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domingo, 29 de julho de 2012

CHEVRON deve pagar indenizaçao bilionaria no Equador por danos ambientais


A multa à petroleira Chevron, acusada de danos ambientais no Equador, aumentou para US$ 19 bilhões após um tribunal da província de Sucumbíos ajustar a sentença em segunda instância.
“Devido a um erro de cálculo, a indenização é de US$ 19.021.552.000″, disse uma fonte do tribunal na quinta à agência France Presse.
Na província, que fica no nordeste do Equador e faz divisa com Peru e Colômbia, cerca de 30 mil pessoas se consideram prejudicadas pelas atividades da Texaco entre 1964 e 1990.

Crianças equatorianas protestam contra a Chevron
Crianças equatorianas protestam contra a Chevron
Moradores da região entraram com uma ação contra a Chevron, para cobrar indenização, porque a companhia adquiriu a Texaco em 2001 e não tem mais atividades no país. A companhia se nega a reconhecer a condenação.
Em janeiro deste ano, a justiça equatoriana ratificou em segunda instância a condenação de US$ 9,5 bilhões contra a Chevron. Um mês depois, a quantia quase duplicou porque a empresa se negou a pedir desculpas públicas, como determinava a sentença.
Ao conhecer o novo valor da multa, os requerentes anunciaram que vão entrar com ações em outros países para garantir o pagamento do montante.
O advogado Sergio Bermudes, que representa os equatorianos, diz que houve descaso com a população e que as sequelas e a duração das consequências lembram Hiroshima e Nagasaki [alvos de bombas atômicas na 2ª Guerra Mundial].

ÁGUA TÓXICA
Segundo a acusação, a Texaco teria derramado 60 bilhões de litros de água tóxica em rios e lagos durante duas décadas, comprometendo fauna, flora e a saúde dos moradores do local.
Como não está mais no Equador, os autores do processo tentam executá-la em outros países. Em maio, eles moveram ação no Canadá. Em junho, recorreram à Justiça brasileira.

BRIGA NO BRASIL
A Folha antecipou, em junho, que a briga judicial entre a petrolífera americana e o país sulamericano havia chegado ao Brasil. Um grupo de 47 equatorianos contratou advogados para executar bens da empresa no país.
A causa, apresentada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) no dia 28, cobrava US$ 18,2 bilhões da Chevron.

OUTRO LADO
A empresa não reconhece a sentença. Segundo James Craig, porta-voz da petrolífera, “o julgamento é ilegítimo, um produto de fraude e suborno que não deveria ser reconhecido por nenhuma outra corte do mundo”. A Chevron recorreu à Corte Nacional de Justiça do Equador.
Ela acionou também um tribunal de arbitragem na Corte de Haia, alegando que a Texaco deixou de atuar no país na década de 1990 e que o governo equatoriano seria o responsável pela situação ambiental na região.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

TORTURA ARGENTINA ANOS 80 - O VATICANO SABIA


A política dos "desaparecidos" que o ditador Jorge Videla terminou por admitir com várias declarações e no tribunal, era conhecida desde 10 de abril de 1978 pela Comissão Executiva da Igreja Católica que, porém, absteve-se de informar o público. Tudo isto vem de um documento encontrado no arquivo da Conferência Episcopal.

O documento tem o número 10.949 e o número já dá uma idéia da quantidade de informação que a Igreja continua a manter em segredo. O documento foi escrito pelo Vaticano ao final de um almoço com o dirado Videla e é armazenado no arquivo de 24-II. Consegui visualizar o documento sorrateiramente depois de um pedido formal, as autoridades eclesiásticas tinham respondido com a afirmação surpreendente segundo a qual o episcopado não teria arquivos. 

Quando ele se reunia com representantes da Igreja Católica, o ditador Videla falava com a franqueza em uso entre amigos. O então presidente do episcopado, o Cardeal Raul Francisco Primatesta, informou a Assembleia plenaria que ele e seus dois vice-presidentes, o arcebispo Vicente Zazpe e o cardeal Juan Aramburu, haviam falado a Videla sobre os casos de presos, aparentemente colocados em liberdade, mas na verdade assassinados, se eram interessados dos sacerdotes ​​desaparecidos, como Pablo Gazzarri, Carlos Bustos e Mauricio Silva, e de outras pessoas desaparecidas nos dias que antecedem a reunião com Videla. De acordo com o documento episcopal "o presidente respondeu que aparentemente seria óbvio afirmar que eles já estão mortos; se trataria de cruzar uma linha divisória: estes sumiram, se foram. Este seria o mais claro, no entanto, nos leva a uma série de consideraçoes em relação ao local onde eles foram enterrados: em uma vala comum? E em tal caso quem os teria sepultado nesta cova? Uma série de perguntas as quais as autoridades governamentais não podem responder sinceramente, porque envolve várias pessoas”, um eufemismo para aludir àqueles que tinham feito o trabalho sujo de sequestrar-los, torturá-los, matá-los e fazer desaparecer os corpos. O comportamento do clero tinha nuances sutis. Zazpe perguntou: "O que respondemos às pessoas visto que existe uma base de verdade no que eles suspeitam?". E Videla “admitiu que era verdade." Aramburu explicou que "o problema é responder em modo que as pessoas não continuem a pedir explicações."

Primatesta explicou que "a Igreja quer entender, colaborar, é ciente de que o país estava em um estado de caos" e que ele mediu as palavras, porque ele sabia muito bem "o dano que poderia causar ao governo". Primatesta, também, insistiu sobre a necessidade de chegar a uma qualquer solução, enquanto previa que no fim o método consistente em fazer desaparecer as pessoas produziria "efeitos negativos", considerado "a amargura que atingia muitas famílias". Este diálogo de extraordinária franqueza mostra que seja Videla seja a Igreja conheciam muito bem os fatos e sotolinha a cumplicidade com a qual avaliavam e decidiam em que modo responder às denuncias das pessoas, consideradas por ambas as partes como uma ameaça comum.

Ao escolher esta política de assassinatos ilegais, que Videla, agora define "comoda", porque evitava de fornecer explicaçoes, a junta militar jogou uma sombra de suspeito sobre todos os quadros das forças armadas e das forças de segurança, sombra que começou a se dissipar com o reabertura dos processos que permitiram determinar as responsabilidades individuais que a junta tinha encoberto. Até hoje, houveram 253 condenações e 20 de absolvições, o que prova que em uma democracia ninguém é condenado preconceituosamente e sem poder exercer o seu direito de defesa. Até o momento apenas um militar capelão Christian Von Wernich, foi condenado por cumplicidade em casos de tortura e assassinato.

Zazpe morreu em 1984, Aramburu em 2004 e Primatesta em 2006. Em 2011 renuncoiu por limite de idade Jorge Casaretto, o último bispo da época ainda em atividade. No entanto, a Igreja continua a manter um silêncio obstinado que às vezes enfatiza sua crescente irrelevância no panorama da sociedade argentina. A pouca influência da Igreja se é vista claramente no ano passado quando, apesar de sua mobilização, o Congresso alterou o Código Civil para permitir o casamento a todas as pessoas independentemente do sexo dos contratantes.

terça-feira, 5 de junho de 2012

QUEM NOS DEFENDE DAS ATROCIDADES

FONTE: http://www.voltairenet.org/Les-atrocites-de-qui)

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial e do Tribunal de Nuremberga, a justiça internacional e a denúncia de crimes contra a humanidade sao submetidos a regra de dois pesos, duas medidas. A razão do mais forte é sempre a melhor, os Estados Unidos e seus aliados acumulam crimes impunemente, enquanto se apresentam como os garantes dos direitos humanos. Os tribunais internacionais, organizações internacionais e meios de comunicação, longe de denunciar esta situação, garantem essa hipocrisia humanitária . Assim, para Manillo Dunicci, o Conselho de Prevenção das atrocidades que Obama acabou de criar é uma ferramenta adicional para colocar a ajuda humanitária ao serviço da guerra.


Quem duvidava de que Barack Obama não merecia o Nobel da Paz agora terá de reconsiderar a sua opinião. O presidente anunciou a criação de um Conselho de Prevenção de Atrocidades (Atrocities Prevention Board), uma comissão especial da Casa Branca para a "prevenção de atrocidades." É presidido por sua inspiradora, Samantha Power, assistente especial do Presidente e diretora para os Direitos Humanos no National Security Council, formado pelos conselheiros mais importantes em política externa.

Em sua ascensão ao poder (o que parece estar predestinada peloseu nome), Samantha, aspirante secretária de Estado, sempre recorreu a denúncia de alegadas atrocidades atribuídas àqueles que, de tanto em tanto , são bolados pelos Estados Unidos como inimigo número um. Sob a asa de seu chefe, o poderoso financista George Soros, Power ajudou a elaborar a doutrina da "Responsabilidade de Proteger", que atribui aos Estados Unidos e seus aliados o direito de intervir militarmente nos casos em que, segundo seu inapelável aviso, as "atrocidades em massa" estão prestes a ser cometidas. É através deste tipo de motivação oficial, em particular aquela de proteger a população de Benghazi ameaçada de extermínio pelas forças do governo, que o presidente Obama decidiu no ano passado fazer a guerra contra a Líbia.

A doutrina é agora institucionalizada com a criação do Atrocities Prevention Board. Através da Comunidade de Inteligência (formado pela CIA e outros 16 órgãos federais), ele estabelece quais são os casos de "potenciaisatrocidades de massa e genocídio ", alertando o presidente. Ele prefigura entao as ferramentas políticas, econômicas e militares para a "prevenção". Dentro deste quadro, o Departamento de Defesa está actualmente a desenvolver alguns "ulteriores princípios operacionais, específicos para prevenção e para a resposta às atrocidades." A partir de agora será o Conselho de Prevenção das Atrocidades (Atrocities Prevention Board) a preparar o caminho a novas guerras.

E é já ao trabalho: frente a "violência inominável a qual é sujeito o o povo sírio, devemos fazer tudo o que pudermos", disse Obama, ressaltando que, hoje como no passado, "a prevenção de atrocidades de massa constitui uma responsabilidade moral fundamental para os Estados Unidos da América."

Pena que o Conselho de Prevenção de Atrocidades foi criado somente agora. Caso contrário, ele poderia ter prevenido as atrocidades de massa das quais a história americana está cheia, começando com o genocídio dos povos indígenas da América do Norte. Basta lembrar, limitando-nos aos últimos cinqüenta anos, as guerras contra o Vietnã, Camboja, Líbano, Somália, Iraque, Iugoslávia, Afeganistão, Líbia; golpes de Estado orquestrados pelos Estados Unidos na Indonésia, Chile, Argentina, El Salvador [e Brasil*]. Milhões de pessoas presas, torturadas e mortas. Para prevenir outras atrocidades, o Atrocities Prevention Board deveria trazer à justiça os responsáveis, impunes, das torturas e assassinatos de Abu Ghraib, Guantánamo e em dezenas de prisões secretas da CIA . Também deveria anexar os atos os vídeos com os quais os soldados americanos documentam , para se divertir, a morte de civis no Afeganistão [1], que o Pentágono primeiro tentou encobrir e, em seguida, minimizar. Que Samantha Power olhe bem, estesvídeos, para realmente compreender o que é uma "atrocidades de massa."


* como relata os documentos abaixo (a época secretos) presentes no site da George Washington University:
http://www.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB118/bz02.pdf

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A VERDADE NOS TORNA LIVRES, DIRIA UM CRISTIANO HONESTO...

Vaticano diz que escândalo de corrupção abala confiança na Igreja

DA REUTERS, EM ROMA

O Vaticano negou na segunda-feira, em meio à maior crise no pontificado de Bento 16, notícias de que cardeais seriam suspeitos em uma investigação sobre o vazamento de documentos, num caso que já levou à prisão do mordomo do papa.
De acordo com a imprensa italiana, o mordomo Paolo Gabriele era apenas um "leva-e-traz" numa disputa de poderes na Santa Sé. O escândalo estourou na semana passada, quando o chefe do banco do Vaticano foi repentinamente demitido, o mordomo foi detido por acusações de furto de documentos, e foi publicado um livro apontando conspirações entre os cardeais.
Os documentos vazados para os jornalistas denunciam corrupção no vasto relacionamento financeiro entre a Igreja e empresas italianas.
Embora negando a veracidade dos relatos, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse numa entrevista coletiva que "isso é naturalmente algo que pode afetar a Igreja, e testar a confiança nela e na Santa Sé".
Lombardi negou que "qualquer cardeal, italiano ou não, seja suspeito". Ele acrescentou que o papa está sendo informado do assunto, e que "continua no seu caminho de serenidade, na sua posição de fé e moral que está acima da refrega".
Carlo Fusco, advogado do mordomo, disse que ele está "muito sereno e tranquilo", e que pretende colaborar com as investigações.

BODE EXPIATÓRIO
Uma fonte anônima e responsável pelo vazamento de alguns documentos disse ao jornal italiano "La Reppublica" que o mordomo está sendo usado como bode expiatório, porque a Igreja não ousa implicar os cardeais responsáveis pelos vazamentos.
"Há vazadores entre os cardeais, mas o Secretariado de Estado não podia dizer isso, então prenderam o servidor, Paolo, que estava só entregando as cartas em nome de outros".
Ao "La Stampa", o responsável por um dos vazamentos afirmou que o objetivo das denúncias é ajudar o papa a erradicar a corrupção.
O Secretariado de Estado, órgão administrativo do Vaticano, é comandado pelo cardeal Tarcisio Bertone, poderoso braço-direito do papa, e o escândalo parece envolver uma disputa de poder entre seus aliados e inimigos, evocando as conspirações renascentistas na Santa Sé.

FONTE:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1096930-vaticano-diz-que-escandalo-de-corrupcao-abala-confianca-na-igreja.shtml

IGREJA CATOLICA E VATICANO PARECEM MAIS SUJOS QUE "PAU DE GALINHEIRO"

FONTE:
http://oglobo.globo.com/mundo/novo-escandalo-de-corrupcao-abala-vaticano-3770624

Um escândalo de corrupção explodiu no coração da Igreja Católica depois que uma TV italiana revelou, na noite de quarta-feira, cartas em que o ex-secretário-geral do Vaticano Carlo Maria Vigano denuncia superfaturamento e outras irregularidades na Santa Sé. No ano passado, Vigano acabou transferido para Washington, onde atua como núncio apostólico, apesar de pedir para permanecer no cargo no Vaticano, no qual sua permanência estava prevista até 2014.
Nas cartas enviadas em 2011 a superiores — incluindo o próprio Papa Bento XVI — Vigano diz ter encontrado "uma rede de corrupção, nepotismo e favorecimento" nos contratos para a conservação da Cidade do Vaticano. O ex-secretário-geral diz que os funcionários da equipe do Vaticano eram desmoralizados pelo fato de "os serviços serem sempre entregues às mesmas companhias a pelo menos o dobro do preço cobrado fora do Vaticano. O superfaturamento teria atingido até o presépio natalino da Praça de São Pedro. Vigano reduziu seu custo de instalação e manutenção de 550 mil em 2009 para 350 mil em 2010.
O então secretário-geral também aponta irregularidades na gestão do dinheiro da Igreja. Numa carta de abril do ano passado, ele diz que a administração de alguns investimentos do Vaticano foi entregue a fundos "que cuidam mais dos seus próprios interesses do que dos nossos" e "nos fizeram perder US$ 2,5 milhões numa única transação".
As cartas foram escritas após Vigano ter sido informado de sua transferência. Ele se queixa ao Papa e diz que, mesmo que tecnicamente tenha sido promovido, a mudança "seria uma derrota difícil de aceitar" e "provocaria muita desorientação e desencorajaria aqueles que acreditaram que era possível extirpar muitas das situações de corrupção e abuso de poder que estão enraizadas na administração de vários departamentos". Ele disse ser vítima de uma campanha de desprestígio por funcionários descontentes com suas medidas anticorrupção. Apesar dos apelos, Vigano foi enviado aos EUA.
O Vaticano reagiu à reportagem da rede de TV La 7 com críticas, embora tenha admitido a autenticidade das cartas ao expressar "tristeza com a publicação de documentos reservados". A Santa Sé disse que a TV "trata assuntos complicados de maneira parcial e banal" e afirma estar pronta a ir à Justiça "defender a honra de pessoas honestas". Sobre a transferência, o Vaticano diz que isso é prova "da indubitável confiança" depositada em Vigano pelo Papa.

Vaticano e Igreja Catolica: Nao terminam nunca os escandalos...

Fonte:
http://www.portugues.rfi.fr/geral/20120528-escandalo-no-vaticano-expoe-intrigas-entre-cardeais-0

O mordomo do Papa Bento 16, Paolo Gabriele, continua detido em uma prisão do Vaticano acusado de ter furtado documentos sigilosos da Santa Sé e vazado para a imprensa. Gabriele foi detido na última quarta-feira e a polícia do Vaticano investiga se ele contou com a ajuda de cúmplices. Neste programa, analisamos esse escândalo que abala a imagem da Igreja e expõe as intrigas entre cardeais próximos ao Papa.
Para nossa correspondente em Roma, Gina Marques, este escândalo demonstra que existe uma grande batalha dentro do Vaticano. Muitos atribuem a responsabilidade deste mal estar ao Secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal italiano Tarcisio Bertone, visto como um homem que manipula o poder e impede a transparência. A Secretaria de Estado é como o governo do Vaticano.
Diversos documentos vazaram e foram publicados no livro “ Sua Santidade. As cartas secretas de Bento XVI”, escrito pelo jornalista Gianluigi Nuzzi. São 352 páginas com diversos documentos que descrevem escândalos, mentiras, tentativas de interferência nas leis italianas, enfim, um Estado que tenta interferir em outro, além de conflitos internos, principalmente no Instituto de Obras Religiosas, conhecido como IOR, que é o Banco do Vaticano.
Arquivo audio

http://telechargement.rfi.fr.edgesuite.net/rfi/bresilien/audio/modules/actu/201205/LINHA_28-05.mp3

terça-feira, 15 de maio de 2012

Petiçao Desmatamento Zero

A fauna e a flora brasileiras estão em risco, e com elas o futuro do Brasil. Mas você pode ajudar a salvá-los. O Greenpeace lança, com outras organizações, um projeto de lei popular pelo desmatamento zero de nossas matas.




sábado, 12 de maio de 2012

Brasil, ditadura e Condor: Entrevista com Horacio Verbitsky

Fonte: http://old.kaosenlared.net/noticia/brasil-entrevista-com-horacio-verbitsky
“O caso do Brasil é o caso mais extremo no Cone Sul, um caso de segredo e de obscuridade.O Brasil ainda mantém em segredo os arquivos da Guerra do Paraguai,um fato que ocorreu há um século e meio.”
 
Horacio Verbitsky é uma comissão de verdade em si mesmo. A dívida da sociedade argentina com esse jornalista investigativo que revelou os rincões mais obscuros da repressão da última ditadura militar é enorme. Diretor do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), autor de cerca de 20 livros e de investigações jornalísticas de muito peso, Verbitsky é um dos mais finos conhecedores dos sistemas repressivos na América Latina. Suas obras e seu trabalho a frente do CELS lhe valeram numerosos reconhecimentos internacionais, entre eles o prêmio da Fundação Konrad Adenauer e o da Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos da França.
Por meio do CELS, cuja vocação é a promoção e proteção dos direitos humanos e o fortalecimento do sistema democrático na Argentina, Verbitsky promoveu numerosas causas contra os repressores argentinos. Ele é autor de uma das revelações mais horripilantes da recente história argentina. No livro “El vuelo” (“O Voo”), Horacio Verbitsky traz o testemunho de Adolfo Scilingo, um militar que contou em detalhes a metodologia de extermínio empregada pelos militares para eliminar os opositores na última ditadura militar. “El Vuelo” narra todo o pavoroso processo dos seqüestros, as torturas, o envolvimento da Igreja Católica e a participação dos médicos naquilo que seria a solução final: lançar no mar as pessoas seqüestradas.

Em entrevista à Carta Maior, Verbitsky analisa o peso dos arquivos na busca da verdade e da justiça, detalha o funcionamento dessa multinacional do crime que foi a Operação Condor e destaca as particularidades que fazem do Brasil um país que ainda guarda em documentos secretos a implicação de suas forças armadas nos anos de chumbo.


ENTREVISTA

Qual foi a importância dos arquivos da Operação Condor para que avançassem os julgamentos dos repressores? E, de um modo mais amplo, em que medida a desclassificação dos arquivos norte-americanos serviu para entender melhor o funcionamento desse dispositivo repressor?

Horacio Verbitsky - A Operação Condor foi organizada por chilenos, argentinos, brasileiros, uruguaios, paraguaios e peruanos. Os arquivos norte-americanos serviram para confirmar que os estadunidenses sabiam da existência da Operação Condor e constatar a forma pela qual Washington interviu nessa operação.

Por exemplo, os documentos dão conta de uma reunião no Chile, em junho de 1976, entre o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, e o vice-almirante argentino César Guzzetti. Eles voltaram a se encontrar em Nova York, em novembro-dezembro do mesmo ano. Nas duas vezes, Guzzetti contou a Kissinger o que estavam fazendo com a repressão e Kissinger respondeu dizendo: “façam, mas terminem rápido”.

Nós usamos muitos desses documentos nos julgamentos. Eles foram muito úteis como peças para completar quebra-cabeças. Esses documentos não eram provas em si mesmo, mas se encaixavam com outras coisas que estavam sendo investigadas. A divulgação dos arquivos é essencial para facilitar que seja feita a justiça. Mas não é tudo. Na Argentina, a justiça avançou muito – diria que mais que em qualquer outro lugar do mundo -, mas avançou apesar de não haver arquivos.

A Argentina é a prova de que o arquivo é útil, mas não imprescindível. O que ocorre é que, sem o arquivo, depende-se da reconstrução oral, do testemunho do sobrevivente, e isso faz com que muita gente escape porque não há quem testemunhe contra eles, porque mataram as vítimas.

Os arquivos também servem para afinar um pouco a direção da busca. A falta de arquivo pode levar a que se queira julgar todo mundo, ou seja, como houve um genocídio, quem estava ali era responsável. Nós, no CELS, defendemos que têm que existir provas concretas da participação de uma pessoa
.

No caso do Brasil, neste momento há um forte debate sobre a abertura ou não dos arquivos da ditadura.

Horacio Verbitsky - O caso do Brasil é o caso mais extremo no Cone Sul, um caso extremo de segredo e de obscuridade. O Brasil ainda mantém em segredo os arquivos da Guerra do Paraguai, um fato que ocorreu há um século e meio. No que diz respeito à ditadura, e comparando com o que aconteceu na Argentina, há vários fatores que explicam isso. Por um lado, comparativamente com a Argentina, no Brasil a quantidade de vítimas é ínfima. O Brasil tem uma população várias vezes superiores a da Argentina e teve menos de 150 pessoas desaparecidas. O que houve sim foram milhares de torturados. Isso foi muito bem investigado pelo Arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns. Ele conseguiu ver arquivos e atas ainda que não estivessem abertos oficialmente.

Em segundo lugar, isso também se explica porque, no contexto do princípio desenvolvimentista, no Brasil houve um governo em sucedido. Em troca, na Argentina, foi um fracasso. A outra diferença entre os dois países radica igualmente no fato de que, enquanto o Brasil teve relações amistosas com as potências, a Argentina viveu uma guerra com a Grã-Bretanha (as Malvinas) e os Estados Unidos. Com isso, a possibilidade de que os militares brasileiros mantenham os arquivos fechados tem sido e é muito forte. Uma ditadura como a argentina que massacrou um percentual muito alto de pessoas e que, além disso, fracassou economicamente e perdeu uma guerra contra a Grã-Bretanha, não está em condições de manter segredos de Estado.
Mas não faltou vontade política por parte dos sucessivos governos, começando pelo de Lula?

Horacio Verbitsky - O governo de Lula não teve muito entusiasmo para mexer nesse tema. Vários fatores explicam isso: a experiência pessoal sindical de Lula, que não tem muito a ver com a de Dilma. Pode ser que isso tenha influído. Mas, de modo mais geral, no Brasil não há um grande interesse por esses temas. A sociedade não se interessa muito, é um tema que não provoca entusiasmo.

Eu tenho uma experiência muito concreta. Meu livro “El Vuelo”, que traz as confissões de Adolfo Scilingo sobre como se jogavam no mar os presos na ESMA (Escola Mecânica da Armada), foi traduzido para muitos idiomas, mas a edição que menos repercussão teve foi a brasileira. O livro teve mais repercussão na Itália, na Inglaterra, na França ou nos EUA do que no Brasil.

Há, então, no Brasil, uma espécie de bloqueio político.

Horacio Verbitsky - Sim, sim, muito claro.
A Operação Condor foi uma autêntica coordenação entre as ditaduras do Cone Sul. Seguirá sendo um fato pouco comum na história latino-americana?

Horacio Verbitsky - Foi uma coordenação das ditaduras da Argentina, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai e Peru. Essas ditaduras compartilhavam informação de inteligência e também operativos de inteligência. Há argentinos detidos no Chile, no Uruguai, no Peru e no Brasil que foram entregues às forças armadas argentinas para serem assassinados. E na Argentina, também operaram forças dos outros países. Houve um campo de concentração em Buenos Aires que se chamava Automotores Orletti, o­nde o grosso dos detidos era de uruguaios. Os repressores de Montevidéu vinham participar dos interrogatórios junto aos argentinos. Dali eram transportados a Montevidéu e decidiam quem vivia, quem morria e quem roubava as crianças. Foi uma colaboração muito estreita entre os governos.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O CARATER MAFIOSO DO BRASIL

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-05-02/a-primeira-confissao-do-atentado-ao-riocentro.html


A primeira confissão do atentado ao Riocentro



Ex-delegado do DOPS conta ter participado atentado, dá nomes dos chefes militares da operação e conta o que deu errado


“Participei do atentado ao Riocentro (durante as comemorações do Dia do Trabalhador, em 1981) e fiz parte das várias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior tragédia, o grande golpe contra o projeto de abertura democrática”, revela o ex-delegado Cláudio Guerra, do DOPS (Departamento de Operações Políticas e Socias), no livro “Memórias de uma guerra suja”.


O depoimento aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto, que acaba de ser publicado pela editora Topbooks, é a primeira confissão de participação no atentado feita por um integrante das forças de resistência á redemocratização do país no final da década de 70.



(No Riocentro, bomba explodiu antes da hora do atentado previsto e matou agente de informações do Exército)






Cláudio Guerra conta que a bomba explodiu por engano no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário por um erro do capitão Wilson Luís Chaves Machado, que dirigia o Puma onde os dois estavam:


“Aquela bomba era uma das três que deveriam explodir no show. O capitão Wilson estacionou o veículo embaixo de um fio de alta tensão e a carga elétrica desse fio, a energia que passava em cima do Puma, fechou o circuito da bomba, provocando a explosão. O erro foi do capitão. (...) Eu era especialista em explosivos.”


O coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi).


Quanto à sua equipe, a missão seria prender esquerdistas que seriam responsabilizados pelo atentado: “Fui para lá com uma lista de nomes.”


Mas deu tudo errado. Com a explosão da bomba no Puma, os militares policiais civis e os policiais civis que levavam outras duas bombas abortaram a operação.


“O destino daquela bomba era o palco. Tratava-se de um artefato de grande poder destruidor. O efeito da carga explosiva no ambiente festivo, onde deveriam se apresentar uns oitenta artistas famosos, seria devastador. A expansão da explosão e a onda de pânico dentro do Riocentro gerariam consequências desastrosas. Era evidente que muitas pessoas morreriam pisoteadas.”


Segundo conta Cláudio Guerra, a coordenação feita pelo pessoal de inteligência havia mandado suspender todos os serviços de apoio do Riocentro, incluindo o policiamento e a assistência médica, para que não houvesse socorro imediato às vítimas. Até as portas de saída foram trancadas e placas de trânsito com siglas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) haviam sido pichadas para dar a entender que se tratava de uma ação da esquerda.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

REI ESPANHA CAçCANDO ANIMAIS NA AFRICA

Spagna, Re Carlos chiede scusa per la caccia allelefante

3 giorni

Ambientalistas querem rei da Espanha fora da WWF após caçada de elefantes

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1077274-ambientalistas-querem-rei-da-espanha-fora-da-wwf-apos-cacada-de-elefantes.shtml


Uma petição on-line com mais de 70 mil assinaturas exige que o rei da Espanha, Juan Carlos, 74, deixe a presidência de honra do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) espanhol, após a revelação de uma viagem do monarca à Botsuana, na África, para caçar elefantes.

O caso veio a tona após Juan Carlos se acidentar na viagem, na última sexta-feira. Ele fraturou o quadril durante a caçada e teve de retornar à Espanha às pressas para passar por uma cirurgia.

Muitos jornais e canais de televisão divulgaram uma imagem do rei posando com uma arma ao lado de um elefante morto em 2006, numa viagem ao país.

Angel Villamor, cirurgião responsável, disse que o rei tem previsão de alta nesta semana. "O rei continua com um programa de reabilitação intensivo. A fisioterapia segue satisfatoriamente. Ele consegue levantar e sentar por conta própria", afirmou o hospital San Jose, em nota.

POSICIONAMENTO

Após receber centenas de mensagens via redes sociais sobre o caso, o secretário-geral do WWF na Espanha, Juan Carlos del Olmo, publicou ontem (16) no site da ONG uma carta solicitando uma reunião com a Casa Real. Abaixo, a tradução:

"Escrevo para transmitir o profundo mal-estar e a preocupação do WWF pelos últimos acontecimentos relacionados com a participação do rei em uma caçada de elefantes na África, o que provocou uma enorme rejeição entre nossos sócios e a opinião pública, em geral contrária à caça de elefantes, mesmo quando esta é realizada de forma legal.

Parte dessas manifestações solicita que o rei não continue mais ostentando o título de presidente de honra da WWF espanhola.

Esse acontecimento mundialmente conhecido implica em um grave prejuízo à credibilidade da WWF e ao trabalho árduo que tem sido desenvolvido ao longo de 50 anos para a proteção dos elefantes e de outras espécies.

Dessa forma, considero urgente a realização de uma reunião para analisar a situação e dar uma resposta a essas pessoas."


Pierre-Philippe Marcou/France Presse
Ativistas da ONG Igualdad Animal protestam em frente ao hospital onde o rei Juan Carlos se recupera. Os cartazes mostram fotos de animais com os dizeres "estas são as verdadeiras vítimas da caça"
Ativistas da ONG Igualdad Animal protestam em frente ao hospital onde o rei Juan Carlos se recupera. Os cartazes mostram fotos de animais com os dizeres "estas são as verdadeiras vítimas da caça"

CRÍTICAS GENERALIZADAS

Além dos ambientalistas, políticos e jornais espanhóis também atacaram o rei por sua viagem, considerada extravagante em tempos de recessão, com o país sofrendo pelo alto nível de desemprego e submetido a medidas de austeridade dolorosas. Alguns comentaristas pedem que ele se desculpe ou até mesmo abdique, deixando o trono para seu filho, Felipe.

"Foi uma viagem irresponsável, no pior momento possível", afirmou o jornal "El Mundo" em editorial. "A imagem de um monarca caçando elefantes na África num momento em que crise econômica cria tantos problemas para os espanhóis é um exemplo muito ruim", emendou.

Tomas Gomez, líder do partido socialista, disse à imprensa que o rei "precisa escolher entre as obrigações públicas, ou uma abdicação que o permitira aproveitar a vida de modo diferente".

Juan Carlos, que supervisionou a transição do país para a democracia, ganhou o respeito de muitos espanhóis em 1981, quando ele condenou publicamente uma tentativa de golpe militar.

Recentemente, sua família foi alvo de críticas quando seu genro, Inaki Urdangarin, foi processado por fraude e peculato. Na última semana, o neto de 13 anos do rei se machucou ao atirar no próprio pé e levantou questionamentos sobre o uso de uma arma por um menor de idade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A CORRUPTA FACE OCULTA DA EUROPA

Assim os senhores da guerra e a corrupta Europa fazem com que as pessoas honestas passem fome e se suicidem como na Grecia e em Italia.
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Fonte: http://archiviostorico.corriere.it/2012/febbraio/13/Fregate_sottomarini_caccia_Quelle_pressioni_co_8_120213025.shtml 
Fragatas, submarinos e caças. Aquelas pressões de Merkel e Sarkozy para obter contratos militares

Os gregos sofrem a fome, mas tem os arsenais de guerra cheios. E eles continuam a comprar armas. Este ano, queimarao três por cento do PIB (produto interno bruto) em gastos militares. Somente os Estados Unidos, em proporção, podem permeter-se tanto . Mas o que faz Atenas desperdiçar montanhas de dinheiro? O temor dos turcos? Não, é a ganância de Merkel e Sarkozy.
Os dois líderes europeus colocaram o governo grego durante meses contra o muro:: se vocês querem ajuda, se vocês querem permanecer com o euro, vocês tem que comprar nossos tanques e nossos belos navios de guerra . A pressão de Berlim sobre o governo de Atenas para vender armas têm sido denunciada nos últimos dias por uma imprensa alemã chocados com o cinismo de Merkel, que impõe cortes e sacrifícios cidadãos helênicos e, em seguida, pretende promover a indústria de belica da Alemanha.
Até 2009, as relações entre Atenas e Berlim andavam bem, o governo grego era liderado por Kostas Karamanlis (partido de centro-direita), um grande amigo de Merkel. Os anos de Karamanlis foram uma benção para a Alemanha. "Nesse período - calculou uma revista especializada - os fabricantes alemães de armas ganharam uma fortuna." Um dos contratos militares de Atenas riguardava 170 panzers Leopard, que custaram 1,7 bilhões de euros e 223 canhões abandonados pela Bundeswehr, a defesa alemã.
Em 2008, os líderes da NATO assistiam maravilhados os loucos gastos em armas que estavam fazendo a Grécia saltar em quinto lugar no mundo como nação importadora de armas de guerra. Antes de concluir seu mandato como primeiro-ministro, Karamanlis fez um último presente aos alemães, encomendou 4 submarinos produzidos pela ThyssenKrupp. Seu sucessor, George Papandreou, um socialista, sempre se recusou a recebe-los . Ele queria economizar um gasto monstruoso. Mas Berlim insistia. Então, o líder grego encontrou uma desculpa para dizer não. Ele fez realizar uma avaliação técnica pelos seus oficiais da Marinha, que determinaram que esses submarinos não pode suportar o mar. Mas a verdade, bradou o vice de Papandreou, Theodore Pangalos, é que "querem nos impor outras armas, mas nós não precisamos delas." Deu razão a ele o ministro turco Egemen Bagis, em entrevista ao Herald Tribune, disse claramente: "Os submarinos da Alemanha e França não servem nem a Atenas nem a Ancara." No entanto, Papandreou, na desesperada procura por fundos internacionais, não poderia dizer não a tudo. No verão passado, o Wall Street Journal revelou que Berlim e Paris exigiram a compra de armas como condição para aprovar o pacote de medidas para "salvar" a Grécia.
E assim o líder de Atenas teve que se render. Em março passado da Alemanha recebeu um desconto, em vez de 4 submarinos, comprou 2 submarinos a um preço de 1,3 mil milhões de euros. Ele também teve que ficar com 223 tanques Leopard II por 403 milhões de euros, enriquecendo a indústria alemã à custa dos pobres gregos. Um ganho imoral, de acordo com o alemão líder do partido "Verdes" Daniel Cohn-Bendit. Papandreou também se comprometeu com Sarkozy. Durante uma visita a Paris em maio passado assinou um acordo para o fornecimento de seis fragatas e 15 helicópteros. Custo: 4 bilhões de euros. Mais barcos de patrulha por 400 milhões de euros. No final, Merkel foi capaz de se livrar de Papandreou, substituído pelo mais dócil Papademos. E os programas militares repartem: ele planeja adquirir 60 caças interceptores. Os orçamentos têm sido crescentes. Para 2012, a Grécia prevê gastos militares acima de 7 bilhões de euros, 18,2 por cento a mais que em 2011, três por cento do PIB.
Será que irão respeitá-los também Portugal, outro país com a água na garganta e que a Alemanha e a França estão impondo a mesma receita: compra de armas em troca de ajuda. Os produtores de armas precisam de apoio forte dos governos dos seus países para vender seus produtos. E os governos estão colocando pressão sobre potenciais compradores. Assim, os gastos militares mundiais crescem de forma alarmante: em 2011 atingiu 1,8 trilhões de dólares, 50 por cento mais que em 2001.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

OBAMA (PREMIO NOBEL DA PAZ) CONTINUA MATANDO INOCENTES (ATÉ CRIANÇAS) NO PAQUISTAO


FONTE http://www.thebureauinvestigates.com/2012/02/04/obama-terror-drones-cia-tactics-in-pakistan-include-targeting-rescuers-and-funerals/


Drones do terror de Obama: as táticas da CIA no Paquistão incluem mirar equipes de resgate e funerais


A campanha de drones da CIA no Paquistão matou dezenas de civis que tinham ido socorrer vítimas  ou que participavam a funerais, revelou uma investigação da The Bureau of Investigative Journalism para o Sunday Times.

Os resultados são publicados poucos dias depois de o presidente Obama afirmar que a campanha de drones no Paquistão era um "direcionada, esforço focado" que "não causou um grande número de vítimas civis."

Falando publicamente pela primeira vez sobre as polêmicas dos ataques drones da CIA  , Obama afirmou na semana passada que eles são usados ​​exclusivamente para golpir os terroristas, rejeitando o que ele chamou de "percepção de que estamos apenas enviando um monte de ataques à toa".

"Drones não causaram um grande número de vítimas civis", disse a um entrevistador em um fórum on-line. "Este é um esforço direcionado, focado em pessoas que estão em uma lista de terroristas ativos que tentam entrar e prejudicar os americanos".

Mas a pesquisa pelo Bureau of Investigative Journalism descobriu que desde que Obama assumiu o cargo há três anos, entre 282 e 535 civis foram de forma credível reportados como mortos, incluindo mais de 60 crianças. Uma investigação de três meses, incluindo relatos de testemunhas oculares encontrou indícios de que pelo menos 50 civis foram mortos depois  de ataques, quando eles tinham ido socorrer vítimas. Mais de 20 civis também foram golpidos em ataques deliberados contra funerais e parentes. As táticas têm sido condenadas pelos principais especialistas legais.

Embora os ataques com drones iniciaram sob a administração Bush em 2004, eles foram intensificados enormemente com Obama.

Houveram 260 ataques de Predators ou Reapers não tripulados no Paquistão pela administração de Obama - em média um a cada quatro dias. Como os ataques são realizados pela CIA, nenhuma informação é dada sobre os números de mortos.

Funcionários do governo insistem que esses ataques segretos são legais. John Brennan, assessor do presidente em contraterrorismo , argumenta que os EUA têm o direito de, unilateralmente, atacar terroristas em qualquer lugar do mundo, não apenas o que ele chamou de "campos de batalha quente".

Mas alguns especialistas em direito internacional fortemente discordam e questionam como o governo dos EUA iria reagir se um outro estado, como a China ou a Rússia iniciasse a tomar tais medidas contra aqueles que declaram como inimigos.

[...]

sábado, 7 de abril de 2012

"DEUS ABENçOE A AMERICA" DIRIA OBAMA...

Debate no Trinity College de Dublin em 2003. Fala de William Blum.
Link http://killinghope.org/bblum6/debate.htm

Aqui está
um breve resumo do que Washington tem se empenhado do fim da Segunda Guerra Mundial até o presente:

>>
Tentado derrubar mais de 40 governos estrangeiros.
>>
Injustificada invasão militar de cerca de 20 nações soberanas.
>>
Trabalhado para esmagar mais de 30 movimentos populistas que estavam lutando contra os regimes ditatoriais.
>>
Provedendo indispensável apoio a um pequeno exército de ditaduras brutais: Mobutu do Zaire, Pinochet do Chile, Duvalier do Haiti, Somoza da Nicarágua, a junta militar grega, Marcos das Filipinas, Rhee da Coréia, Shah do Irão, 40 anos de ditadores militares na Guatemala, Suharto da Indonésia, Hussein do Iraque, A JUNTA MILITAR BRASILEIRA, Trujillo da República Dominicana, o talibã do Afeganistão, e outros.

>> Soltado poderosas bombas sobre o povo de cerca de 25 países, incluindo 40 dias e noites consecutivos no Iraque, 78 dias e noites na Iugoslávia, e vários meses no Afeganistão; todos esses três países tiveram o primeiro requisito como um alvo bombardeio americano : ser completamente indefeso. E nem uma vez os Estados Unidos chegaram perto de reparar os danos causados ​​pelos seus grandes bombardeios. Afeganistão e Iraque são, claro, os exemplos mais recentes.
>> Aumentado o uso de urânio empobrecido, uma das armas mais desprezíveis já projetados pela humanidade, que produz bebês grosseiramente deformadas entre as suas muitas qualidades encantadoras, e que, num mundo civilizado não intimidado pelos Estados Unidos, seria categoricamente proibido.
>> O uso repetido de bombas de fragmentação, um outro dispositivo diabólico concebido por um cientista louco, que roubou de muitos jovens um ou mais membros, e alguns a sua visão, e continua a fazer isso todos os dias em muitos países, com as bombas permanecem no chão.
>> Tentativas de assassinato contra a vida de cerca de 40 líderes políticos estrangeiros.
>> Interferência bruta em dezenas de eleições democráticas estrangeiras.
>> Grande manipulação dos movimentos trabalhistas.
>> Vergonhosa fabricação de "notícias", cujo efeito de desinformação se multiplica quando os ativos da CIA em outros países propagam as mesmas histórias.
>> Fornecer manuais, materiais e incentivo para a prática de tortura.
>> Guerra química ou biológica ou o teste de tais armas, e o uso de herbicidas poderosos, todos que causam efeitos terríveis para as pessoas e ambientes de China, Coréia, Vietnã, Laos, Panamá, Cuba, Iraque, Afeganistão, Sérvia e em outros lugares.
>> Incentivo do tráfico de drogas em várias partes do mundo quando serve aos propósitos da CIA.
>> Apoio a esquadrões da morte, particularmente na América Latina.
>> Causar graves danos à saúde e ao bem-estar das massas do mundo girando os parafusos de do FMI, Banco Mundial, OMC e outras instituições financeiras internacionais, bem como pela imposição de sanções e embargos impiedosos.
>> Muito do acima tem criado milhões de refugiados sem-teto errantes em giro pelo mundo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

DEMOCRACIA E SOBERANIA... COMO O ELEFANTE ROSA, ALGUEM JA VIU?

Trecho da entrevista do Professor de economia Andrea Fumagalli (Italia) .
http://apertisverbis.blogspot.it/2012/03/intervista-al-professor-andrea.html


A escolha do
equilibrio na balança de pagamentos do Estado adicionado à Constituição [italiana] foi realmente ditado pela Europa?

"De acordo com algumas opiniões, isto enfraquece o próprio conceito de soberania nacional. A soberania econômica nacional é um conceito (como aquele de democracia), que não existe mais há pelo menos 20 anos.

As mudanças da organização tecnológica, da produção / acumulação e do trabalho que têm ocorrido ao longo dos últimos trinta anos redefiniram os aspectos geo-económicos e geo-políticos internacionais. O processo de financeirização foi um dos efeitos e tal processo agora determina a hierarquia de comando economico. Hoje 10 multinacionais da finança são capazes de impor seus interesses econômicos à inteiras comunidades nacionais e sopranacionais
[Uniao Europeia por exemplo].

A novidade
que
a crise europeia nos oferece é que agora sao esses poderes que escolhem diretamente os chefes de governo, enquanto até alguns anos se limitavam a condicionar indiretamente as escolhas econômicas.
"


Precisa adicionar alguma coisa?

domingo, 1 de abril de 2012

A AMERICA E SUA BARBARIE NO IRAQUE...

fonte: http://www.diplomatique.org.br/edicoes_especiais_artigo.php?id=92

[...]


O canal CBS News informava, em 19 de julho de 2003, bem antes da descoberta dos casos comprovados de tortura na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá: “A Anistia Internacional examina certo número de casos de tortura presumida cometidos no Iraque pelas autoridades norte-americanas, dos quais um é o caso Khraisan al-Aballi. A casa de Al-Aballi foi destruída por soldados dos Estados Unidos que entraram atirando para todos os lados; eles o prenderam, assim como a seu velho pai de 80 anos. Golpearam e feriram seu irmão... Os três homens foram levados... Al-Aballi diz que seus interrogadores o deixaram inteiramente nu e o mantiveram acordado por uma semana, de pé ou ajoelhado, com as mãos e os pés amarrados, a cabeça coberta por um saco. Al-Aballi diz ter declarado a seus sequestradores: ‘Não sei o que vocês querem. Eu não tenho nada’. ‘Pedi que me matassem’, conta Al-Aballi. Oito dias depois eles o deixaram partir acompanhado por seu pai... Os oficiais norte-americanos jamais responderam às inúmeras solicitações que foram feitas para discutir esse caso...”

[...]

Viva a liberdade diriam os grandes colossos produtores de arma a BUSH...

O CINISMO GLOBAL DE BUSH (escrito por CHOMSKY)

fonte: 

A "guerra preventiva" no Iraque provocou a disseminação do terrorismo pelo mundo, mas um país que dá abrigo a uma lista de notórios terroristas nunca será alvo desta política: os Estados Unidos
por Noam Chomsky
Contrariamente ao que se poderia pensar, as ocupações militares, mesmo quando realizadas pelos conquistadores mais brutais, podem ser bem-sucedidas. É o caso da invasão da Europa Ocidental por Hitler, ou a da Europa Oriental pela Rússia, no pós-guerra. Em ambos os casos, os países ocupados eram dirigidos por colaboracionistas que dispunham de redes locais, civis e militares, e eram meramente apoiados pelas tropas do conquistador. Desenvolveu-se uma corajosa resistência contra Hitler, mas sem ajuda externa ela teria sido esmagada. Na Europa Oriental (como na própria Rússia), os Estados Unidos tentaram dar apoio à resistência anti-soviética até o início da década de 50, mas sem êxito.
Por contraste, observemos a invasão do Iraque. Ela pôs fim a dois regimes monstruosos, um dos quais temos permissão de citar e o outro, não. O primeiro foi o regime do tirano; o segundo, as sanções impostas pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha, que mataram centenas de milhares de pessoas, devastaram a sociedade, reforçaram o poder do tirano e obrigaram a população a depender dele para sua sobrevivência (por meio do racionamento) - preservando, dessa forma, Saddam Hussein do destino que tiveram outros ditadores apoiados por diversos governos dos Estados Unidos, particularmente por parentes e amigos do atual governo norte-americano - tais como Suharto, Marcos, Duvalier, Ceaucescu, etc., que foram depostos por uma oposição interna. Tal perspectiva era plausível antes da guerra.
Ninguém duvida que a população tenha recebido com satisfação o fim das sanções e o fim do regime de Saddam Hussein. Os opositores à guerra no Iraque no mundo inteiro também, embora esse fato tenha sido ocultado. Mas teria sido possível suprimir o regime das sanções sem a guerra; além do que, se elas tivessem sido abolidas, a população poderia ter conseguido se livrar da ditadura. A investigação realizada pelo inspetor David Kay, nomeado pelo presidente Bush após a vitória, não só desmentiu, de maneira absolutamente clara, a pretensa detenção de armas de destruição em massa pelo Iraque, como demonstrou, além do mais, que o poder exercido por Saddam Hussein, nos anos que precederam a invasão norte-americana, era muito frágil. Isto confirmou, a posteriori, as teses de inúmeros especialistas que conheciam bem a situação interna iraquiana. Dois coordenadores do programa de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, Denis Halliday e Hans von Sponeck1, haviam repetido inúmeras vezes que se o boicote e as sanções impostas por Washington e Londres tivessem poupado a população, os próprios iraquianos teriam deposto seu tirano.
Infâmia comparável a Pearl Harbor

Teria sido possível suprimir o regime das sanções sem a guerra; além do que, se elas tivessem sido abolidas, a população poderia ter conseguido se livrar da ditadura

Todos sabemos que as intervenções militares podem ter efeitos secundários positivos: o bombardeio de Pearl Harbor pela aviação japonesa em dezembro de 1941, por exemplo, levou à expulsão das potências imperiais ocidentais da Ásia, poupando, dessa maneira, milhões de vidas que teriam se perdido. Seria isso uma justificativa para o fascismo japonês e seus crimes? É evidente que não. Todo mundo reconhece que a agressão japonesa contra os Estados Unidos foi um crime de guerra, o "crime capital", segundo o Tribunal de Nuremberg.
Foi com toda a razão que Arthur Schlesinger, o mais respeitado historiador norte-americano, lembrou esse precedente de Pearl Harbor quando começaram os bombardeios do Iraque. O presidente Franklin D. Roosevelt, escreveu ele, tinha motivos para dizer que o ataque japonês era uma data memorável na história da infâmia e que os norte-americanos deveriam viver com o ataque contra Bagdá como uma infâmia comparável à política imperial japonesa.
Com o fim dos dois regimes - o das sanções e o de Saddam Hussein - os Estados Unidos dispunham de recursos imensos para reconstruir o Iraque. A população estava aliviada e a resistência praticamente não contava com qualquer apoio externo. Mas ela se desenvolveu fundamentalmente a partir de dentro, como uma resposta à violência e brutalidade dos invasores. Foi necessário um verdadeiro talento para conseguir fracassar...
"Santuário de terroristas"

O governo Bush considerou os riscos da guerra insignificantes, quando comparados com a perspectiva de assumir o controle do Iraque e de suas riquezas

Isto porque a invasão desencadeou um ciclo de violência que, por sua vez, produziu ainda mais violência, como provam os terríveis combates travados em Falluja - e nos quais são os civis as principais vítimas. Embora jamais tenham existido vínculos entre o antigo regime iraquiano e a rede terrorista Al-Qaida, todo mundo concorda que o "Iraque ocupado" se tornou um "santuário de terroristas", como observou, no New York Times2, Jéssica Stern, especialista em terrorismo da Universidade de Harvard.
A guerra contra o Iraque foi decretada apesar da oposição da opinião pública internacional, que receava que tal agressão conduzisse à disseminação do terrorismo. O governo Bush considerou esses riscos insignificantes, quando comparados com a perspectiva de assumir o controle do Iraque e de suas riquezas, de lançar a primeira "guerra preventiva" e de reforçar seu domínio sobre o cenário interno norte-americano.
Por outro lado, a "guerra contra o terrorismo" fracassou e os atentados sangrentos se multiplicaram pelo mundo inteiro. Para a desgraça de seus moradores, não pára de aumentar o número de cidades atingidas pelo terrorismo desde o 11 de setembro de 2001 e, principalmente, após a invasão do Iraque. Elas já são hoje Bagdá, Casablanca, Istambul, Jacarta, Jerusalém, Haifa, Ashdod, Mombassa, Moscou, Riad, Madri e Damasco. Nesse ritmo, é possível prever um cenário em que o terrorismo e as armas de destruição em massa acabem por se unificar numa mesma organização cujos ataques poderiam assumir proporções realmente aterradoras.
Fracasso surpreendente

Para a desgraça de seus moradores, não pára de aumentar o número de cidades atingidas pelo terrorismo desde o 11 de setembro de 2001

O conceito de "guerra preventiva", tão caro a George W. Bush, revelou sua verdadeira natureza: trata-se de um simples eufemismo para poder atacar quem quer que seja. Foi o caráter arbitrário e perigoso dessa doutrina - e não, unicamente, sua concretização no Iraque - que desencadeou, em fevereiro de 2003, a grande onda de protestos contra a invasão, rejeição que se ampliou desde então, principalmente devido à incapacidade de Washington provar que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.
Desde abril de 2003 que as pesquisas junto à opinião pública revelavam que os cidadãos norte-americanos desejavam que a ONU assumisse, no pós-guerra, a principal responsabilidade de reconstruir política e economicamente o Iraque. Apesar de tudo, o fracasso da ocupação é surpreendente, considerando-se o poder militar e os recursos de que dispõem os Estados Unidos. Esse fracasso forçou o governo Bush a dar marcha à ré, resignando-se a pedir a ajuda das Nações Unidas. Estas se perguntam se o Iraque poderia vir a ter um status que não fosse o de vassalo de Washington. Os Estados Unidos construíram em Bagdá sua maior missão diplomática do mundo, com 3 mil funcionários, o que significa de maneira bastante clara que a transferência de soberania, prevista para o próximo dia 30 de junho, será consideravelmente restrita.
Esse sentimento foi reforçado pela exigência norte-americana de manter no Iraque importantes bases militares e uma presença considerável de suas tropas. Essa vontade de avassalar Bagdá também pode ser identificada nas ordens dadas por Paul Bremer, o pró-cônsul de Washington, no sentido de que a economia local permaneça aberta e controlada por estrangeiros (leia, nesta edição, os artigos de Ibrahim Warde e Juan Cole). A perda de controle sobre a economia restringe de forma radical a soberania política, assim como as perspectivas de um desenvolvimento saudável. Essa é uma das lições mais claras da história. Jamais algum país colonizado conseguiu se desenvolver enquanto sua política e sua economia fossem dominadas pela potência invasora.
O fator eleitoral

O conceito de "guerra preventiva", tão caro a George W. Bush, revelou sua verdadeira natureza: trata-se de um simples eufemismo para poder atacar quem quer que seja

Em dezembro de 2003, uma pesquisa da organização PIPA/Knowledge Networks revelou que a própria população norte-americana apóia com reticências a decisão do governo Bush de manter uma grande presença militar no Iraque em caráter permanente. Essa preocupação popular decorre do fato de que as pessoas não acreditam que a causa seja justa.
A oferta eleitoral nos Estados Unidos é bem restrita e as pessoas sabem que, em geral, as eleições são compradas nos Estados Unidos. Às vezes, o candidato democrata, John Kerry, é descrito como um "Bush carente de calorias". No entanto, as duas facções do que se convencionou chamar o "Partido dos Patrões" têm propostas políticas distintas. Os pequenos detalhes que, à saída, separam os dois candidatos, podem vir a se transformar, à chegada, em impactos gigantescos e de natureza bastante contraditória, caso o eleito seja Bush ou Kerry. Isso pode ocorrer no próximo mês de novembro, como ocorreu em 2000, quando os candidatos eram Bush e Gore.
Bush formula sua doutrina da seguinte maneira: "Livrar o mundo do Mal e do terrorismo"."Declarar guerra ao terrorismo é também declarar guerra a qualquer Estado que dê abrigo a terroristas. Pois um Estado que abriga terroristas em seu território é, ele próprio, um Estado terrorista e como tal deve ser tratado", afirmou após o 11 de setembro de 2001. Em nome dessa doutrina, Bush desencadeou a guerra no Afeganistão, em 2001, e no Iraque, em 2002. E ameaça outros países, como a Síria. Às vezes, dá até para questionar se Bush é realmente coerente, pois existem inúmeros outros países que abrigam terroristas, que os protegem, e que não são bombardeados, nem invadidos. A começar... pelos próprios Estados Unidos!
É sabido que, desde 1959, os Estados Unidos deram apoio a ações terroristas contra Cuba. Houve a invasão da Baía dos Porcos, em 1961, rajadas de metralhadoras, a partir de aviões, contra civis, bombas colocadas em locais públicos, em Havana e outras cidades, o assassinato de funcionários do governo, a destruição, em pleno vôo, de um avião da empresa aérea cubana, em 1976, que provocou a morte de 80 pessoas, assim como foram organizadas dezenas de complôs para assassinar Fidel Castro. Um dos terroristas anticastristas mais famosos, acusado de ser quem planejou o atentado contra o avião comercial, em 1976, é Orlando Bosch. Em 1989, George Bush, o pai, cancelou uma decisão do Departamento de Justiça que recusava o pedido de asilo feito por Bosch. Este vive até hoje tranqüilamente nos Estados Unidos, onde prossegue com suas atividades anticastristas.
Os "combatentes da liberdade"

A perda de controle sobre a economia restringe de forma radical a soberania política, assim como as perspectivas de um desenvolvimento saudável do Iraque

A lista de terroristas refugiados nos Estados Unidos também contempla Emmanuel Constant, do Haiti, conhecido pelo apelido de "Toto" e ex-líder paramilitar da época dos Duvalier. "Toto" foi o fundador da Frente Revolucionária pelo Avanço e o Progresso do Haiti (FRAPH), uma milícia paramilitar que, obedecendo às ordens da Junta que depôs o presidente Aristide, aterrorizou a população entre 1990 e 1994. Segundo informações obtidas recentemente, "Toto" está morando no bairro de Queens, em Nova York. E Washington recusou o pedido de extradição formulado pelo Haiti. Por quê? Porque "Toto" poderia revelar os vínculos entre os Estados Unidos e a Junta, responsável por ter mandado assassinar - pelos homens da FRAHP - de 4 mil a 5 mil haitianos... É bom acrescentar que, entre os gângsteres que participaram, junto às tropas norte-americanas, do recente golpe de Estado contra o presidente Aristide, encontram-se vários ex-dirigentes da organização terrorista FRAHP...
Washington resiste a entregar gente que lhe prestou bons serviços, mesmo quando se trata de terroristas. Em fevereiro de 2003, por exemplo, a Venezuela pediu a extradição de dois oficiais que participaram do golpe de Estado de 11 de abril de 2002 e, em seguida, organizaram um atentado em Caracas antes de fugirem para Miami, onde encontraram abrigo.
Isto porque nem todos os terrorismos são da mesma natureza. E os que servem aos interesses dos Estados Unidos não poderiam ser qualificados pela expressão vilã de "terroristas". Eles são os novos "combatentes da liberdade", que é o termo empregado pelos meios de comunicação quando se referiam a Osama bin Laden - nos tempos em que ele praticava ações terroristas contra os soviéticos e a servi?