequim nem Moscou têm qualquer iniciativa que justifique o pressuposto do Pentágono de que seriam suficientemente suicidários a ponto de atacar os poderosos EUA.
Afinal, os EUA, com 4,54% da população mundial, investe mais na preparação para a guerra que todo o resto do mundo somado. O orçamento de Obama em 2010 para o Pentágono é de US$680 bilhões, mas o total real alcança o dobro disso, se se consideram que os gastas de Washington em segurança nacional e gastos de outros departamentos devem ser somados, como o custo da manutenção e armazenamento das armas nucleares, as 16 agências de segurança, a Segurança Nacional e lucros das dívidas de guerra, dentre outros programas.
Gastos anuais relacionados à guerra alcançam facilmente o trilhão de dólares. Ao falar de um congelamento seletivo de programas nacionais, em janeiro, no discurso “State of the Union”, Obama especificamente excluiu do congelamento os gastos do Pentágono/segurança nacional. Obama é gastador pródigo em guerras. A atribuição de $708 bilhões que fez ao Pentágono, para o ano fiscal 2011 (sem contar os $33 bilhões que esperam aprovação no Congresso para o “surge” afegão) excede o mais alto orçamento de Bush, de $651 bilhões, para o ano fiscal de 2009.
Hoje, o poder militar dos EUA está presente em todo o planeta. Como se lê na Revisão Quadrianual: “Os EUA são potência global, com responsabilidades globais. Incluindo operações no Afeganistão e no Iraque, cerca de 400 mil soldados e pessoal militar em geral estão estacionados ou na alocação militar rotativa, em todo o mundo.”
O Pentágono comanda mais de 1.000 bases militares em todo o mundo (inclusive nas zonas de guerra), grandes frotas em todos os oceanos, força aérea em expansão, satélites militares no espaço e mísseis nucleares em prontidão e alerta totais, pré-direcionados para “o inimigo” ou para cidades e instalações militares potencial emente “inimigas”. Leitura da Revisão Quadrianual mostra que nada disso será modificado, senão da direção da modernização e da ampliação (o Pentágono acaba de ocupar seis novas bases na Colômbia) e do acrescentamento de novos sistemas, como o Prompt Global Strike, importante sistema de armas ofensivas, que discutiremos adiante.
A expressão “dominação militar de pleno espectro” [orig. "full spectrum military dominance"] – que os neoconservadores cunharam nos anos 1990s e foi adotada pelo governo Bush para definir sua estratégia militar agressiva – não foi incluída, espertamente, na Revisão Quadrianual de 2010, mas conservar e aumentar sua capacidade de dominação militar plena continuam a ser a principal preocupação do Pentágono.
A Revisão Quadrianual vem apimentada com expressões como “os interesses dos EUA e seu papel no mundo exigem forças armadas com capacidades superiores a tudo que se conhece” e proclama a importância do “domínio continuado pelas Forças Armadas dos EUA, nas guerras de larga escala de exército contra exército”. Gates foi ainda mais longe, na conferência de imprensa dia 1/2/2010: “Os EUA precisam ter amplo portfólio de capacidades militares, com versatilidade máxima no espectro mais amplo possível de conflitos”. Recentemente, Obama pavoneou-se de comandar “os mais poderosos exércitos da história do mundo”.
Evidentemente o Pentágono planeja engajar-se em várias guerras futuras, interrompidas por rápidos períodos de paz, durante os quais se preparará para a guerra seguinte. Dado que a única entidade que já manifestou claro interesse em atacar os EUA é a al-Qaeda – organização paramilitar de fanáticos religiosos extremistas, com cerca de mil membros ativos e aproveitáveis em todo o mundo – é evidentemente claro que o poderio militar sem precedentes que os EUA acumulam hoje visa a outro objetivo.
Na minha opinião, esse “outro objetivo” é geopolítico – aumentar o poderio militar do Pentágono para assegurar que os EUA consigam tentar manter a posição hegemônica global de dominação, em tempos de endividamento pesado, erosão severa de sua base econômica, impasse quase absoluto na política doméstica e aparição, no cenário global, de outras nações e blocos interessados em contestar a hegemonia dos EUA.
A Revisão Quadrianual toca nesse ponto sensível com admirável delicadeza: “A distribuição global do poder político, econômico e militar está em transformação, tornando-se mais difusa. O aparecimento da China no quadro global, o país mais populoso do mundo; da Índia, a maior democracia do mundo, continuarão a reformatar o sistema internacional. Embora os EUA continuem como ator mais poderoso, é indispensável que cada vez mais cooperem com seus aliados e parceiros-chave para manter a paz e a segurança. O modo como os poderes hoje emergentes integrar-se-ão ao sistema global é questão das que definirão esse século e que portanto são centrais para os interesses dos EUA”.
No presente momento, a Revisão Quadrianual indica que Washington está preocupada com estratégias estrangeiras “antiacesso” que limitam o “poder [dos EUA] para projetar capacidades” em várias partes do mundo. Isso significa que alguns países, como China e Rússia estão desenvolvendo novas armas sofisticadas que equivalem ao armamento dos EUA, o que “limita” o deslocamento das forças dos EUA para onde o Pentágono bem entenda. Por exemplo:
A China está desenvolvendo e instalando em campo grande número de mísseis balísticos e cruzadores avançados de médio alcance, novos submarinos de ataque equipados com armas avançadas, sistemas de defesa antiaérea de longo alcance cada vez mais efetivos, capacidades para guerra eletrônica e redes de computadores, aviação de ataque sofisticada e sistemas espaciais de defesa. A China tem divulgado informação limitada sobre o ritmo, o escopo e os objetivos estratégicos de seus programas de modernização militar, o que faz aumentar o número de interrogações legítimas quanto a suas intenções de longo prazo.
Para contrabalançar esse movimento dos chineses – e não só deles –, o Pentágono planeja, com custos astronômicos e não divulgados, os seguintes avanços: “Expandir as capacidades de ataque a longa distância; explorar as vantagens das operações subterrâneas; garantir acesso ao espaço e ao uso de recursos espaciais; aumentar a robustez de capacidades-chave de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento [orig. ISR, Intelligence, Surveillance, and Reconnaissance]; derrotar sistemas inimigos de sensores e engajamento; aumentar a presença e a prontidão para responder, das forças dos EUA, em todo o mundo.”
Além disso, os EUA não só mantêm a China na mira de seus mísseis e bombas; estão também cercando o país (e também a Rússia, é claro) com balística antimísseis. O objetivo é evidente: no caso de os EUA acharem “necessário” lançar mísseis contra a China, o sistema antimísseis lá estará para destruir a capacidade limitada de retaliação dos chineses.
Matéria publicada dia 22/2/2010 no China Daily, diário chinês editado em inglês, “Washington parece determinada a cercar a China com sistemas balísticos antimísseis produzidos nos EUA, observaram hoje especialistas chineses (…). Para o coronel Dai Xu da Força Aérea, renomado estrategista militar, em artigo distribuído esse mês, “a China está sob cercamento em formato de meia-lua. O anel começa no Japão, estende-se pelas nações do sul do Mar da China até a Índia e termina no Afeganistão”.
Em comparação com a Revisão Quadrienal do governo Bush em 2006, no documento de 2010 constata-se que houve esforço consciente para baixar o tom da retórica anti-China. Mas é absolutamente evidente que a China é a referência número 1, nos pontos em que a Revisão Quadrienal de 2010 fala de “Estados-nação potencialmente hostis”.
Para a revista Defense News, de 18/2/2010, publicação dirigida ao complexo industrial-militar, “Dizem os analistas que a Revisão Quadrianual da Defesa visa a enfrentar o problema chinês, sem enfurecer ainda mais Pequim. “Se se considera a lista de novas ampliações e reforços nas forças e capacidades dos EUA (…), vê-se que são forças e capacidades necessárias para derrotar a China, não o Irã nem a Coreia do Norte nem o Hizbollah – disse Roger Cliff, especialista em questões militares chinesas da Rand Institution. ‘Assim, embora pouco se cite a China (…), é a ameaça chinesa, sim, que inspira muitos dos programas de modernização descritos na Revisão Quadrianual da Defesa de 2010’.”
Incidentalmente, segundo o Center for Arms Control and Non-Proliferation, o orçamento chinês de defesa para esse ano, para país quatro vezes maior que os EUA, é de $78 bilhões, bem inferior aos $664 bilhões reservados para o Pentágono (sem contar todos os extras para segurança nacional, espalhados nos orçamentos de outros departamentos). A China possui entre 100 e 200 ogivas nucleares; os EUA, 9.326 (se se somam as ogivas montadas em mísseis e as estocadas). A China considera a construção de um porta-aviões; os EUA mantêm 11 em atividade. E a China não tem base militar fora do território chinês.
Tudo faz crer que a China esteja construindo instrumentos, sistemas e armas de defesa, não de ataque contra os EUA. E a política exterior chinesa baseia-se a não se deixar prender no corner, pelos EUA, fazendo todo o possível para evitar confrontação mais séria.
Também a Rússia recebe melhor tratamento na nova Revisão Quadrianual da Defesa, que na de 2006, mas aparece incluída ao lado da China em vários casos. Apesar do imenso poder de contenção de Moscou, e das reservas abundantes de petróleo e gás, a Rússia aparece sempre como “inimigo potencial” número dois, entre as grandes potências. Washington sente-se mais ameaçada por Pequim. Isso, em larga medida, por causa das dimensões territoriais da China, do rápido desenvolvimento, do sucesso da economia capitalista guiada pelo Estado dirigido pelo Partido Comunista; e pelo fato de que, ao ritmo em que vamos hoje, a China ultrapassará os EUA como principal potência econômica do mundo, nos próximos de 20 a 40 anos.
Parece já bem evidente, por menos que se fale sobre isso, que essa situação é extremamente perigosa. A China não dá qualquer sinal de que aspire a dominar o mundo, mas tampouco se deixará dominar. Pequim trabalha sob o conceito de ordem mundial multipolar, no qual vários países e blocos atuam em diferentes papéis. Pode-se discutir, no máximo, quem será o primeiro entre iguais.
Washington prefere a situação que existe nos últimos 20 anos posteriores à implosão da URSS, quando os EUA ficaram com a posição de única superpotência militar remanescente e líder do bloco capitalista expandido. Nesse período, Washington operou como potência hegemônica em mundo unipolar, e não quer perder esse título.
Tudo isso parece estar mudando hoje, com a emergência de outros países, o principal deles a própria China; e os EUA dão sinais de entrar em declínio gradual. O modo como for encaminhada a transição na direção da multipolaridade nas próximas duas, três décadas, determinará se se evitará, ou não, mais uma guerra desastrosa.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Resultado da guerra americana no Afeganistao? Tragedia para as crianças!
Esse trecho mostra quem sao as verdadeiras vitimas da insanidade americana. Olhe o video e nao esqueça que sua indiferença é também cumplicidade!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
DESCOBRINDO UM POUCO MAIS DA SINISTRA HISTORIA DO BRASIL
João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda foram vítimas da Operação Condor, o plano das ditaduras militares dos países do Cone Sul para eliminar líderes políticos na região. Assassinatos, desaparecimentos e atentados ocorreram, simultaneamente, em fins dos anos 60 e nos anos 70, na América Latina e até nos Estados Unidos e Europa. Quem afirma é o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, 84 anos. Ex-exilado político na Argélia (África), Arraes diz que o plano Condor decorreu do impasse na Guerra do Vietnã, que fez os Estados Unidos temerem novos confrontos. Mas a decisão da operação foi da extrema-direita do Cone Sul. “A condição para a abertura era o desaparecimento de lideranças políticas”, argumenta, em entrevista a Ayrton Maciel e Ciro Carlos Rocha. Arraes revela memórias do exílio e do retorno ao Brasil. Ano passado, o JC fez as primeiras revelações.
JANGO, JK E LACERDA
“Qual a razão para a eliminação deles? Era a abertura política. Havia um começo de discussão sobre a abertura. Na medida em que os acontecimentos no Vietnã demonstravam um impasse cada vez maior, portanto a necessidade de negociação daquela guerra, começou-se a sentir a importância de se abrir na América Latina. A abertura seria uma conseqüência do impasse que a Guerra do Vietnã trazia para o mundo. A negociação lá implicava numa mudança de métodos, o que já se apontava em certos movimentos dos americanos. Um dos documentos americanos que revelam isso é o Relatório Rockfeller sobre a América Latina. Esse relatório declara que os militares não se constituíam numa classe social, e sim numa categoria. Como tal, eles eram instáveis ideologicamente. Sendo ideologicamente instáveis, as posições deles não se sustentavam em interesses concretos. Eles não eram merecedores de confiança. Setores importantes dos Estados Unidos achavam que a militarização não era uma solução para os problemas desses países todos, que eram diferentes entre si.”
A RAZÃO
“O assassinato político é um negócio que existe. Quando eu cheguei na Argélia, tinha sido assassinado o general português Humberto Delgado, na fronteira. E cito Olof Palmer, primeiro-ministro de um país como a Suécia, chefe do Partido Socialista, que tinha uma posição independente e era crítico da Guerra do Vietnã. Ele foi assassinado na saída do cinema, ninguém sabe porque quem.”
O PLANO
“Os americanos queriam a implantação de um certo grau de liberdade dentro desses países, porque não dá para conduzir o mundo apenas debaixo das botas dos soldados. Algum político, alguma coisa interna teria de dar condições de negociação, mesmo que fossem precárias, mas aliviaria o fardo de uma repressão e de uma categoria como os militares, que haviam passado a mandar isoladamente. Eles decidiriam com o povo, e ficaria por isso. O perigo que havia, então, eram as pessoas com ascendência sobre o povo. Aberto o Brasil, apareceriam Juscelino, Jango e Carlos Lacerda. Todos reunidos em torno de Juscelino. Quem seguraria? Todo mundo iria para Juscelino. A esquerda, o centro, a opinião pública. Ele foi um presidente importante. Não dava para soltar Juscelino sem o regime ter problemas, ainda mais ajudado por Jango e Lacerda.”
MEDIDA PREVENTIVA
“Uma espécie de condição para a abertura política era eliminá-los. Foi uma medida preventiva contra os fatos. Nós iríamos para a abertura, e para se ter uma abertura sem muito perigo essas pessoas teriam de desaparecer. Porque, se abrem, quem era que segurava? A mesma coisa aconteceu nos outros países. Um homem como Carlos Praats (comandante do Exército do Chile), ministro de Salvador Allende, general com peso em parte do Exército, reconhecido pela opinião pública, não era qualquer um. Era uma prevenção diante de uma abertura que precisava ser controlada. Era o que se passava na cabeça da extrema-direita do Cone Sul. O desaparecimento dessas pessoas foi uma condição para a abertura.”
AMERICANOS
“Não sei se eles idealizaram. Entre os americanos também existem suas diferenças. Alguns americanos queriam botar pra quebrar, outros não. Não era uma coisa uniforme, a ponto de todos quererem militarizar. Se perguntassem ao povo americano, ele não queria isso. É um povo que reage a certos acontecimentos de uma maneira positiva. O povo americano não pode ser confundido com aquela situação. Eles não têm acesso a essa decisão, e dentro da estrutura americana mesmo existem diferenças e pessoas que não seguiram por aquele caminho.”
O CORONEL
“Fui procurado por um coronel argelino, assessor do presidente da Argélia. Eu o conhecia, era uma pessoal com quem eu tinha ligação. Ele comandava o departamento que lidava com as questões internacionais, e que não tinha nada a ver com o Ministério do Exterior. Cuidava da parte de estudos estratégicos, pesquisas, a parte da inteligência do Governo. Ele foi lá em casa e me falou que três pessoas iriam me procurar com informações que eram do meu interesse e da segurança de muita gente. Ele me disse: ‘Não saia de casa’. Eles chegaram, alguns dias depois, olharam a casa e pediram para que a conversa fosse do lado de fora.”
O CONDOR
“Era uma decisão da direita do Cone Sul. Foi o que revelaram essas pessoas na Argélia. Disseram que estavam transmitindo uma informação saída de uma reunião da extrema-direita do Cone Sul. Eles não se identificaram, nem podiam. Tinham uma função muito particular. Falavam em francês. Um me pareceu argelino, por causa da forma de falar. Eles disseram que todas as pessoas que tivessem relações de peso em seus países deveriam se acautelar. Não foram de muita conversa, não. O essencial foi isso. Disseram que a extrema-direita do Cone Sul tinha decidido eliminar políticos e dirigentes com representatividade em seus países. Procurei, então, gente na Europa, gente de confiança. Avisei e pedi que retransmitissem o alerta, e mandei um aviso a Leonel Brizola, que estava no Uruguai. O aviso chegou a ele. Ele pode confirmar isso.”
A OPERAÇÃO
“O alerta chegou 20 a 30 dias antes dos assassinatos dos uruguaios Gutierrez e Michelline, o primeiro deputado e o segundo senador, que se encontravam na Argentina. Eram importantes lideranças. Em seguida, começou a onda de assassinatos no Chile, na Bolívia, no Uruguai, na Argentina, no Brasil, e o resto. É só ver a seqüência das datas. Os uruguaios foram estourados na Argentina a bomba. Chilenos foram mortos também na Argentina. O general Torres, na Bolívia. Um bocado de gente morreu. Um ex-ministro de Salvador Allende (o chanceler Orlando Letelier) foi assassinado nos Estados Unidos (o carro explodiu ao abrir a porta, em Washington), e um outro sofreu um atentado na Itália, mas não morreu, ficou paralítico. E aí vêm Juscelino, Jango e Lacerda, em seqüência. Juscelino em um desastre, Jango de repente (oficialmente, enfarto) e Lacerda foi ao hospital. As pessoas dizem que ele saiu bem de lá e depois morreu.”
POR QUE LACERDA?
“Lacerda era um líder de direita, mas estava unido a Juscelino e a Jango, na Frente Ampla pela abertura. Ele tinha sido escorraçado pelo Golpe de 1964.”
A SELEÇÃO
“A Operação Condor, no Brasil, foi um processo muito seletivo, diferente do que ocorreu no Chile e na Argentina. Aqui, além das lideranças populares, a abertura dependia da eliminação das lideranças do Partidão (PCB) que tinham uma posição de enfrentamento ao regime, como foi o caso do Davi Capistrano (ex-combatente da Guerra da Espanha), que desapareceu. O próprio Carlos Marighella (PCdoB, ex-Partidão), morto em 1968, pode ser incluído nessa estratégia. Os do Partidão que não tinham posição de enfrentamento sobreviveram. O desaparecimento seletivo da direção do Partidão também foi uma condição para a abertura política.”
A PRISÃO
“Logo após a minha deposição, fui levado para o quartel de Socorro. No dia seguinte, fui para Fernando de Noronha. Não passei pelo Dops. Em Noronha, fiquei oito meses. O coronel Ibiapina (Exército) tomou meu depoimento durante 12 horas, da meia-noite ao meio-dia. Não houve violência física. A pressão era assim: tomar um depoimento à meia-noite. De Noronha, voltei ao Recife para a Companhia de Guardas do Exército. De lá, fui para o Corpo de Bombeiros. Depois, levaram-me para Maceió de carro, durante a madrugada. Chegamos às 8h30. Passei o dia trancado em uma dependência do Exército. Na outra madrugada, colocaram-me em um avião para o Rio de Janeiro. Fiquei na Fortaleza de Santa Cruz. De lá, fui libertado por habeas-corpus. Aí fui novamente preso e levado para depor à noite. Dias depois, nova prisão, e fui levado para uma quartel na Tijuca. Entre o habeas-corpus e essa terceira prisão fiquei na casa de um tio meu. Aí, o advogado Sobral Pinto já achava que não deveríamos esperar por mais nada.”
O ASILO
“O Chile não me concedeu asilo político por pressão do Governo brasileiro. A França também. De Gaulle (Charles De Gaulle) era o presidente, mas isso não era uma questão dele. Os outros países que me ofereciam asilo eram a Iugoslávia, o Senegal (África), mas lá não havia nem Embaixada brasileira, e a Argélia. Escolhi a Argélia por causa da guerra de libertação (era colônia da França), da luta do povo argelino pela liberdade. Na Constituição argelina existe um artigo que diz que a Argélia ‘abrigará todo aquele que lute pela liberdade’. Está na Constituição: ‘a Argélia abrigará os perseguidos por razões políticas’. Mas as embaixadas estavam todas cercadas, inclusive o consulado argelino no Rio. Consegui entrar porque o embaixador da Argélia tinha comprado uma casa no bairro de Santa Teresa, para residência. Não estava ainda montada, mas fui para lá. O embaixador colocou uma placa na porta e hasteou a bandeira.”
A CARTA
“A França proibiu a minha entrada lá, através de uma portaria de expulsão de 19 de julho de 1965, que somente foi revogada em 26 de maio de 1975. Tenho a carta do ministro do Interior, R. Marcellin, ao deputado comunista francês Lucien Neuwirth, em 1973, explicando o porquê da proibição. Era coisa de gente da direita. O ministro escreveu a carta revelando que não podia rever a proibição de minha entrada na França. Havia uma pressão do Governo brasileiro nesse sentido, só que havia gente de De Gaulle que não possuía essa mesma posição. Participava do ministério, mas não aceitava esse tipo de pressão. Isso não era um assunto para o presidente, era uma questão de Governo. A proibição acabou revogada.”
RESTRIÇÕES
“Havia uma vigilância dos países sobre os exilados. Várias vezes fui abordado pela polícia nos aeroportos. Na Inglaterra, havia resistências, inclusive o embaixador argelino intercedeu para que eu participasse, certa vez, de um congresso em Londres. Os problemas na Itália não eram criados pelo Governo italiano, mas por setores da polícia italiana contra os exilados. Eram delegados encarregados da imigração. Havia a relação de Sérgio Fleury com delegados de lá. Em Portugal, tinha a ditadura de Salazar e na Espanha a de Franco. Lá, eu não entraria.”
DOCUMENTO
“No exílio, recebi um documento, saído de dentro do Governo militar, com uma série de medidas que seriam aplicadas, internamente, para reprimir a resistência. O primeiro item era liquidar o movimento estudantil. Era um documento sigiloso, não posso dizer quem me mandou. Foi preparado quando da transferência de Governo Castelo Branco para Costa e Silva. Chama-se ‘Diretrizes de Governo’ e delineava a política a ser seguida.”
OS TERMOS
“Esse documento contém enunciados. São vários pontos. Ele enumera uma série de coisas, a começar pelo movimento estudantil, que, naquele tempo, era muito ativo. Os militares achavam que era fundamental liquidar com ele. Depois disso, vieram várias medidas, inclusive o decreto 477/68 (expulsão dos estudantes das universidades por prática política). E criou-se o sistema de cadeiras nas universidades, que segmenta a formação do estudante. O sistema de cadeiras evitava que os estudantes começassem e terminassem juntos o curso. Iam se separando, pagando cadeiras em uma turma e outra.”
OS DOMINÓS
“A partir do golpe militar no Brasil (31 de março de 1964), o que houve foi uma militarização no mundo. Uma seqüência enorme de golpes. Em 65, o golpe na Indonésia (Ásia), que liquidou muita gente, e depois sucederam-se golpes na América Latina e na África. Era um processo de luta dentro do quadro geral da Guerra Fria. Se o Brasil se tornasse um País com outra posição, o negócio complicava, porque é um País muito grande. E o golpe no Brasil foi antes, coincidiu com as providências para a intervenção americana no Vietnã. Os americanos temiam enfrentar duas frentes, e eles iam entrar de forma dura na Ásia, como de fato entraram.”
A VOLTA
“Jarbas Vasconcelos não teve nada a ver com minha volta. Eu vim em função da Lei de Anistia. Ele se encontrou comigo lá (na Argélia). Ele queria ser secretário do então MDB, depois desistiu. Eu estava fora, não estava a par das coisas. Eu tinha notícia que havia contestação aqui, mas era praticamente impossível conseguir informações. O jornal O Estado de São Paulo chegava uma vez ou outra. Eu não mantinha contato com familiares aqui, nem correspondência. Ligar pra’qui, aí você teria que explicar porque tinha falado comigo. Na volta, tive alguns problemas. No Rio de Janeiro, fui seguido pela polícia. Em São Paulo, fui interpelado dentro de um restaurante pela Polícia Federal. Eu estava com Teotônio Vilela, que era senador.”
quarta-feira, 26 de maio de 2010
GINO STRADA E LA GUERRA AMERICANA AO TERRORISMO
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Gino Strada, medico fundador da ONG Emergency que opera (entre outros) no Afeganistao fornecendo socorro as vitimas da guerra, fala sobre o terrorismo criado pelos meios de comunicaçao e "combatido" pela maior maquina de guerra, tortura e assassinatos chamada America.
Maiores informaçoes sobre a manipulaçao mediatica sobre a guerra dentro dos Estados Unidos podem ser encotradas procurando na internet "Democracy Now".