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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
America, Pinochet e o atentado terroristico a Letelier e Moffitt
Fonte: Transnational Institute | TNI and the Pinochet precedent
TNI e o precedente Pinochet
Em 21 de setembro de 1976, Transnational Institute descobriu o custo brutal de lutar por justiça econômica e social, quando agentes do serviço secreto chileno detonaram um carro-bomba em Washington D.C. matando o diretor do TNI, Orlando Letelier, juntamente com Ronni Moffitt, um arrecadador de fundos para o Instituto de Estudos Políticos (Institute for Policy Studies). Tem durado mais de 30 anos a luta para levar alguns dos responsáveis à justiça.
Morrendo, o ditador chileno Augusto Pinochet, um dos principais responsáveis, escapou da prisão, mas a luta incansável para leva-lo à justiça estabeleceu precedentes que continuam a ter relevância para inúmeras lutas contra a impunidade ao redor do mundo.
> O arquivo completo sobre o caso Pinochet pode ser encontrado aqui (em inglês)
> A cada ano, o prêmio Letelier-Moffitt de Direitos Humanos é entregue para honrar aos defensores de direitos humanos nos Estados Unidos e América Latina (em inglês)
"Tem de haver um lugar para se lembrar.
Tem de haver ocasiões nas quais eu possa te dizer, como te digo esta noite:
Era uma vez um país onde três casais dançavam tango.
Era uma vez um homem chamado Orlando Letelier que viveu entre nós.
Era uma vez muitas pessoas que decidiram não deixa-lo morrer."
Ariel Dorfman, outubro de 1993
Um assassinato em plena luz do dia nos Estados Unidos
TNI fellow e amigo próximo de Orlando Letelier, Saul Landau, escreveu este descriçao do assassinato de Letelier em 21 de Setembro de 1976:
"Às 8:45 da manhã de terça-feira, uma mulher latina andando na frente da residência de Letelier notou um carro sedan cinza último modelo estacionado perto da entrada da casa. Três ocupantes sentados dentro e um homem estava apoiado no carro. Ela o identificou como certamente um latino, cerca de 30 anos, vestindo um terno cinza e gravata. Os quatro pareciam estar rindo de uma piada, disse ela.
Às 8:55 o casal Moffitt chegou no carro de Letelier e o colocaram na entrada da garagem de Letelier. Envolvido em uma conversa, eles não notaram quailquer outro veículo nas proximidades. Eles também não sabiam que um dos homens no carro sedan cinza, Michael Townley, tinha colocado uma bomba embaixo do carro de Letelier dois dias antes.
Às 9:15, Letelier, Ronni e Michael Moffitt sairam de casa e começou a dirigir-se de Bethesda para o Distrito de Columbia. Letelier seguiu o caminho de sempre, River Road, rua 46th, Massachusetts Avenue. Eles falavam sobre a agenda do dia e do mal tempo. Ninguém prestou atenção a um sedan cinza que os seguia a uma distância segura.
Quando Letelier entrou no cruzamento de Sheridan Circle, uma mão no carro cinza pressionou um botão. Michael Moffitt ouviu o som de água sobre um cabo quente e depois viu um clarão branco. Ileso apesar da explosão, Moffitt tentou libertar Letelier, inconsciente, dos destroços do carro que estavam em cima dele. Suas pernas tinham sido arrancadas de seu corpo e catapultadas a cerca de 5 metros de distância. Ronni Moffitt tropeçando, começou a afastar-se da Chevrolet fumegante; ela parecia estar bem, mas na verdade havia sofrido o corte de uma artéria e logo sangrou até a morte. Michael gritou para o mundo: foram os fascistas chilenos que fizeram isso."
Descobrindo os responsáveis
Em meio a dor devastadora, investigações do FBI e do IPS logo apontaram para o papel da ditadura chilena no assassinato. Orlando Letelier era um ex-ministro de Relações Exteriores, sob o governo de Salvador Allende, que foi brutalmente derrubado por um golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet em 11 de setembro de 1973 [levando Allende a cometer suicídio]. Letelier foi preso, torturado e detido antes de ser liberado como resultado da pressão diplomática. Exilado na Venezuela, Letelier logo se mudou para Washington D.C., começou a trabalhar no IPS, e começou a construir uma campanha internacional para isolar o regime de Pinochet.
Segundo fontes chilenas, a conspiração para assassinar Letelier começou durante um debate na junta do Chile em junho de 1976. Eles estavam cada vez mais temerosos sobre as intenções públicas de Letelier voltadas a isolar e denegrir a junta. Eles acreditavam que Letelier tinha sido instrumental no bloqueio de um investimento holandês de 63 milhões de dólares americanos. Letelier testemunhou diante das Nações Unidas e outros organismos mundiais sobre a tortura no Chile e tinha informado membros do Congresso e funcionários do Departamento de Estado. Ele era muito respeitado pelos bancos internacionais e agências de crédito (Letelier era um economista e ex-funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento).
Se acredita que o desafio de Letelier e suas contínuas críticas ao regime podem ter desequilibrado a balança fazendo com que Pinochet autorizasse seu assassinato. Vindo a saber da decisão do regime de retirar a sua cidadania, Letelier fez um discurso desafiador no Madison Square Garden: "Eu nasci chileno, eu sou um chileno e eu vou morrer um chileno... Eles, os fascistas, nasceram traidores, vivem como traidores, e serão lembrados para sempre como traidores fascistas" Em 28 de agosto de 1976, Letelier tinha também publicado um influente artigo no The Nation, "The Chicago Boys in Chile: Economic Freedom's Awful Toll" [Os garotos de Chicago no Chile: Pedágio terrível da liberdade econômica], no qual relacionava a campanha de terrorismo de Estado com o modelo econômico proposto por Milton Friedman.
Investigações do FBI revelaram que Michael Townley, um agente do Serviço Secreto Chileno (DINA) desembarcou em Miami em 13 de setembro de 1976. Ele voou para Nova Iorque e se reuniu com Armando Fernandez Larios, outro agente da DINA, que lhe informou sobre os hábitos de Letelier, a descrição do seu carro, horários de partida diários, caminho para o trabalho, localização do estacionamento e provável horário de trabalho no Instituto de Estudos Políticos (ISP). Na semana seguinte, um grupo de exilados cubanos que já havia sido alertado sobre o iminente atentado, juntou-se à conspiração. Townley trabalhou nos detalhes do assassinato de Letelier com os cinco terroristas cubanos. Eles forneceram alguns dos ingredientes para a bomba e partiram para Washington, onde Townley preparou a bomba e o detonador.
Rede terrorista e hipocrisia estadunidense (EUA)
Letelier e Moffitt foram as vítimas mais famosas da Operação Condor, um programa secreto para assassinar adversários políticos, que foi realizado por uma rede de seis agências da polícia secreta sul-americanas - Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Brasil. Uma comissão do governo chileno depois constatou que o regime de Pinochet tinha assassinado pelo menos 3.200 pessoas no Chile, torturado dezenas de milhares de pessoas torturadas e forçou centenas de milhares de pessoas ao exílio.
Além disso, as investigações mostraram que o governo dos Estados Unidos não só fechou os olhos para esses abusos, mas também os perdoou através de seu ativo apoio político, diplomático e econômico à ditadura de Pinochet. Estes vieram à tona mais claramente no Relatório "Church" do Senado estadunidense de 1975 e em outros documentos oficiais que foram desclassificados durante a administração Clinton. Testemunhos da CIA mostraram que o governo dos EUA "em 1970 procurou fomentar um golpe militar no Chile; depois de 1970, adotou uma política - seja aberta que oculta - de oposição a Allende, e manteve contatos de inteligência com os militares chilenos, inclusive com oficiais que estavam participando no planejamento do golpe de estado."
Uma vez que Pinochet tomou o poder, os Estados Unidos deram total apoio ao seu regime. Em uma reunião com Pinochet em 8 de junho de 1976, o Secretário de Estado estadunidense - Henry Kissinger - disse a Pinochet que ele iria ignorar o uso da tortura, os desaparecimentos e as violações de direitos humanos por parte da ditadura chilena, dizendo à Pinochet, "Nos Estados Unidos, como você sabe, nós simpatizamos com o que você está tentando fazer aqui". "Kissinger adicionou: "Eu acho que o governo anterior estava se dirigido verso o comunismo. Desejamos ao seu governo o melhor". Kissinger repudiou campanhas americanas pelos direitos humanos contra o governo do Chile como "problemas domésticos". Ele também assegurou à Pinochet que ele se opôs a sanções como aquelas propostas pelo senador Edward Kennedy, democrata representante de Massachusetts, que proibiria a venda de armas a governos que violavam direitos humanos. Na reunião, Pinochet expressou suas preocupações sobre Letelier diretamente: "Letelier tem acesso ao Congresso. Nós sabemos que eles estão dando informações falsas. Estamos preocupados com a nossa imagem." Kissinger particularmente não enfatizou o apoio dos Estados Unidos aos direitos dos adversários políticos.
Documentos desclassificados da CIA mostram que Kissinger sabia da existência da Operação Condor em março de 1976, na época descrito pela CIA, em termos favoráveis, como um "esforço cooperativo dos serviços de inteligência-segurança de vários países sul-americanos para combater o terrorismo e a subversão." Os documentos desclassificados mostram que haviam discussões ao interno do governo dos Estados Unidos expressando preocupação com a Operação Condor. No entanto nenhum aviso formal foi entregue a Pinochet pelos Estados Unidos alertando-o para que ele não ativasse a rede de assassinatos.
Em agosto, o embaixador dos EUA no Paraguai autorizado vistos a dois chilenos agentes do Serviço Secreto, Michael Townley e Armando Fernández Larios que viajavam com nomes falsos e passaportes paraguaios.
Em 20 de setembro de 1976, um dia antes do assassinato, secretário de Estado adjunto Harry Shlaudeman ordenou a seu vice, William Luers, para "simplesmente instruir os embaixadores de tomar nenhuma ação, observando que não houve relatos em algumas semanas, indicando uma intenção de ativar o regime de Condor. "
18 horas depois, a bomba que matou Letelier e Moffitt explodiu. Apesar de que as autoridades sabiam sobre o esquema de Condor e Paraguai, uma fonte da CIA vazado para a mídia a idéia absurda de que os esquerdistas matou Letelier para criar um mártir. Demorou mais de um ano para o Departamento de Justiça para examinar as fotos de passaporte do Paraguai, que identificaram os dois assassinos Dina: Townley e Fernández Larios.
Em busca dos assassinos
Os primeiros indícios na luta para trazer os responsáveis à justiça estavam nos próprios assassinos. Em 8 de abril de 1978, Michael Vernon Townley, quem coordenou o assassinato, foi preso no Chile e entregue as autoridades dos Estados Unidos. Townley confessou que tinha contratado cinco exilados cubanos e concordou em fornecer provas contra eles em troca de uma sentença reduzida e imunidade por outros crimes. Isso significava que ele escaparia do processo pela explosão do carro bomba de 1974 em Buenos Aires que matou o exilado Chefe do Estado-Maior chileno, general Carlos Prats, e sua esposa e do processo pelo tiroteio de 1975 em Roma que envolveu o exilado político chileno Bernardo Leighton e sua mulher. Sua confissão foi fundamental para expor o papel do chefe da polícia secreta chilena, Manuel Contreras, e do General de brigada Pedro Espinoza na coordenação do assassinato do Chile.
Três dos assassinos - Alvin Ross Díaz,Guillermo e Ignacio Novo Sampoll - foram julgados em 1980. Guillermo Novo Sampoll e Ross Diaz foram considerados culpados de conspiração para cometer homicídio, enquanto Ignacio Novo Sampoll foi condenado por cumplicidade. Todos foram liberados em um segundo julgamento, dois anos mais tarde, depois de terem sucesso no apelo baseado em "erros processuais". Dois outros assassinos - José DionisioSuárez e Virgilio Paz Romero - entraram em clandestinidade, mas foram finalmente presos em 1990 e 1991, respectivamente. Eles serviram sete anos cada e foram colocados em liberdade condicional.
Aqueles que dirigiam a operação no Chile - Contreras e Espinoza - escaparam da justiça até 1995 - 19 anos após o crime - antes de serem finalmente condenados em tribunais chilenos.
Objetivo Pinochet
No entanto, em última análise, a pessoa que ficou responsável tanto pela Letelier, de Moffitt quanto de inúmeras outras mortes chilenas foi Augusto Pinochet. Embora um plebiscito forçou-o a abandonar a Presidência em 1990, Pinochet tinha permanecido como comandante-em-chefe do Exército até 1998, e depois passou diretamente a ocupar um posto vitalício (não eleito) no Senado chileno. Até 2001, quando ele foi retirado dessa posto auto nomeado, esta posição lhe proporcionava imunidade especial diante de possíveis acusações graças a uma anistia geral decretada por sua própria junta, em 1978.
Entretanto, a documentação reunida por grupos chilenos de direitos humanos durante os 17 anos de ditadura e o Relatório Rettig de 1991, uma comissão chilena que examinou abusos de direitos humanos, em última análise, serviram como prova de valor inestimável para poder iniciar processos judiciais contra Pinochet. Provas recolhidas durante investigações do FBI, bem como documentos desclassificados da CIA também indicavam com certeza que Pinochet tinha conhecimento da missão para assassinar Letelier. Dois ex-agentes do FBI e um ex-assistente do procurador dos Estados Unidos insistiram que era "inconcebível" que o assassinato de Letelier fosse realizado sem autorização de Pinochet. Isto foi confirmado pelo chefe da polícia secreta - Contreras - que, em um depoimento enviado à Corte Suprema do Chile em dezembro de 1997, afirmou que nenhuma grande missão DINA era realizada sem autorização de Pinochet.
Estas investigações foram apoiadas por uma campanha permanente do TNI e do IPS, juntamente com uma coalizão internacional de grupos e indivíduos, para manter a história de terror de Pinochet e as exigências de justiça aos olhos do público. Campanhas de envio de cartas, serviços memoriais, e prêmios de direitos humanos organizados pela viúva de Orlando, Isabel Letelier, complementaram o trabalho de documentação e defesa dos grupos chilenos de direitos humanos e outros esforços de solidariedade internacionais. Artigos nos principais jornais e revistas, bem como livros quais Assassination on Embassy Row do TNI Fellow Saul Landau e do jornalista John Dinges também ajudaram a manter vivo o caso.
A prisão de Pinochet
A oportunidade de trazer Pinochet frente à justiça ocorreu em 16 de outubro de 1998, quando Pinochet foi detido em Londres, em conseqüência de uma ordem judicial espanhola. A notícia de sua prisão causou choque e muitos comentários em todo o mundo, mas foi baseado em anos de trabalho de Juan Garcés, que coordenou o trabalho de muitos advogados e ativistas. Em 1996, a União Espanhola de procuradores abriu um processo em nome das vítimas espanholas da Guerra Suja argentina. Pouco tempo depois, Garcés adicionou uma queixa-crime contra Pinochet e outros oficiais militares em nome de milhares de chilenos que sofreram tortura ou que estavam em busca de justiça para os assassinatos ou desaparecimentos de entes queridos. A disposição do juiz espanhol Baltasar Garzón em emitir o mandado de prisão, quando notificado de que Pinochet estava em Londres, e seu comprometimento daquele momento em diante também foram cruciais para o desenvolvimento do caso.
O caso espanhol contra Pinochet também se beneficiou de esforços públicos para gerar a vontade política para iniciar o processo. Em 1997, a pedido dos defensores de direitos humanos e advogados, o Parlamento Europeu e a Câmara de Deputados espanhola aprovaram resoluções unânimes em apoio à investigação espanhola dos crimes de Pinochet. Ações como essas ajudaram a legitimar o caso aos olhos dos funcionários públicos e do governo.
Imediatamente após a prisão, esforços de mobilização pública surgiram em todo o mundo. Os parlamentos europeu, espanhol e francês continuaram a defender a tentativa da corte espanhola de extraditar Pinochet. O chileno 'Piquete de Londres" organizou manifestações diárias fora dos tribunais britânicos e da casa temporária de Pinochet em Londres, enquanto grupos chilenos de vítimas voltaram às ruas de Santiago para demonstrar sua sede de justiça.
Nos Estados Unidos, ONGs e ativistas de direitos humanos convenceram cerca de 40 representantes para juntarem-se a eles no envio massivo de cartas pedindo para os funcionários da Administração suportarem o caso espanhol, reabrir a investigação do caso Letelier-Moffitt nos Estados Unidos e desclassificar documentos sobre casos de abusos de direitos humanos no Chile. Como resultado, funcionários da administração Clinton reativaram a investigação Letelier-Moffitt, enviando uma equipe para o Chile, no início de 2000, para iniciar uma série de processos judiciais envolvendo 42 potenciais testemunhas intimadas em nome do governo dos Estados Unidos. O Washington Post relatou que "os investigadores federais descobriram evidências que alguns deles acreditam sejam suficientes para indiciar o general Augusto Pinochet por conspiração para cometer homicídio com o atentado do carro bomba de 1976."
Embora os tribunais britânicos despojaram Pinochet de sua "imunidade soberana" e decidiram que a Espanha poderia extraditá-lo por tortura, Pinochet escapou a extradição quando o ministro do interior britânico, Jack Straw, interveio e libertou-o depois de 16 meses de detenção com base em uma - provavelmente fingida - doença mental do ditador chileno.
O precedente Pinochet
Apesar de sua libertação ter sido uma decepção, o chamado "precedente Pinochet" - nenhum ditador está acima do direito internacional - então tinha sido definido. No Chile, a detenção de Pinochet revitalizou o movimento público por justiça e catalisou mudanças políticas e legais no Chile, permitindo iniciar processos históricos contra violadores dos direitos humanos nos tribunais chilenos. Isso conseguiu colocar a história da ditadura nas primeiras páginas dos jornais chilenos, reabrindo o debate público sobre a questão e alterando permanentemente, a imagem pública de Pinochet que tinha sido meticulosamente construída.
Eugenio Ahumada, que trabalhou na documentação de violações de direitos humanos com o Vicariato da Solidariedade durante a ditadura, viveu em primeira mão as mudanças: "O caso Pinochet criou uma abertura no Chile. Isso levou ao direito de começar a falar, finalmente, sobre o que tinha acontecido. Também levou as forças armadas a admitir publicamente pela primeira vez que participaram dos abusos."
Pouco tempo após o retorno de Pinochet ao Chile, a Suprema Corte chilena destituiu o ditador de sua imunidade parlamentar para possibilitar que fosse processado. Poucos meses depois, o juiz chileno Juan Guzmán o indiciou e o colocou em prisão domiciliar. Pinochet, que uma vez parecia invencível, era agora submetido a ter de fazer visitas hospitalares de grande repercussão para cada pontada e dor de dente com a intenção de ganhar a simpatia do público, políticos e juízes. No fim, uma seção do Tribunal de Apelações de Santiago decidiu que o general era mentalmente e fisicamente incapaz de ser julgado.
Revelações em 2005, que Pinochet havia lavado milhões de dólares acabaram com o mito do homem forte e incorruptível que Pinochet queria deixar para a posteridade. O Banco Riggs não congelou supostos 8 milhões dólares (US $) que o general tinha em depósito com o banco e em fevereiro de 2005 concordou dar essa soma para uma fundação na Espanha, que irá distribuí-la entre vítimas do regime de Pinochet ou suas famílias.
Em 10 de Dezembro 2006 Pinochet morreu depois de um ataque cardíaco. A recusa do então presidente Michelle Bachelet de assistir ao seu funeral - ela foi eleita alguns meses antes (cujo pai tinha sido torturado e morto pelo regime de Pinochet e cuja mãe havia trabalhado no IPS) - foi, talvez, um testamento final para a rejeição de Pinochet e o início de uma nova era política no Chile.
Legado
Depois da detenção de Pinochet em Londres, ficou claro que a paisagem internacional havia mudado irremediavelmente para os líderes responsáveis por abusos dos direitos humanos. Anteriormente, líderes como Pinochet viajavam despreocupados para fazer compras no Harrods em Londres ou navegar em iates na costa da Espanha. Agora nenhum ditador ou até mesmo lideres democraticamente eleitos responsáveis por crimes de direitos humanos podem viajar internacionalmente sem temer ser indiciado.
Como conseqüência da prisão de Pinochet em Londres, o presidente Suharto da Indonésia se recusou a procurar cuidados médicos na Alemanha já que ele era procurado por ativistas portugueses devido aos assassinatos cometidos durante a invasão do Timor Leste em 1975. Laurent Kabila do Congo enviou uma equipe em antecedência para a Bélgica para obter garantias por escrito de que ele não seria preso na chegada.
Stacie Jones, que coordenou projeto da TNI - IPS, Pinochet Watch, reflete: "Quando olhamos para trás, para os últimos 25 anos, vemos a convergência da história, convicções, e do trabalho duro que trouxe o mundo muito mais próximo da justiça que buscávamos em nome de Orlando Letelier, Ronni Moffitt, e milhares de outras vítimas de Pinochet.
"Comprometimentos pessoais para garantir que se faça justiça a familiares e amigos se converteram em um movimento internacional contra a impunidade, que agora é um lobo na porta de regimes repressivos ao redor do mundo. O nome que uma vez simbolizava a ditadura e o terrorismo de Estados agora provoca medo àqueles que aspiram ser homens fortes, conscientes de que um dia contra eles também poderia ser aplicado o "precedente Pinochet" para processa-los por seus crimes."
domingo, 27 de janeiro de 2013
JORNAL ESPANHOL ENGANA LEITORES... (El Pais)
Como supostamente teria dito Verissimo:
"Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data."
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A imagem, de um homem entubado em uma cama de hospital, foi vendida aos leitores do diário como sendo o presidente Hugo Chávez.
Por meio de sua conta no Twitter (@VillegasPoljakE), Villegas desmentiu o El País: "Tão grotesca como falsa a foto de 'Chávez entubado' que hoje publica na primeira página o venerado diário El País da Espanha", escreveu.
Inicialmente, o jornal informou que a imagem havia sido registrada "há poucos dias" pela agência de notícias Gtres Online e que "não pôde verificar de forma independente as circunstâncias em que foi tirada, tampouco o momento preciso e o lugar". O jornalista espanhol Moises Naim chegou a anunciar por meio de sua conta no Twitter: "preparem-se para uma extraordinária foto exclusiva na web do El País em breve". Horas depois, o periódico publicou nota se retratando.
"O El País retirou de sua página na internet a foto que mostrava um homem entubado em uma cama de hospital e que uma agência de notícias havia fornecido ao jornal, afirmando que se tratava de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. El País pede desculpas a seus leitores pelo dano causado", informa o comunicado. Não houve, porém, qualquer pedido de desculpas ao presidente ou à família dele.
Por meio de sua conta no Twitter (@VillegasPoljakE), Villegas desmentiu o El País: "Tão grotesca como falsa a foto de 'Chávez entubado' que hoje publica na primeira página o venerado diário El País da Espanha", escreveu.
Inicialmente, o jornal informou que a imagem havia sido registrada "há poucos dias" pela agência de notícias Gtres Online e que "não pôde verificar de forma independente as circunstâncias em que foi tirada, tampouco o momento preciso e o lugar". O jornalista espanhol Moises Naim chegou a anunciar por meio de sua conta no Twitter: "preparem-se para uma extraordinária foto exclusiva na web do El País em breve". Horas depois, o periódico publicou nota se retratando.
"O El País retirou de sua página na internet a foto que mostrava um homem entubado em uma cama de hospital e que uma agência de notícias havia fornecido ao jornal, afirmando que se tratava de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. El País pede desculpas a seus leitores pelo dano causado", informa o comunicado. Não houve, porém, qualquer pedido de desculpas ao presidente ou à família dele.
Leia mais
Villegas informou que a imagem foi capturada de um vídeo hospedado no YouTube, datado de 2008, denominado “Intubação de acromegalia AMVAD”. "Deste vídeo vem a falsa 'foto de Chávez entubado' que publicou o El País da Espanha na primera página: http://www.youtube.com/watch?v=DB4bIH0GsYU ...", continuou o ministro.
Em artigo escrito para Opera Mundi, o articulista francês Salim Lamrani lembrou que, desde a chegada de Chávez ao poder, o El País adotou "uma linha editorial muito crítica em relação à Venezuela".
Recuperação
De acordo com informações de membros do governo venezuelano e de chefes de Estado próximos a Chávez, o presidente está se recuperando da quarta cirurgia a que foi submetido em 11 de dezembro do ano passado. Informes divulgados recentemente pelo vice-presidente Nicolás Maduro e pelo ministro da Comunicação -- únicos funcionários autorizados a informarem sobre a saúde do presidente -- dão conta da melhora do líder venezuelano.
Segundo o presidente da Bolívia, Evo Morales, Chávez já estaria fazendo fisioterapia. A informação não foi negada ou confirmada pelas autoridades venezuelanas. Evo esteve presente em cerimônia dia 10 de janeiro em Caracas, data prevista na Constituição venezuelana para a posse do presidente. Um dia antes, o Tribunal Superior de Justiça (TSJ) aprovou que o ato fosse postergado e também a continuidade do Executivo liderado pelo vice-presidente.
Em artigo escrito para Opera Mundi, o articulista francês Salim Lamrani lembrou que, desde a chegada de Chávez ao poder, o El País adotou "uma linha editorial muito crítica em relação à Venezuela".
Recuperação
De acordo com informações de membros do governo venezuelano e de chefes de Estado próximos a Chávez, o presidente está se recuperando da quarta cirurgia a que foi submetido em 11 de dezembro do ano passado. Informes divulgados recentemente pelo vice-presidente Nicolás Maduro e pelo ministro da Comunicação -- únicos funcionários autorizados a informarem sobre a saúde do presidente -- dão conta da melhora do líder venezuelano.
Segundo o presidente da Bolívia, Evo Morales, Chávez já estaria fazendo fisioterapia. A informação não foi negada ou confirmada pelas autoridades venezuelanas. Evo esteve presente em cerimônia dia 10 de janeiro em Caracas, data prevista na Constituição venezuelana para a posse do presidente. Um dia antes, o Tribunal Superior de Justiça (TSJ) aprovou que o ato fosse postergado e também a continuidade do Executivo liderado pelo vice-presidente.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Estados Unidos: Tortura e Extradição para a Líbia de Khadafí
Novos Relatos de Simulações de Afogamento, Outras Torturas com Água e Abusos em Prisões Secretas
Os EUA não só entregaram a Khadafi os seus inimigos, mas ao que parece, a CIA torturou muitos deles primeiro. O âmbito dos abusos cometidos pela administração Bush parece ser muito maior do que reconhecido anteriormente e ressalta a importância de uma investigação ampla sobre o que aconteceu. (Laura Pitter, conselheira sobre contra-terrorismo)
(Washington, DC, 6 de setembro de 2012) – Segundo relatos de ex-detentos e documentos da CIA e do Serviço Secreto do Reino Unido recentemente descobertos, o governo dos Estados Unidos,durante a administração Bush, torturou opositores de Muammar Khadafi e depois os extraditou para a Líbia, onde sofreram maus tratos, afirmou a Human Rights Watch em relatório divulgado hoje. Um ex-detento alegou que sofreu uma simulação de afogamento e outro descreveu formas semelhantes de tortura com água, contradizendo alegações de autoridades do governo Bush de que apenas três homens sob custódia dos EUA teriam sido submetidos a simulações de afogamento.
O relatório de 154 páginas, “Entregues ao Inimigo: Os Estados Unidos lideraram Abusos e Extradições de Opositores de Khadafi para a Líbia,”se baseia em entrevistas realizadas na Líbia com 14 ex-detentos, muitos dos quais pertenciam a grupos armados islâmicos que militavam contra Khadafi há 20 anos. Muitos dos membros do Grupo de Combate Islâmico Líbio (GCIL) aderiram às forças anti-Khadafi apoiadas pela OTAN no conflito de 2011. Alguns dos que foram detidos e que teriam sido torturados quando sob custódia dos EUA agora ocupam postos chave na política e liderança do país.
“Os EUA não só entregaram a Khadafi os seus inimigos, mas ao que parece, a CIA torturou muitos deles primeiro” disse Laura Pitter, conselheira sobre contra-terrorismo da Human Rights Watch e autora do relatório. “O âmbito dos abusos cometidos pela administração Bush parece ser muito maior do que reconhecido anteriormente e ressalta a importância de uma investigação ampla sobre o que aconteceu.”
O relatório também se baseia em documentos – alguns dos quais pela primeira vez tornados públicos – que a Human Rights Watch encontrou abandonados em 3 de setembro de 2011 nos escritórios do ex-chefe de inteligência líbio Musa Kusa depois que Trípoli foi tomada pelas forças rebeldes.
As entrevistas e documentos estabelecem que após os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA, com ajuda do Reino Unidoe países no Oriente Médio, África e Ásia, prenderam e mantiveram detidos sem acusação vários membros do GCIL que viviam fora da Líbia e que depois foram extraditados ao governo líbio.
O relatório também descreve os abusos que cinco dos ex-membros do GCIL disseram ter sofrido em centros de detenção no Afeganistão administrados pelos Estados Unidos, provavelmente operados pela CIA. Há novas alegações de simulações de afogamento e outras torturas com água. Os detalhes são consistentes com outros relatos de primeira mão sobre esses centros administrados pelos Estados Unidos.
Outros abusos relatados pelos ex-detentos incluem serem acorrentados nus a paredes – às vezes em fraldas – em celas completamente escuras, sem janelas, por semanas ou meses; serem mantidos em posições dolorosas por longos períodos, forçados em espaços abarrotados; espancados e atirados contra paredes; mantidos em ambientes fechados por cerca de cinco meses sem banho; ter o sono negado com música alta e contínua.
“Eu passei três meses sendo interrogado e eles me submetiam a um tipo de tortura diferente a cada dia. As vezes eles usavam água, as vezes não… As vezes eles me despiam e as vezes me deixavam vestido,” disse Khalid al-Sharif, que afirmou ter sido detido por dois anos em dois centros de detenção diferentes administrados pelos EUA aparentemente operados pela CIA no Afeganistão. Al-Sharif é agora o chefe da Guarda Nacional da Líbia. Uma de suas responsabilidades é garantir a segurança dos centros que detem os presos considerados de maior valor da Líbia.
Os relatos dos detentos líbios contidos no relatório da Human Rights Watch não foram plenamente documentados porque aqueles que retornaram a Líbia ficaram presos até o ano passado, quando o levante civil levou a sua libertação. Além disso, o governo dos Estados Unidos não estava disposto a divulgar os detalhes sobre os centros de detenção secretos da CIA. Os relatos dos ex-detentos, os documentos da CIA encontrados na Líbia e alguns relatórios tornados públicos pelo governo dos EUA lançam nova luz sobre as práticas de detenção dos EUA durante a administração Bush mas também ressaltam a vasta gama de informação que ainda permanece secreta.
Apesar de provas esmagadoras de inúmeros abusos contra detentos sob custódia dos EUA desde os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos ainda não responsabilizaram nenhum funcionário de alto escalão. Apenas alguns militares de baixa patente foram punidos.
No dia 30 de agosto de 2012, o Procurador Geral dos EUA, Eric Holder, anunciou que a única investigação criminal do Departamento de Justiça sobre supostos abusos sob custódia da CIA, liderada pelo procurador especial John Durham, seria encerrada sem que ninguém fosse acusado criminalmente. Holder já havia diminuído o âmbito das investigações de Durham em 30 de junho de 2011, reduzindo a investigação original de 101 pessoas supostamente sob custódia da CIA para apenas duas pessoas.
Em ambos os casos, os detidos morreram – um no Afeganistãoe outro no Iraque. O inquérito também foi limitado pois somente analisava abusos que foram além dos que a administração Bush havia autorizado. Não cobriu atos de tortura, como a simulação de afogamento e outros maus-tratos que os advogados do governo Bush aprovaram, apesar de violarem o direito nacional e internacional.
“Os relatos de líbios detidos pelos EUA e depois extraditados para a Líbia deixam claro que o abuso de detentos, inclusive os maus-tratos não necessariamente especificamente autorizados por funcionários da administração Bush, eram generalizados”, disse Pitter. “O encerramento do inquérito Durham, sem qualquer acusação, é um sinal de que abusos como os sofridos pelos detentos líbios serão tolerados.”
Após três anos investigando o programa de detenção e interrogatório da CIA, a Comissão Especial de Inteligência do Senado (Senate Select Committee on Intelligence, SSCI), parece ter concluído seu relatório. A Human Rights Watch apelou à SSCI para que liberasse imediatamente o seu relatório com o mínimo de modificações possíveis, e que recomendasse que uma comissão independente e não-partidária investigasse todos os aspectos da política dos EUA sobre o tratamento de detentos.
“O governo dos EUA continua a exigir, e com razão, que países como a Líbia, a Síria e o Bahrain responsabilizem funcionários que cometem graves violações aos direitos humanos, inclusive a tortura”, disse Pitter. “Esse pedido teria muito mais peso se os EUA não estivessem, simultaneamente, impedindo a responsabilização de ex-funcionários que autorizaram a tortura.”
Desde a queda do governo Khadafi, diplomatas dos EUA e membros do Congresso se reuniram com alguns ex-detentos da CIA agora na Líbia. Os EUA tem apoiado esforços do governo líbio e da sociedade civil para superar o legado do passado autoritário do país. A Human Rights Watch instou o governo dos EUA a reconhecer o papel que desempenhou ao cometer abusos e em ajudar Khadafi a arrebanhar seus adversários exilados, a fornecer reparação às vítimas e a processar os responsáveis por supostas torturas.
Um caso relatado anteriormente sobre o qual a Human Rights Watch descobriu novas informações é o de Ibn al-Sheikh al-Libi. A administração Bush justificou a invasão do Iraque em 2003, em parte baseando-se em declarações feitas por al-Libi, sob custódia da CIA. A CIA admitiu que estas declarações não eram confiáveis. Anos depois, os EUA transferiram al-Libi para a Líbia, onde ele morreu na prisão, em maio de 2009. Relatos de companheiros de al-Libi detidos no Afeganistão e na Líbia, assim como informações de sua família e fotos aparentemente tomadas no dia em que ele morreu, fornecem informações sobre o seu tratamento e morte, que as autoridades líbias afirmam ter sido suicídio.
Vários dos documentos que a Human Rights Watch descobriu na Líbia também mostram um alto nível de cooperação entre o governo de Khadafi na Líbia, os EUA e o Reino Unido nas extradições discutidas no relatório.
Os EUA desempenharam o papel mais amplo nas extradições para a Líbia. No entanto, outros países, principalmente o Reino Unido, também estavam envolvidos apesar destes governos ter ciência e reconhecerem que a tortura era comum durante o governo de Khadafi. Países ligados aos relatos de extradições incluem: o Afeganistão, o Chad, a Chinae Hong Kong, a Malásia, o Mali, a Mauritânia, o Marrocos, os Países Baixos, o Paquistão, o Sudão, a Tailândia, e o Reino Unido. Os entrevistados alegaram que funcionários em alguns desses países também abusaram deles antes de extraditá-los para a Líbia.
O direito internacional vinculativo sobre os EUA e outros países proíbe a tortura e outros maus-tratos em todas as circunstâncias e proíbe a extradição de pessoas para países em que eles enfrentariam sério risco de tortura ou perseguição.
“O envolvimento de muitos países no abuso dos inimigos de Khadafi sugere que os tentáculos do programa de detenção e interrogatório dos EUA vai muito além do que anteriormente se sabia”, disse Pitter. “Os governos dos EUA e dos outros países que participaram em abusos de detentos devem prestar contas sobre os seus papéis.”
domingo, 16 de dezembro de 2012
INGLATERRA falsa investigaçoes sobre tortura no Iraque
Iraque, ex-oficial britânico: "A investigação sobre os abusos não queria chegar à verdade"
"Eu percebi que toda a operação só queria satisfazer a opinião pública", disse Loiuse Thomas durante a audiência preliminar do tribunal britânico chamado a lançar luz sobre os crimes cometidos por soldados britânicos contra civis iraquianos. As famílias das vítimas pedem uma comissão de inquérito civil
Louise Thomas, 45 anos, ex-oficial da polícia britânica, pode - contra vontade - tornar-se um personagem histórico. "Eu decidi pedir demissão em julho do Iraq Historic Allegations Team (IHAT) para não ser cúmplice em uma operação de encobrimento (depistagem)", disse em 11 de dezembro durante a audiência preliminar no Tribunal britânico chamado a lançar luz sobre os crimes cometidos por soldados britânicos contra civis iraquianos durante a guerra no Iraque de 2003 a 2008.
Para responder à pressão pública, em 2010, o Ministério da Defesa britânico ordenou o nascimento do IHAT para lançar luz sobre 1.100 casos de abuso de civis iraquianos dos quais são acusados, por parte de organizações não-governamentais, os militares do contingente britânico que serviram no Iraque após a invasão do país árabe da parte de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos. A decisão de não criar uma comissão de inquérito público foi duramente criticado pela mídia e ativistas, mas o governo do primeiro-ministro David Cameron considerou a questão de importância estratégica para o país, colocando os trabalhos embaixo de segredo.
Thomas foi nomeada, juntamente com outros policiais e soldados, para formar uma equipe de investigadores onde começou a trabalhar em janeiro de 2012. Mas, como disse a ex-oficial de polícia, "depois de seis meses de trabalho, conversando com outros membros da equipe, percebi que toda a operação só queria satisfazer a opinião pública, sem querer chegar à verdade. Foi muito frustrante." A oficial tinha uma tarefa especial: rever os vídeos gravados durante os interrogatórios dos militares britânicos para verificar se tinham sido respeitadas as normas do Protocolo de Istambul contra a Tortura. Só que Thomas descobriu que milhares de vídeos tinham desaparecido e aqueles que assistia eram todos perfeitos.
Em particular, nenhum elemento útil para julgar o trabalho da Joint Forces Interrogation Team (Jfit- especialistas britânicos delegados a recuperação de informações em zona de guerra) foram questionados sobre seus métodos e obrigados a fornecer imagens de seus interrogatórios. Suas acusações estão em linha com as da equipe de advogados britânicos que defendem os interesses dos civis iraquianos que denunciaram abusos, segundo as quais o IHAT não é independente, tendo alistado os seus investigadores nas fileiras da Polícia Militar Real (RMP) e outras forças policiais governativas . Nenhum membro independente foi chamado a integrar a equipe.
O tribunal terá de decidir se realmente o trabalho do IHAT não foi transparente, caso em que, em janeiro do próximo ano, poderia começar uma verdadeira investigação nas zonas de sombra da missão militar britânica no Iraque, ordenada pelo governo de Tony Blair, que poderia ser acusado - no caso mais grave - de crimes de guerra. O atual governo britânico, mesmo de cor oposta ao governo da época, estaria em grande embaraço em relação ao lobby dos militares muito poderoso na Grã-Bretanha. Philip Havers, representante legal do Ministério da Defesa, acusou Thomas de exagerar suas denúncias porque lhe foi recusada uma reintegração na equipe após a sua demissão, mas Phil Shiner, que representa os interesses das famílias iraquianas, se disse otimista: "Pedimos que sejam apenas militares a investigar eles mesmos e, se o tribunal nos dará razão, em janeiro, finalmente teremos um inquérito público e independente do que aconteceu no Iraque".
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
O início nazista da OTAN: Como o Ocidente implementou os objetivos de Hitler
de
Robert S. Rodvik
Quem deu a NATO o direito de governar o mundo? Este autor elucida como a
elite ocidental, da qual muitos integrantes eram apoiadores de Hitler,
resgatou uma grande parte da hierarquia nazista e a colocou em posição
de continuar a luta de muitas décadas contra a Rússia. O "Um Por Cento"
da época e o "Um Por Cento" de hoje enviou milhões para a morte,
formulando e adotando a promessa de Winston Churchill de 1918 de
"estrangular no seu nascimento" a ameaça bolchevique. O controle total
dos ditos meios de comunicação tradicionais promoveu essa tarefa odiosa.
- Bem-vindo a Munique: o duque e a duquesa de Windsor, durante uma visita controversa à Alemanha, são cumprimentados por Hitler na cidade em 1937.
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Muitos escritores têm documentado como as elites
britânica e americana financiaram a ascensão de Hitler ao poder e não
tomaram ações defensivas contra o Terceiro Reich até que ele voltou suas
forças para o oeste. Na Grã-Bretanha, os membros de elite do clube "The
Right Club", muitas vezes com conivência do governo, secretamente
apoiaram as ações de Hitler contra os judeus e contra comunistas e
socialistas. O duque de Wellington foi um conhecido antissemita e membro
do clube. Eduardo VIII, conhecido como "o Rei Traidor" foi amigo íntimo
de Adolf Hitler e foi forçado a desistir de seu trono, não por causa de
Wallis Simpson, mas porque se descobriu que ele estava passando
documentos sobre operações de guerra britânicos para os
nazistas.discovered that he was passing British war operations documents
to the Nazis. A aristocracia nunca foi submetida a dividir a riqueza
com as classes menores e Adolf era igualmente susceptível para esses
fins, sendo a destruição do untermenschen (raças/povos inferiores; massas) um dos principais planos da sua estratégia de conquista da Europa e Rússia.
| Até 1977, o BIS sediado em Basileia, Suíça, se escondeu do mundo. Os banqueiros diziam aos visitantes para irem até à loja "Frey’s Chocolate Shop" e entrar em uma porta sem identificação de um ex-hotel do lado da loja. |
O Banco de Compensações Internacionais (Bank for International
Settlements) era uma criação conjunta na década de ’30 dos bancos
centrais do mundo ocidental, incluindo a Federal Reserve Bank de Nova
York. Montagu Norman, presidente do Banco da Inglaterra foi um sincero
apoiante de Hitler e, quando os nazistas marcharam para a Áustria em
1938, a maior parte do ouro do país foi embalado e carregado em cofres
controlados pelo Banco de Compensações Internacionais - o principal
banco central para o mundo ocidental. Um dia depois os nazistas
marcharam para Praga, pegaram os diretores do Banco Nacional da
República Checa como reféns e exigiram que eles cedessem o controle das
reservas de ouro do país , que representavam cerca de 48 milhões de
dólares. Informados de que o ouro já havia sido transferido para cofres
em Londres, foram feitos esforços para contatar Montagu Norman - que
imediatamente transferiu o dinheiro para os alemães para equipar sua
máquina de guerra. Amigos, na verdade.
Os Estados Unidos da América ainda não tinham chegado na posição de
principal potência mundial imperialista, mas muitas das suas elites
estavam alinhados com os sentimentos da elite britânica .
Um dos principais promotores da ascensão de Adolf Hitler e do partido
nazista era ninguém menos que Prescott Bush, pai de George Herbert
Walker Bush e avô de George W. Bush, ambos futuros presidentes e G. H.
W. Bush como chefe da CIA. Esses criminosos de guerra têm mantido a sua
popularidade entre os americanos de direita principalmente devido a uma
mídia complacente que tem ocultado sua história amorosa com os nazistas
da população em geral.
“Em outubro de 1942 ... Prescott Bush era sócio gerente de Brown
Brothers Harriman. Seu filho de 18 anosde idade George, o futuro
presidente dos EUA, tinha apenas começado o treinamento para se tornar
um piloto naval. Em 20 de outubro de 1942, o governo dos EUA ordenou o
embargo das operações bancárias nazistas na cidade de Nova York, que
estavam sendo conduzidos por Prescott Bush. Sob o Trading with the Enemy
Act, o governo assumiu o controle do Union Banking Corporation, no qual
Bush era diretor. O U.S. Alien Property Custodian apreendeu
participações acionárias do Union Banking Corp, pertencentes a Prescott
Bush, Roland E. "Bunny" Harriman, três executivos nazistas e dois outros
sócios de Bush.” . [1]
Tarpley e Chaitkin adicionam o seguinte:
A família do presidente Bush já havia desempenhado um papel
central no financiamento e armamento de Adolf Hitler para a sua tomada
da Alemanha... Decidindo que Prescott Bush e os outros diretores da
Union Banking Corp eram legalmente os homens de frente para os nazistas,
o governo evitou a mais importante questão histórica: de que forma os
nazistas de Hitler foram contratados, armados e instruídos pelo pequeno e
influente grupo de Nova York e Londres do qual Prescott Bush era um
gerente executivo? [2]
Entre os que apoiavam a ascensão ao poder de Adolf Hitler estava o
industrial Henry Ford, um conhecido odiador de judeus . Entre seus
outros crimes, Ford... "se recusou a construir motores de avião para a
Inglaterra, entretanto construiu suprimentos para os caminhões
militares de 5 toneladas que eram a espinha dorsal do transporte militar
alemão." [3]
A lista de industriais norte-americanos ligados ao nazismo é muito
longa para contar aqui, mas pode ser acessado no excelente livro de
Charles Higham, Trading With The Enemy: the Nazi-american plot 1933 - 1949 . [4]
Claramente os líderes financeiros do Ocidente estavam do lado de
Hitler, ocupados fornecendo fundos para seu fortalecimento militar e não
até que ele os traiu ao atacar a Inglaterra quando os Aliados se uniram
para derrotar as forças nazistas. Neste esforço uma pouco santa aliança
foi formada; aquela das potências ocidentais e da União Soviética, a
maior força na derrota contra as legiões de Hitler. No entanto, muito
antes do fim da guerra os britânicos e os americanos estavam
secretamente planejando redirecionar suas energias contra os soviéticos,
um déjà vu da invasão de 1918 que o oeste montou contra os bolcheviques
e certamente o mais desconhecido importante evento da história moderna.
Para isso, britânicos e americanos resgatado os mais sanguinários
criminosos de guerra nazistas - procurados pelos investigadores dos
mesmos governos - e misturou-os dentro da maquina de terror britânica e
americana.
Como Michael McClintock escreve:
“Foi logo depois da criação das Nações Unidas que os líderes
americanos acharam necessário – como uma questão de interesse – quebrar
as novas regras que eles publicamente louvavam. Ao fazer isso, eles
desenvolveram novos sistemas através dos quais evitar a prestação de
contas por ilegalidades – incluindo um enorme aparato para a intervenção
secreta – e apresentar, por meio de um esforço extraordinário, as ações
dos Estados Unidos, independentemente da natureza, como de acordo com o
direito internacional” [5]
Ao mesmo tempo, como o oeste estava planejando suas ações
clandestinas contra seus aliados da Segunda Guerra Mundial, ele também
criou a formação do clube de terror conhecida como a OTAN, a Organização
do Tratado do Atlântico Norte. Quase em sua totalidade era um
empreendimento nazista. O general nazista Reinhard Gehlen, por exemplo,
que havia liderado a Seção Rússia no Oberkommando der Wermacht (OKW -
Supremo quartel general de Hitler ) e um consultor sobre a Solução
Final, foi secretamente levado para os Estados Unidos, onde ele iria
entregar o seu vasto acervo de arquivos ocultos sobre a União Soviética
e, então, criar a Seção Rússia para a prestes a ser formada CIA. [6]
Gehlen teria, então, retornado à Alemanha pós guerra, onde ele foi
colocado na posição de chefe da nova Bundesnachrichtendienst (BND), o
Serviço de Inteligência Secreto alemão . Em essência, duas Seçoes Rússia
(pelo menos) agora funcionaram em vez de apenas uma; ambas com o mesmo
objetivo final: destruir a União Soviética e o comunismo.
Centenas, senão milhares de antigos Nazis found new life working for the US
nazistas encontraram uma nova vida trabalhando para os EUA,
Grã-Bretanha e Canadá jà que a Guerra Fria era iniciada e agora os
assassinos de massa eram levados a elaboração de políticas
governamentais pelos mesmos senhores feudais que haviam apoiado Hitler .
E, com os mesmos velhos nazistas de volta ao comando, todo tipo de jogo
sujo foi utilizado contra os soviéticos para prevenir qualquer desafio
ao direito reservado ao capital global de ditar os termos de escravidão. A Alemanha Ocidental, agora sendo dirigida por ex-nazistas sob o
chanceler Konrad Adenauer, aderiu à NATO em 1954 e Gehlen manteve
contacto e cooperação com seu mentor pró-nazista Allen Dulles – que se
tornaria chefe da CIA – e com o irmão deste último, o Secretário de
Estado John Foster Dulles. Logo a OTAN começou a nomear os
experimentados e verdadeiros velhos nazistas em altas posições dentro da
organização.
Em 1957, por exemplo, o general Hans Speidel tornou-se
comandante-chefe do AFCENT (Forças Aliadas da Europa Central). O
almirante nazista Friedrich Guggenberger juntou-se ao importantissimo
comitê militar da OTAN em Washington e general Adolf Heusinger (antigo
chefe de Gehlen no OKW de Hitler), tornou-se seu presidente. No
Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa (SHAPE), Gehlen
conseguiu nomear vários colaboradores nazistas em posições vitais [7]. Entre
eles estava o coronel Hennig Strumpell, que se tornou substituto do
major-general britânico Charles Traver, o chefe adjunto do Estado-Maior
(Intelligence) no SHAPE. Coronel Heinz Koller-Kraus foi nomeado chefe de
logística do AFCENT de Speidel. Muitos outros homens de Gehlen em breve
adeririam à NATO para definir suas políticas [8]
Com os mesmos nazistas bem integrados na NATO e a CIA se tornando uma
extensão da antiga agência de inteligência nazista de Gehlen, o Nieue
World Ordnung foi essencialmente transferido do Reichstag em Berlim para
o Pentágono e a CIA em Langley, Virgínia.
Adicionado aos planos de batalha anti-soviéticos, as elites
americanas reconheceram o valor do Ministério da Verdade de Goebbels e
transformaram as lições aprendidas na mais sofisticada rede de
propaganda do mundo jà criada. Agora, a todas as guerras ocidentais
seriam dados títulos ilusórios, tais como: "guerras pela democracia",
"guerras pela paz", "guerras pela justiça", "guerras humanitárias" e
assim por diante. As elites empresariais que dirigem o Reino Unido e
Canadá foram rápidos em adotar os mesmos elementos essenciais. Dois dos componentes das guerras de propaganda para o
americano/britânico/nazista Nieue World Ordnung foram a criação da Radio
Free Europe e Radio Liberty - ambas compostas por antigos nazistas de
Gehlen e financiadas pela CIA.
[9]
Estes assassinos de massa nazistas criaram uma Seção húngara,
forneceram armas e apoio à elementos pró-nazistas clandestinos na
Hungria e, junto com a CIA, instigaram a revolta húngara - que os
soviéticos brutalmente reprimiram [10].
O uso principal deste episódio, no entanto, tinha pouco a ver com os
mortos e moribundos, se buscava o valor propagandístico do episodio que
retratava um "Império do Mal", que tinha de ser destruído. [11]
Dr. Taubert Eberhardt se juntou ao Partido Nazista em 1931 e logo foi
promovido ao posto de Sturmführer, seguindo Goebbels ao Ministério da
Propaganda. Após a guerra, Taubert se transferiu a África do Sul, onde
ele encontrou conforto entre os neonazistas no poder em Joanesburgo,
ocupados projetando o sistema de apartheid. Em 1950, ele retornou à
Alemanha e se juntou a seu velho companheiro Reinhard Gehlen,
tornando-se um membro do BND (Bundesnachrichtendienst = serviço
inteligencia federal). Em seu novo posto no BND / CIA , Taubert
tornou-se presidente da National Association for Peace and Freedom"
("Associação Nacional para a Paz e Liberdade" apoiada pela CIA) se
tornando também um conselheiro do ministro da Defesa alemão, o
ex-nazista Franz Josef Strauss, e foi então designado por Strauss à NATO
como conselheiro para o "departamento de guerra psicológica". O
Ministério da Verdade de Goebbels tem recirculado para alimentar os
fundamentalistas cristãos, alguns recém-construídos como o velho e
familiar "Tales from the Dark", tendo apenas embalagens diferentes. [12]
- "Exércitos secretos da OTAN: Operação Gladio e Terrorismo na Europa Ocidental", de Daniele Ganser, Estudos de Segurança Contemporânea, fevereiro de 2005.
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A OTAN também foi intimamente ligada a uma série de atentados
terroristas na Itália na década de 1980, a fim de criar uma "estratégia
de tensão", projetado para permitir que a asa direita fascista chegasse
no poder e, assim, trazer "estabilidade" para o país. Este programa fez
uso de numerosos terroristas de direita como Stefano Delle Chiaie membro
de Ordine Nuovo e outras almas dementes que colocaram bombas em lugares
públicos que mataram centenas, auxiliados na implementação pelos
terroristas OTAN/nazistas
de Gehlen. Embora bem coberta na Europa, graças à cumplicidade da mídia,
mal se falou da história ali.
Em essência, estes e seus seguidores são as pessoas que dirigem a
OTAN, que atualmente matando quem atravessa seu caminho ao redor do
mundo, graças a pessoas como Barack Obama, Steve Harper e o resto das
marionetes comandadas por déspotas do Ocidente; enquanto posam como
defensores da humanidade.
[1] Office of Alien Property Custodian, Vesting Order No. 248.
The order was signed by Leo T. Crowley, Alien Property Custodian,
executed October 20, 1942; F.R. Doc. 42-11568; Filed, November 6, 1942,
11:31 A.M.; 7 Fed. Reg. 9097 (Nov. 7, 1942). See also the New York City
Directory of Directors (available at the Library of Congress). The
volumes for the 1930s and 1940s list Prescott Bush as a director of
Union Banking Corporation for the years 1934 through 1943.
[2] Webster Tarpley and Anton Chaitkin, George Bush: The Unauthorized Biography.
[3] Charles Higham, Trading With The Enemy, A Dell Book, 1983, p.23.
[4] Ibid, p.177.
[5] Michael McClintock, Instruments of Statecraft, Pantheon Books, NY 1992, P.24.
[6] E. H. Cookridge, Gehlen, Spy of the Century, Random House, NY, 1972.
[7] Ibid, p.301.
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] Ibid.
[11] The Progressive, "Turn it Off" September 1993, p.10.
[12] Ibid, pp.10-11.
[2] Webster Tarpley and Anton Chaitkin, George Bush: The Unauthorized Biography.
[3] Charles Higham, Trading With The Enemy, A Dell Book, 1983, p.23.
[4] Ibid, p.177.
[5] Michael McClintock, Instruments of Statecraft, Pantheon Books, NY 1992, P.24.
[6] E. H. Cookridge, Gehlen, Spy of the Century, Random House, NY, 1972.
[7] Ibid, p.301.
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] Ibid.
[11] The Progressive, "Turn it Off" September 1993, p.10.
[12] Ibid, pp.10-11.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Quem sao os criminais (II)?
Fonte: 1) http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6158026-EI8143,00-Bombardeio+da+Otan+no+Afeganistao+mata+oito+mulheres.html
2) http://www.nytimes.com/2012/09/17/world/asia/karzai-denounces-coalition-over-airstrikes.html?_r=1
Bombardeio da Otan no Afeganistão mata oito mulheres
| Aldeões afegãos olham para corpos de mulheres mortas nos ataques aéreos da Otan |
Foto: Reuters
| The body of a woman killed by coalition airstrikes in eastern Afghanistan on Sunday. |
Foto: Noorullah Shirzada/Agence France-Presse - Getty Images
Oito mulheres morreram e outras oito ficaram feridas no
sábado à noite em um bombardeio da Otan à província de Laghman, no leste
de Cabul, disseram neste domingo fontes afegãs.
Procurada pela AFP, a Força Internacional de Assistência para a
Segurança (ISAF) disse através de um de seus porta-vozes que "havia
acabado de saber" que causou a morte de entre "cinco a oito afegãos"
durante um bombardeio que, por outro lado, acabou com um com um "grande
número de insurgentes".
O incidente aconteceu antes do amanhecer na localidade de Dilaram, no
remoto distrito de Alingar, quando as mulheres recolhiam lenha,
disseram fontes afegãs. Sarhadi Zwak, um porta-voz provincial, denunciou
a operação militar unilateral não coordenada pelas forças afegãs, que
"matou a oito mulheres e feriu a outras oito". O governador de Laghman
"nomeou uma delegação para investigar", disse.
Dezenas de homens dirigiram-se a Mihtarlam, a capital provincial,
levando consigo os cadáveres de algumas das vítimas e protestaram em
frente ao escritório do governador gritando: "Morte aos Estados Unidos!
Morte aos judeus!" Segundo a Isaf, o bombardeio foi decidido após a
identificação das intenções hostis de 45 insurgentes, muitos dos quais
morreram.
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