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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O início nazista da OTAN: Como o Ocidente implementou os objetivos de Hitler

[1] Office of Alien Property Custodian, Vesting Order No. 248. The order was signed by Leo T. Crowley, Alien Property Custodian, executed October 20, 1942; F.R. Doc. 42-11568; Filed, November 6, 1942, 11:31 A.M.; 7 Fed. Reg. 9097 (Nov. 7, 1942). See also the New York City Directory of Directors (available at the Library of Congress). The volumes for the 1930s and 1940s list Prescott Bush as a director of Union Banking Corporation for the years 1934 through 1943.
[2] Webster Tarpley and Anton Chaitkin, George Bush: The Unauthorized Biography.
[3] Charles Higham, Trading With The Enemy, A Dell Book, 1983, p.23.
[4] Ibid, p.177.
[5] Michael McClintock, Instruments of Statecraft, Pantheon Books, NY 1992, P.24.
[6] E. H. Cookridge, Gehlen, Spy of the Century, Random House, NY, 1972.
[7] Ibid, p.301.
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] Ibid.
[11] The Progressive, "Turn it Off" September 1993, p.10.
[12] Ibid, pp.10-11.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quem sao os criminais (II)?

 

Fonte: 1) http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6158026-EI8143,00-Bombardeio+da+Otan+no+Afeganistao+mata+oito+mulheres.html

2) http://www.nytimes.com/2012/09/17/world/asia/karzai-denounces-coalition-over-airstrikes.html?_r=1 

Bombardeio da Otan no Afeganistão mata oito mulheres

Aldeões afegãos olham para corpos de mulheres mortas nos ataques aéreos da Otan. Foto: Reuters
Aldeões afegãos olham para corpos de mulheres mortas nos ataques aéreos da Otan

Foto: Reuters

The body of a woman killed by coalition airstrikes in eastern Afghanistan on Sunday. 
Foto: Noorullah Shirzada/Agence France-Presse - Getty Images

Oito mulheres morreram e outras oito ficaram feridas no sábado à noite em um bombardeio da Otan à província de Laghman, no leste de Cabul, disseram neste domingo fontes afegãs.

Procurada pela AFP, a Força Internacional de Assistência para a Segurança (ISAF) disse através de um de seus porta-vozes que "havia acabado de saber" que causou a morte de entre "cinco a oito afegãos" durante um bombardeio que, por outro lado, acabou com um com um "grande número de insurgentes".
O incidente aconteceu antes do amanhecer na localidade de Dilaram, no remoto distrito de Alingar, quando as mulheres recolhiam lenha, disseram fontes afegãs. Sarhadi Zwak, um porta-voz provincial, denunciou a operação militar unilateral não coordenada pelas forças afegãs, que "matou a oito mulheres e feriu a outras oito". O governador de Laghman "nomeou uma delegação para investigar", disse.

Dezenas de homens dirigiram-se a Mihtarlam, a capital provincial, levando consigo os cadáveres de algumas das vítimas e protestaram em frente ao escritório do governador gritando: "Morte aos Estados Unidos! Morte aos judeus!" Segundo a Isaf, o bombardeio foi decidido após a identificação das intenções hostis de 45 insurgentes, muitos dos quais morreram.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quem sao os criminais?

Bombardeio da Otan mata ao menos cinco civis no Afeganistão

Entre os mortos estariam mulheres de uma vila na remota província de Laghman



Um bombardeio aéreo da Otan matou ao menos cinco mulheres civis no Afeganistão neste domingo e outros sete estão feridos. A organização pediu desculpas pelo ataque que estava destinado a atingir um grupo de insurgentes na região de Laghman, uma área remota e tomada pelos Talebans. Ontem, dois soldados americanos foram mortos em uma emboscada próxima à base onde está o príncipe Harry.
AP
Ao menos cinco mulheres afegãs foram mortas em bombardeio aéreo da Otan
Autoridades afegãs disseram que provavelmente o número de vítimas chegue a oito. O major Adam Wojack, um dos porta-vozes da Otan, disse que as cifras ainda não são confiáveis e prometeu uma investigação para apurar as causas do ataque.


"Infelizmente, estamos cientes de um possível ataque que causou a morte de vários civis. A Otan pede desculpas a todos os membros da comunidade da província de Laghman os envolvidos no caso", declarou Wojack.

Esse não foi o primeiro ataque que vitimou civis no Afeganistão, e o presidente Hamid Karzai já havia demonstrado a sua insatisfação com as forças de segurnaça que atuam na região.

Massacre
 
Em março, o presidente afegão Hamid Karzai condenou um massacre de 16 civis, na província de Kandahar, reduto talibã do sul do Afeganistão. Na ocasião, um soldado americano entrou em uma vila afegã e disparou contra civis de maneira indiscriminada. Segundo as autoridades, ele teve um colapso nervoso.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-09-16/bombardeio-da-otan-mata-ao-menos-cinco-civis-no-afeganistao.html

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Rio+20: Documento Final Prejudicado por Adversários dos Direitos Humanos

 Fonte: http://www.hrw.org/node/108326
Documento Final Deixa a Desejar em Questões como a Responsabilidade Empresarial e Direitos Reprodutivos

(Rio de Janeiro) – Os problemas econômicos globais vem acompanhados por uma recessão nos direitos humanos refletida nos poucos compromissos que resultaram da Conferência das Nações Unidas Rio + 20 sobre Desenvolvimento Sustentável, afirmaram hoje no encerramento da conferência a Anistia Internacional, a Human Rights Watch e o Centro de Direito Internacional de Direito do Meio-Ambiente (Center for International Environment Law, CIEL).

A Rio+20 teve como objetivo renovar os compromissos políticos para o desenvolvimento sustentável feitos na conferência original há 20 anos, através de uma avaliação do progresso e das falhas de execução e através da discussão de questões novas.

“Os países do G77, a Santa Sé e o Canadá,com o apoio ocasional dos Estados Unidos,formaram uma aliança vergonhosa em oposição a compromissos sobreos direitos Humanos,” disse Jan Egeland, vice-diretor executivo da Human Rights Watch. “Apesar da oposição, a linguagem relacionada aos direitos humanos continuano documento final– mas não é suficientemente abrangente.”

A Santa Sé liderou a oposição aos direitos reprodutivos com o apoio dos países do G77, uma organização de países em desenvolvimento. Os países participantes enfatizaram a necessidade de acesso universal à saúde reprodutiva, inclusive ao planejamento familiar, à saúde sexual e a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais no documento final da conferência. No entanto, linguagem explícita sobre diretios reprodutivos foi excluida do documento final.

O Canadá, o G77 e os Estados Unidos se uniram em oposição àresponsabilidade deempresas em respeitar os direitoshumanos. Durante as negociações, os governos também não abordaramfalhas na obrigação de garantir os direitos humanos quando são accionistas de instituições financeiras internacionais (IFIs).

No documento final, os governos reconheceram que o desenvolvimento sustentável requer o envolvimento significativo e participação ativa da sociedade civil e de grupos marginalizados, inclusive de pessoas com deficiência, entre outros. No entanto, os governos eliminaram qualquer referência aos direitos de liberdade de associação e de reunião, afirmaram a Anistia Internacional, a Human Rights Watch, e o CIEL. Além disso, o direito à liberdade de expressão, essencial para a participação e responsabilidade, nunca sequer foi incluido no rascunho do documento final.

Além disso, grupos da sociedade civil manifestaramconsternação com a falta de oportunidades para participarem efetivamenteno processo na conferência.

“O G77 desafiou os direitos à liberdade de reunião e de associação, enquanto os campeões do passado se recusavam a lutar por esses direitos", disse Egeland. "É incrível que, num momento histórico após a Primavera árabe, os governos não tenham encontrado suas vozes para apoiar os direitos de liberdade de expressão no contexto do desenvolvimento sustentável.”

Os líderes mundiais reafirmaram a importância do respeito aos direitos humanos para o desenvolvimento, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e outros instrumentos de direitos humanos e a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Os governos reconheceram a importância de alguns direitos econômicos e sociais no documento final, inclusive o direito à saúde eeducação. Pela primeira vez em uma reunião importante de cúpula das Nações Unidas, os países reafirmaram o direito à água potável e saneamento. Os governos se comprometeram a trabalharempara tornar o acesso a esses direitos uma realidade para todos.

“É lamentável que alguns governos tentem arbitrariamente excluir as questões de água transfronteiriças do âmbito de aplicação do direito à água,” disse Savio Carvalho, diretor do programa Demanda Dignidade da Amnistia Internacional. "O fracasso dessas tentativas é uma vitória para os direitos humanos.”

A Rio+20 também ficou aquém em materia de direitos humanos e proteção ambiental, afirmaram as organizações de direitos humanos. Embora os tribunais internacionais, regionais e nacionais e organismos de direitos humanos reconheçam cada vez mais danos ao meio ambiente como causa de violações dos direitos humanos e firmemente estabeleçam a responsabilidade do Estado com relação à proteção ambiental, o processo da Rio +20 ignorou o direito a um ambiente saudável.

“A proteção ambiental é essencial para o pleno gozo de todos os direitos humanos," disse o Dr. Marcos Orellana, diretor de direitos humanos e meio ambiente do CIEL. "Sem o reconhecimento explícito do direito a um ambiente saudável, o documento da Rio + 20 não aborda a crise global, ecológica e a pobreza em confronto com a humanidade e o planeta.”

A Declaração do Rio de 1992, constituída de 27 princípios destinados a orientar o desenvolvimento sustentável futuro, inclui a referência ao direito ao desenvolvimento, faz referência ao direito internacional e reconhece que as pessoas devem ter acesso a informações sobre o ambiente e a oportunidade de participar no processo de tomada de decisão.

“Embora tenha havido algum progresso no documento final, o simples fato de que temos de defender a inclusão dos direitos humanos é um absurdo,” disse Carvalho.

domingo, 29 de julho de 2012

Serra prometeu mudar regras do pré-sal para privilegiar petroleiras (AMERICANAS)



 

Fonte: http://abcd-maior.jusbrasil.com.br/politica/6378551/serra-prometeu-mudar-regras-do-pre-sal-para-privilegiar-petroleiras

Candidato garantiu a executiva da Chevron que sistema de partilha seria derrubado e empresas retomariam a posse exclusiva dos lucros

Matéria da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (13/12), a partir de conteúdo publicado pelo Wikileaks, mostra que o candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB), prometeu que tomaria medidas para satisfazer os interesses das petroleiras americanas em relação ao marco exploratório do pré-sal.

"Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", teria dito Serra a uma diretora da Chevron, segundo relata um dos telegramas obtidos pelo Wikileaks junto ao serviço diplomático norte-americano.
Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o governo da petroleira norte-americana, relatou a conversa ao consulado dos EUA no Rio de Janeiro.
A troca de telegramas cita ainda que há previsão de que o Brasil se tornará um grande "player" no mercado de petróleo, a partir das descobertas dos campos do pré-sal.
O jornal diz também que um dos responsáveis pelo programa de governo do candidato tucano, o economista Geraldo Biasoto, confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo anterior.
A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara vinha sendo discutida desde 2009. Até a aprovação, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão, em que a empresa vencedora da licitação era considerada proprietária do petróleo extraído e pagava royalties ao Brasil.
Mas com a descoberta dos campos na camada do pré-sal, o governo alterou o modelo para o de partilha, o que obriga o vencedor a dividir o óleo com a União. Além disso, a Petrobras será a única a operar o pré-sal e, em caso de formação de consórcios com outras empresas, sua participação mínima será de 30%.

CHEVRON deve pagar indenizaçao bilionaria no Equador por danos ambientais


A multa à petroleira Chevron, acusada de danos ambientais no Equador, aumentou para US$ 19 bilhões após um tribunal da província de Sucumbíos ajustar a sentença em segunda instância.
“Devido a um erro de cálculo, a indenização é de US$ 19.021.552.000″, disse uma fonte do tribunal na quinta à agência France Presse.
Na província, que fica no nordeste do Equador e faz divisa com Peru e Colômbia, cerca de 30 mil pessoas se consideram prejudicadas pelas atividades da Texaco entre 1964 e 1990.

Crianças equatorianas protestam contra a Chevron
Crianças equatorianas protestam contra a Chevron
Moradores da região entraram com uma ação contra a Chevron, para cobrar indenização, porque a companhia adquiriu a Texaco em 2001 e não tem mais atividades no país. A companhia se nega a reconhecer a condenação.
Em janeiro deste ano, a justiça equatoriana ratificou em segunda instância a condenação de US$ 9,5 bilhões contra a Chevron. Um mês depois, a quantia quase duplicou porque a empresa se negou a pedir desculpas públicas, como determinava a sentença.
Ao conhecer o novo valor da multa, os requerentes anunciaram que vão entrar com ações em outros países para garantir o pagamento do montante.
O advogado Sergio Bermudes, que representa os equatorianos, diz que houve descaso com a população e que as sequelas e a duração das consequências lembram Hiroshima e Nagasaki [alvos de bombas atômicas na 2ª Guerra Mundial].

ÁGUA TÓXICA
Segundo a acusação, a Texaco teria derramado 60 bilhões de litros de água tóxica em rios e lagos durante duas décadas, comprometendo fauna, flora e a saúde dos moradores do local.
Como não está mais no Equador, os autores do processo tentam executá-la em outros países. Em maio, eles moveram ação no Canadá. Em junho, recorreram à Justiça brasileira.

BRIGA NO BRASIL
A Folha antecipou, em junho, que a briga judicial entre a petrolífera americana e o país sulamericano havia chegado ao Brasil. Um grupo de 47 equatorianos contratou advogados para executar bens da empresa no país.
A causa, apresentada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) no dia 28, cobrava US$ 18,2 bilhões da Chevron.

OUTRO LADO
A empresa não reconhece a sentença. Segundo James Craig, porta-voz da petrolífera, “o julgamento é ilegítimo, um produto de fraude e suborno que não deveria ser reconhecido por nenhuma outra corte do mundo”. A Chevron recorreu à Corte Nacional de Justiça do Equador.
Ela acionou também um tribunal de arbitragem na Corte de Haia, alegando que a Texaco deixou de atuar no país na década de 1990 e que o governo equatoriano seria o responsável pela situação ambiental na região.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

TORTURA ARGENTINA ANOS 80 - O VATICANO SABIA


A política dos "desaparecidos" que o ditador Jorge Videla terminou por admitir com várias declarações e no tribunal, era conhecida desde 10 de abril de 1978 pela Comissão Executiva da Igreja Católica que, porém, absteve-se de informar o público. Tudo isto vem de um documento encontrado no arquivo da Conferência Episcopal.

O documento tem o número 10.949 e o número já dá uma idéia da quantidade de informação que a Igreja continua a manter em segredo. O documento foi escrito pelo Vaticano ao final de um almoço com o dirado Videla e é armazenado no arquivo de 24-II. Consegui visualizar o documento sorrateiramente depois de um pedido formal, as autoridades eclesiásticas tinham respondido com a afirmação surpreendente segundo a qual o episcopado não teria arquivos. 

Quando ele se reunia com representantes da Igreja Católica, o ditador Videla falava com a franqueza em uso entre amigos. O então presidente do episcopado, o Cardeal Raul Francisco Primatesta, informou a Assembleia plenaria que ele e seus dois vice-presidentes, o arcebispo Vicente Zazpe e o cardeal Juan Aramburu, haviam falado a Videla sobre os casos de presos, aparentemente colocados em liberdade, mas na verdade assassinados, se eram interessados dos sacerdotes ​​desaparecidos, como Pablo Gazzarri, Carlos Bustos e Mauricio Silva, e de outras pessoas desaparecidas nos dias que antecedem a reunião com Videla. De acordo com o documento episcopal "o presidente respondeu que aparentemente seria óbvio afirmar que eles já estão mortos; se trataria de cruzar uma linha divisória: estes sumiram, se foram. Este seria o mais claro, no entanto, nos leva a uma série de consideraçoes em relação ao local onde eles foram enterrados: em uma vala comum? E em tal caso quem os teria sepultado nesta cova? Uma série de perguntas as quais as autoridades governamentais não podem responder sinceramente, porque envolve várias pessoas”, um eufemismo para aludir àqueles que tinham feito o trabalho sujo de sequestrar-los, torturá-los, matá-los e fazer desaparecer os corpos. O comportamento do clero tinha nuances sutis. Zazpe perguntou: "O que respondemos às pessoas visto que existe uma base de verdade no que eles suspeitam?". E Videla “admitiu que era verdade." Aramburu explicou que "o problema é responder em modo que as pessoas não continuem a pedir explicações."

Primatesta explicou que "a Igreja quer entender, colaborar, é ciente de que o país estava em um estado de caos" e que ele mediu as palavras, porque ele sabia muito bem "o dano que poderia causar ao governo". Primatesta, também, insistiu sobre a necessidade de chegar a uma qualquer solução, enquanto previa que no fim o método consistente em fazer desaparecer as pessoas produziria "efeitos negativos", considerado "a amargura que atingia muitas famílias". Este diálogo de extraordinária franqueza mostra que seja Videla seja a Igreja conheciam muito bem os fatos e sotolinha a cumplicidade com a qual avaliavam e decidiam em que modo responder às denuncias das pessoas, consideradas por ambas as partes como uma ameaça comum.

Ao escolher esta política de assassinatos ilegais, que Videla, agora define "comoda", porque evitava de fornecer explicaçoes, a junta militar jogou uma sombra de suspeito sobre todos os quadros das forças armadas e das forças de segurança, sombra que começou a se dissipar com o reabertura dos processos que permitiram determinar as responsabilidades individuais que a junta tinha encoberto. Até hoje, houveram 253 condenações e 20 de absolvições, o que prova que em uma democracia ninguém é condenado preconceituosamente e sem poder exercer o seu direito de defesa. Até o momento apenas um militar capelão Christian Von Wernich, foi condenado por cumplicidade em casos de tortura e assassinato.

Zazpe morreu em 1984, Aramburu em 2004 e Primatesta em 2006. Em 2011 renuncoiu por limite de idade Jorge Casaretto, o último bispo da época ainda em atividade. No entanto, a Igreja continua a manter um silêncio obstinado que às vezes enfatiza sua crescente irrelevância no panorama da sociedade argentina. A pouca influência da Igreja se é vista claramente no ano passado quando, apesar de sua mobilização, o Congresso alterou o Código Civil para permitir o casamento a todas as pessoas independentemente do sexo dos contratantes.

terça-feira, 5 de junho de 2012

QUEM NOS DEFENDE DAS ATROCIDADES

FONTE: http://www.voltairenet.org/Les-atrocites-de-qui)

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial e do Tribunal de Nuremberga, a justiça internacional e a denúncia de crimes contra a humanidade sao submetidos a regra de dois pesos, duas medidas. A razão do mais forte é sempre a melhor, os Estados Unidos e seus aliados acumulam crimes impunemente, enquanto se apresentam como os garantes dos direitos humanos. Os tribunais internacionais, organizações internacionais e meios de comunicação, longe de denunciar esta situação, garantem essa hipocrisia humanitária . Assim, para Manillo Dunicci, o Conselho de Prevenção das atrocidades que Obama acabou de criar é uma ferramenta adicional para colocar a ajuda humanitária ao serviço da guerra.


Quem duvidava de que Barack Obama não merecia o Nobel da Paz agora terá de reconsiderar a sua opinião. O presidente anunciou a criação de um Conselho de Prevenção de Atrocidades (Atrocities Prevention Board), uma comissão especial da Casa Branca para a "prevenção de atrocidades." É presidido por sua inspiradora, Samantha Power, assistente especial do Presidente e diretora para os Direitos Humanos no National Security Council, formado pelos conselheiros mais importantes em política externa.

Em sua ascensão ao poder (o que parece estar predestinada peloseu nome), Samantha, aspirante secretária de Estado, sempre recorreu a denúncia de alegadas atrocidades atribuídas àqueles que, de tanto em tanto , são bolados pelos Estados Unidos como inimigo número um. Sob a asa de seu chefe, o poderoso financista George Soros, Power ajudou a elaborar a doutrina da "Responsabilidade de Proteger", que atribui aos Estados Unidos e seus aliados o direito de intervir militarmente nos casos em que, segundo seu inapelável aviso, as "atrocidades em massa" estão prestes a ser cometidas. É através deste tipo de motivação oficial, em particular aquela de proteger a população de Benghazi ameaçada de extermínio pelas forças do governo, que o presidente Obama decidiu no ano passado fazer a guerra contra a Líbia.

A doutrina é agora institucionalizada com a criação do Atrocities Prevention Board. Através da Comunidade de Inteligência (formado pela CIA e outros 16 órgãos federais), ele estabelece quais são os casos de "potenciaisatrocidades de massa e genocídio ", alertando o presidente. Ele prefigura entao as ferramentas políticas, econômicas e militares para a "prevenção". Dentro deste quadro, o Departamento de Defesa está actualmente a desenvolver alguns "ulteriores princípios operacionais, específicos para prevenção e para a resposta às atrocidades." A partir de agora será o Conselho de Prevenção das Atrocidades (Atrocities Prevention Board) a preparar o caminho a novas guerras.

E é já ao trabalho: frente a "violência inominável a qual é sujeito o o povo sírio, devemos fazer tudo o que pudermos", disse Obama, ressaltando que, hoje como no passado, "a prevenção de atrocidades de massa constitui uma responsabilidade moral fundamental para os Estados Unidos da América."

Pena que o Conselho de Prevenção de Atrocidades foi criado somente agora. Caso contrário, ele poderia ter prevenido as atrocidades de massa das quais a história americana está cheia, começando com o genocídio dos povos indígenas da América do Norte. Basta lembrar, limitando-nos aos últimos cinqüenta anos, as guerras contra o Vietnã, Camboja, Líbano, Somália, Iraque, Iugoslávia, Afeganistão, Líbia; golpes de Estado orquestrados pelos Estados Unidos na Indonésia, Chile, Argentina, El Salvador [e Brasil*]. Milhões de pessoas presas, torturadas e mortas. Para prevenir outras atrocidades, o Atrocities Prevention Board deveria trazer à justiça os responsáveis, impunes, das torturas e assassinatos de Abu Ghraib, Guantánamo e em dezenas de prisões secretas da CIA . Também deveria anexar os atos os vídeos com os quais os soldados americanos documentam , para se divertir, a morte de civis no Afeganistão [1], que o Pentágono primeiro tentou encobrir e, em seguida, minimizar. Que Samantha Power olhe bem, estesvídeos, para realmente compreender o que é uma "atrocidades de massa."


* como relata os documentos abaixo (a época secretos) presentes no site da George Washington University:
http://www.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB118/bz02.pdf

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A VERDADE NOS TORNA LIVRES, DIRIA UM CRISTIANO HONESTO...

Vaticano diz que escândalo de corrupção abala confiança na Igreja

DA REUTERS, EM ROMA

O Vaticano negou na segunda-feira, em meio à maior crise no pontificado de Bento 16, notícias de que cardeais seriam suspeitos em uma investigação sobre o vazamento de documentos, num caso que já levou à prisão do mordomo do papa.
De acordo com a imprensa italiana, o mordomo Paolo Gabriele era apenas um "leva-e-traz" numa disputa de poderes na Santa Sé. O escândalo estourou na semana passada, quando o chefe do banco do Vaticano foi repentinamente demitido, o mordomo foi detido por acusações de furto de documentos, e foi publicado um livro apontando conspirações entre os cardeais.
Os documentos vazados para os jornalistas denunciam corrupção no vasto relacionamento financeiro entre a Igreja e empresas italianas.
Embora negando a veracidade dos relatos, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse numa entrevista coletiva que "isso é naturalmente algo que pode afetar a Igreja, e testar a confiança nela e na Santa Sé".
Lombardi negou que "qualquer cardeal, italiano ou não, seja suspeito". Ele acrescentou que o papa está sendo informado do assunto, e que "continua no seu caminho de serenidade, na sua posição de fé e moral que está acima da refrega".
Carlo Fusco, advogado do mordomo, disse que ele está "muito sereno e tranquilo", e que pretende colaborar com as investigações.

BODE EXPIATÓRIO
Uma fonte anônima e responsável pelo vazamento de alguns documentos disse ao jornal italiano "La Reppublica" que o mordomo está sendo usado como bode expiatório, porque a Igreja não ousa implicar os cardeais responsáveis pelos vazamentos.
"Há vazadores entre os cardeais, mas o Secretariado de Estado não podia dizer isso, então prenderam o servidor, Paolo, que estava só entregando as cartas em nome de outros".
Ao "La Stampa", o responsável por um dos vazamentos afirmou que o objetivo das denúncias é ajudar o papa a erradicar a corrupção.
O Secretariado de Estado, órgão administrativo do Vaticano, é comandado pelo cardeal Tarcisio Bertone, poderoso braço-direito do papa, e o escândalo parece envolver uma disputa de poder entre seus aliados e inimigos, evocando as conspirações renascentistas na Santa Sé.

FONTE:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1096930-vaticano-diz-que-escandalo-de-corrupcao-abala-confianca-na-igreja.shtml

IGREJA CATOLICA E VATICANO PARECEM MAIS SUJOS QUE "PAU DE GALINHEIRO"

FONTE:
http://oglobo.globo.com/mundo/novo-escandalo-de-corrupcao-abala-vaticano-3770624

Um escândalo de corrupção explodiu no coração da Igreja Católica depois que uma TV italiana revelou, na noite de quarta-feira, cartas em que o ex-secretário-geral do Vaticano Carlo Maria Vigano denuncia superfaturamento e outras irregularidades na Santa Sé. No ano passado, Vigano acabou transferido para Washington, onde atua como núncio apostólico, apesar de pedir para permanecer no cargo no Vaticano, no qual sua permanência estava prevista até 2014.
Nas cartas enviadas em 2011 a superiores — incluindo o próprio Papa Bento XVI — Vigano diz ter encontrado "uma rede de corrupção, nepotismo e favorecimento" nos contratos para a conservação da Cidade do Vaticano. O ex-secretário-geral diz que os funcionários da equipe do Vaticano eram desmoralizados pelo fato de "os serviços serem sempre entregues às mesmas companhias a pelo menos o dobro do preço cobrado fora do Vaticano. O superfaturamento teria atingido até o presépio natalino da Praça de São Pedro. Vigano reduziu seu custo de instalação e manutenção de 550 mil em 2009 para 350 mil em 2010.
O então secretário-geral também aponta irregularidades na gestão do dinheiro da Igreja. Numa carta de abril do ano passado, ele diz que a administração de alguns investimentos do Vaticano foi entregue a fundos "que cuidam mais dos seus próprios interesses do que dos nossos" e "nos fizeram perder US$ 2,5 milhões numa única transação".
As cartas foram escritas após Vigano ter sido informado de sua transferência. Ele se queixa ao Papa e diz que, mesmo que tecnicamente tenha sido promovido, a mudança "seria uma derrota difícil de aceitar" e "provocaria muita desorientação e desencorajaria aqueles que acreditaram que era possível extirpar muitas das situações de corrupção e abuso de poder que estão enraizadas na administração de vários departamentos". Ele disse ser vítima de uma campanha de desprestígio por funcionários descontentes com suas medidas anticorrupção. Apesar dos apelos, Vigano foi enviado aos EUA.
O Vaticano reagiu à reportagem da rede de TV La 7 com críticas, embora tenha admitido a autenticidade das cartas ao expressar "tristeza com a publicação de documentos reservados". A Santa Sé disse que a TV "trata assuntos complicados de maneira parcial e banal" e afirma estar pronta a ir à Justiça "defender a honra de pessoas honestas". Sobre a transferência, o Vaticano diz que isso é prova "da indubitável confiança" depositada em Vigano pelo Papa.

Vaticano e Igreja Catolica: Nao terminam nunca os escandalos...

Fonte:
http://www.portugues.rfi.fr/geral/20120528-escandalo-no-vaticano-expoe-intrigas-entre-cardeais-0

O mordomo do Papa Bento 16, Paolo Gabriele, continua detido em uma prisão do Vaticano acusado de ter furtado documentos sigilosos da Santa Sé e vazado para a imprensa. Gabriele foi detido na última quarta-feira e a polícia do Vaticano investiga se ele contou com a ajuda de cúmplices. Neste programa, analisamos esse escândalo que abala a imagem da Igreja e expõe as intrigas entre cardeais próximos ao Papa.
Para nossa correspondente em Roma, Gina Marques, este escândalo demonstra que existe uma grande batalha dentro do Vaticano. Muitos atribuem a responsabilidade deste mal estar ao Secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal italiano Tarcisio Bertone, visto como um homem que manipula o poder e impede a transparência. A Secretaria de Estado é como o governo do Vaticano.
Diversos documentos vazaram e foram publicados no livro “ Sua Santidade. As cartas secretas de Bento XVI”, escrito pelo jornalista Gianluigi Nuzzi. São 352 páginas com diversos documentos que descrevem escândalos, mentiras, tentativas de interferência nas leis italianas, enfim, um Estado que tenta interferir em outro, além de conflitos internos, principalmente no Instituto de Obras Religiosas, conhecido como IOR, que é o Banco do Vaticano.
Arquivo audio

http://telechargement.rfi.fr.edgesuite.net/rfi/bresilien/audio/modules/actu/201205/LINHA_28-05.mp3

terça-feira, 15 de maio de 2012

Petiçao Desmatamento Zero

A fauna e a flora brasileiras estão em risco, e com elas o futuro do Brasil. Mas você pode ajudar a salvá-los. O Greenpeace lança, com outras organizações, um projeto de lei popular pelo desmatamento zero de nossas matas.




sábado, 12 de maio de 2012

Brasil, ditadura e Condor: Entrevista com Horacio Verbitsky

Fonte: http://old.kaosenlared.net/noticia/brasil-entrevista-com-horacio-verbitsky
“O caso do Brasil é o caso mais extremo no Cone Sul, um caso de segredo e de obscuridade.O Brasil ainda mantém em segredo os arquivos da Guerra do Paraguai,um fato que ocorreu há um século e meio.”
 
Horacio Verbitsky é uma comissão de verdade em si mesmo. A dívida da sociedade argentina com esse jornalista investigativo que revelou os rincões mais obscuros da repressão da última ditadura militar é enorme. Diretor do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), autor de cerca de 20 livros e de investigações jornalísticas de muito peso, Verbitsky é um dos mais finos conhecedores dos sistemas repressivos na América Latina. Suas obras e seu trabalho a frente do CELS lhe valeram numerosos reconhecimentos internacionais, entre eles o prêmio da Fundação Konrad Adenauer e o da Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos da França.
Por meio do CELS, cuja vocação é a promoção e proteção dos direitos humanos e o fortalecimento do sistema democrático na Argentina, Verbitsky promoveu numerosas causas contra os repressores argentinos. Ele é autor de uma das revelações mais horripilantes da recente história argentina. No livro “El vuelo” (“O Voo”), Horacio Verbitsky traz o testemunho de Adolfo Scilingo, um militar que contou em detalhes a metodologia de extermínio empregada pelos militares para eliminar os opositores na última ditadura militar. “El Vuelo” narra todo o pavoroso processo dos seqüestros, as torturas, o envolvimento da Igreja Católica e a participação dos médicos naquilo que seria a solução final: lançar no mar as pessoas seqüestradas.

Em entrevista à Carta Maior, Verbitsky analisa o peso dos arquivos na busca da verdade e da justiça, detalha o funcionamento dessa multinacional do crime que foi a Operação Condor e destaca as particularidades que fazem do Brasil um país que ainda guarda em documentos secretos a implicação de suas forças armadas nos anos de chumbo.


ENTREVISTA

Qual foi a importância dos arquivos da Operação Condor para que avançassem os julgamentos dos repressores? E, de um modo mais amplo, em que medida a desclassificação dos arquivos norte-americanos serviu para entender melhor o funcionamento desse dispositivo repressor?

Horacio Verbitsky - A Operação Condor foi organizada por chilenos, argentinos, brasileiros, uruguaios, paraguaios e peruanos. Os arquivos norte-americanos serviram para confirmar que os estadunidenses sabiam da existência da Operação Condor e constatar a forma pela qual Washington interviu nessa operação.

Por exemplo, os documentos dão conta de uma reunião no Chile, em junho de 1976, entre o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, e o vice-almirante argentino César Guzzetti. Eles voltaram a se encontrar em Nova York, em novembro-dezembro do mesmo ano. Nas duas vezes, Guzzetti contou a Kissinger o que estavam fazendo com a repressão e Kissinger respondeu dizendo: “façam, mas terminem rápido”.

Nós usamos muitos desses documentos nos julgamentos. Eles foram muito úteis como peças para completar quebra-cabeças. Esses documentos não eram provas em si mesmo, mas se encaixavam com outras coisas que estavam sendo investigadas. A divulgação dos arquivos é essencial para facilitar que seja feita a justiça. Mas não é tudo. Na Argentina, a justiça avançou muito – diria que mais que em qualquer outro lugar do mundo -, mas avançou apesar de não haver arquivos.

A Argentina é a prova de que o arquivo é útil, mas não imprescindível. O que ocorre é que, sem o arquivo, depende-se da reconstrução oral, do testemunho do sobrevivente, e isso faz com que muita gente escape porque não há quem testemunhe contra eles, porque mataram as vítimas.

Os arquivos também servem para afinar um pouco a direção da busca. A falta de arquivo pode levar a que se queira julgar todo mundo, ou seja, como houve um genocídio, quem estava ali era responsável. Nós, no CELS, defendemos que têm que existir provas concretas da participação de uma pessoa
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No caso do Brasil, neste momento há um forte debate sobre a abertura ou não dos arquivos da ditadura.

Horacio Verbitsky - O caso do Brasil é o caso mais extremo no Cone Sul, um caso extremo de segredo e de obscuridade. O Brasil ainda mantém em segredo os arquivos da Guerra do Paraguai, um fato que ocorreu há um século e meio. No que diz respeito à ditadura, e comparando com o que aconteceu na Argentina, há vários fatores que explicam isso. Por um lado, comparativamente com a Argentina, no Brasil a quantidade de vítimas é ínfima. O Brasil tem uma população várias vezes superiores a da Argentina e teve menos de 150 pessoas desaparecidas. O que houve sim foram milhares de torturados. Isso foi muito bem investigado pelo Arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns. Ele conseguiu ver arquivos e atas ainda que não estivessem abertos oficialmente.

Em segundo lugar, isso também se explica porque, no contexto do princípio desenvolvimentista, no Brasil houve um governo em sucedido. Em troca, na Argentina, foi um fracasso. A outra diferença entre os dois países radica igualmente no fato de que, enquanto o Brasil teve relações amistosas com as potências, a Argentina viveu uma guerra com a Grã-Bretanha (as Malvinas) e os Estados Unidos. Com isso, a possibilidade de que os militares brasileiros mantenham os arquivos fechados tem sido e é muito forte. Uma ditadura como a argentina que massacrou um percentual muito alto de pessoas e que, além disso, fracassou economicamente e perdeu uma guerra contra a Grã-Bretanha, não está em condições de manter segredos de Estado.
Mas não faltou vontade política por parte dos sucessivos governos, começando pelo de Lula?

Horacio Verbitsky - O governo de Lula não teve muito entusiasmo para mexer nesse tema. Vários fatores explicam isso: a experiência pessoal sindical de Lula, que não tem muito a ver com a de Dilma. Pode ser que isso tenha influído. Mas, de modo mais geral, no Brasil não há um grande interesse por esses temas. A sociedade não se interessa muito, é um tema que não provoca entusiasmo.

Eu tenho uma experiência muito concreta. Meu livro “El Vuelo”, que traz as confissões de Adolfo Scilingo sobre como se jogavam no mar os presos na ESMA (Escola Mecânica da Armada), foi traduzido para muitos idiomas, mas a edição que menos repercussão teve foi a brasileira. O livro teve mais repercussão na Itália, na Inglaterra, na França ou nos EUA do que no Brasil.

Há, então, no Brasil, uma espécie de bloqueio político.

Horacio Verbitsky - Sim, sim, muito claro.
A Operação Condor foi uma autêntica coordenação entre as ditaduras do Cone Sul. Seguirá sendo um fato pouco comum na história latino-americana?

Horacio Verbitsky - Foi uma coordenação das ditaduras da Argentina, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai e Peru. Essas ditaduras compartilhavam informação de inteligência e também operativos de inteligência. Há argentinos detidos no Chile, no Uruguai, no Peru e no Brasil que foram entregues às forças armadas argentinas para serem assassinados. E na Argentina, também operaram forças dos outros países. Houve um campo de concentração em Buenos Aires que se chamava Automotores Orletti, o­nde o grosso dos detidos era de uruguaios. Os repressores de Montevidéu vinham participar dos interrogatórios junto aos argentinos. Dali eram transportados a Montevidéu e decidiam quem vivia, quem morria e quem roubava as crianças. Foi uma colaboração muito estreita entre os governos.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O CARATER MAFIOSO DO BRASIL

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-05-02/a-primeira-confissao-do-atentado-ao-riocentro.html


A primeira confissão do atentado ao Riocentro



Ex-delegado do DOPS conta ter participado atentado, dá nomes dos chefes militares da operação e conta o que deu errado


“Participei do atentado ao Riocentro (durante as comemorações do Dia do Trabalhador, em 1981) e fiz parte das várias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior tragédia, o grande golpe contra o projeto de abertura democrática”, revela o ex-delegado Cláudio Guerra, do DOPS (Departamento de Operações Políticas e Socias), no livro “Memórias de uma guerra suja”.


O depoimento aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto, que acaba de ser publicado pela editora Topbooks, é a primeira confissão de participação no atentado feita por um integrante das forças de resistência á redemocratização do país no final da década de 70.



(No Riocentro, bomba explodiu antes da hora do atentado previsto e matou agente de informações do Exército)






Cláudio Guerra conta que a bomba explodiu por engano no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário por um erro do capitão Wilson Luís Chaves Machado, que dirigia o Puma onde os dois estavam:


“Aquela bomba era uma das três que deveriam explodir no show. O capitão Wilson estacionou o veículo embaixo de um fio de alta tensão e a carga elétrica desse fio, a energia que passava em cima do Puma, fechou o circuito da bomba, provocando a explosão. O erro foi do capitão. (...) Eu era especialista em explosivos.”


O coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi).


Quanto à sua equipe, a missão seria prender esquerdistas que seriam responsabilizados pelo atentado: “Fui para lá com uma lista de nomes.”


Mas deu tudo errado. Com a explosão da bomba no Puma, os militares policiais civis e os policiais civis que levavam outras duas bombas abortaram a operação.


“O destino daquela bomba era o palco. Tratava-se de um artefato de grande poder destruidor. O efeito da carga explosiva no ambiente festivo, onde deveriam se apresentar uns oitenta artistas famosos, seria devastador. A expansão da explosão e a onda de pânico dentro do Riocentro gerariam consequências desastrosas. Era evidente que muitas pessoas morreriam pisoteadas.”


Segundo conta Cláudio Guerra, a coordenação feita pelo pessoal de inteligência havia mandado suspender todos os serviços de apoio do Riocentro, incluindo o policiamento e a assistência médica, para que não houvesse socorro imediato às vítimas. Até as portas de saída foram trancadas e placas de trânsito com siglas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) haviam sido pichadas para dar a entender que se tratava de uma ação da esquerda.