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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ITALIA RACISTA? IMAGINA!!!


Pode parecer mentira. Pode parecer surreal, mas INFELIZMENTE nao é. Na Italia, parte dos seus cidadaos parecem que esqueceram das suas raìzes e da sua historia de imigraçoes ocorridas verso todas as direçoes do mundo. Nao raras vezes ouvi italianos se orgulharem de seu passado desbravador, explorador, em sintese, de imigrantes. Hoje, porém, como as coisas nao vao a seu favor, tornaram-se inexplicavelmente RACISTAS. Obviamente nao se trata da maioria da populaçao, mas o chocante é que se trata de um partido que atualmente faz parte da maioria do governo e, em muitas vezes, consegue chantagear o governo liberalista berlusconiano (note-se que esse ultimo parece aceitar sem muita relutancia!).

Tempos atras apareceu no site facebook do partido "Lega Nord" (liga norte) um cartaz com os dizeres: "Immigrati clandestini. Torturali! È legittima difesa", ou seja Imigrantes clandestinos. Tortura-los! é legitima defesa".




Certo que um pode pensar "ah tudo bem.. se trata apenas de um site facebook. Essa gurizada de hoje é assim". Mas o que vale salientar é que a este site eram inscritos diversos integrantes do partido como Umberto Bossi (ministro do governo berlusconie e chefe do referido partido) e seu filho Renzo. Além de Cota (capogrupo Lega Nord na Camara dos deputados), Boso (ex-parlamentar da Lega Nord), entre outros.

Pra completar, Renzo colocou na pagina facebook da Lega Nord um jogo cujo objetivo é afundar o maior numero de barcos com os desesperados africanos que procuram entrar na Italia para fugir da guerra civil, DA MISéRIA ou da ditadura que esta em ato nos seus paises de origem.

Mais um triste fato, uma triste atrocidade nao sò para a historia italiana, mas para a historia da nossa humanidade que se auto-intitula civilizada!!!


Saiba mais no site do jornal "L'unità": http://www.unita.it/news/italia/87688/clandestini_torturali_legittima_difesa




sábado, 12 de setembro de 2009

Formula 1 (F1) - CHEIRANDO A PILANTRAGEM...

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,site-divulga-depoimento-de-nelsinho-a-fia-no-caso-renault,432603,0.htm


Veja video do acidente anexado no fim ou clique aqui


Site divulga depoimento de Nelsinho à FIA no caso Renault

Piloto é quem denunciou à FIA que o acidente no GP de Cingapura de 2008 foi proposital, por escrito

Nelsinho Piquet não confirma o documento

SÃO PAULO - Nelsinho Piquet fez uma confissão de culpa por escrito à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) no caso envolvendo o polêmico acidente no GP de Cingapura de 2008 de Fórmula 1.

O site F1SA divulgou nesta quinta-feira o documento, onde o brasileiro conta os detalhes da reunião com o chefe da Renault, Flavio Briatore, e o engenheiro-chefe, Pat Symonds, onde ficou decidido que ele precisaria bater para ajudar Fernando Alonso a vencer.

Nelsinho Piquet admitiu a veracidade do documento um dia depois, na sexta-feira. O caso está sendo investigado pela FIA. A intenção da confissão é a de não ser punido pelo caso.

Esta é a transcrição do documento, em português - o original é em inglês e está aqui.

"Eu, Nelson Ângelo Piquet, nascido em 25 de julho de 1985 em Heidelberg, Alemanha, morando atualmente em Mônaco, disse o que segue:

1. Salvo prova em contrário, os fatos e declarações contidas neste depoimento são baseadas em fatos e assuntos de meu conhecimento. Acredito que os fatos e declarações contidos neste depoimento são verdadeiros e corretos. Sempre que quaisquer fatos ou declarações não estiverem dentro de meu próprio conhecimento, eles serão verdadeiros ao melhor de meu conhecimento e crença e, se este for o caso, indico a fonte deste conhecimento e desta crença.

2. Faço esta declaração voluntariamente à FIA, a fim de permitir que ela exerça suas funções de supervisão e regulamentação no que diz respeito ao Mundial de Fórmula 1.

3. Estou ciente de que existe um acordo entre os participantes do Mundial de F-1 e todos os titulares tem sua superlicença para assegurar a justiça e a legitimidade do campeonato, e estou ciente das consequências caso forneça à FIA informações falsas ou enganosas.

4. Entendo que a minha declaração completa foi gravada áudio e que uma transcrição completa será disponibilizada para mim e para a FIA. O documento constitui um resumo dos principais pontos abordados durante minha declaração verbal.

5. Gostaria de trazer os seguintes fatos ao conhecimento da FIA.

6. Durante o GP de Cingapura, realizado no dia 28 de setembro de 2008, fui convidado pelo sr. Flavio Briatore, que é tanto meu 'manager' quanto diretor da equipe Renault, e pelo sr. Pat Symonds, diretor técnico da mesma equipe, a bater deliberadamente meu carro, a fim de influenciar positivamente o desempenho da Renault no evento em questão. Concordei com esta proposta e conduzi meu carro para acertar o muro, provocando um acidente entre as voltas 13 e 14.

7. A proposta de provocar deliberadamente um acidente me foi feita pouco antes da corrida, quando fui convocado pelo sr. Briatore e pelo sr. Symonds no escritório do sr. Briatore. O sr. Symonds, na presença do sr. Briatore, perguntou se eu estaria disposto a sacrificar minha corrida pela equipe por um safety car. Todo piloto sabe que o safety car entra na pista quando há um acidente que a bloqueia ou joga detritos, ou quando há um carro parado onde é difícil resgatá-lo, como foi o caso.

8. No momento da conversa, estava em um estado mental e emocional muito frágil. Este estado de espírito foi provocado pelo estresse intenso causado pelo fato de que o sr. Briatore se recusou a informar da existência da renovação de meu contrato de piloto para 2009, como habitualmente ocorre no meio da temporada (entre julho ou agosto). Ao contrário, o Sr. Briatore repetidamente pediu-me para assinar uma "opção", o que significava que eu não estava autorizado a negociar com outras equipes no mesmo período. Ele repetidamente me colocou sob pressão para prolongar a opção que tinha assinado, e iria me chamar regularmente em seu escritório para discutir a renovação, mesmo em dia de corrida - um momento que deveria ser apenas para concentração e relaxamento. Este esforço foi acentuado pelo fato de que, durante o GP de Cingapura, tinha me classificado em 16.º no grid, então estava muito inseguro sobre meu futuro na Renault. Quando me pediram para bater o carro e provocar a entrada do 'safety car' a fim de ajudar a equipe, aceitei porque esperava que pudesse melhorar minha posição na equipe neste momento crítico da temporada. Em nenhum momento fui informado por qualquer pessoa que, ao concordar em provocar um incidente, eu teria garantido a renovação de meu contrato ou qualquer outra vantagem. No entanto, no contexto, pensei que seria útil para alcançar este objetivo. Por isso, concordei em provocar o incidente.

9. Após a reunião com o sr. Briatore e o sr. Symonds, o sr. Symonds me puxou para um canto tranquilo e, usando um mapa, apontou-me para a curva exata da pista onde eu deveria bater. Esta curva foi escolhida porque aquele local específico não possui guindastes que permitiriam que um carro danificado pudesse ser rapidamente removido da pista, nem possui entradas laterais, o que permitiria que um fiscal pudesse empurrar rapidamente o carro para fora dela. Assim, considerou-se que um acidente neste lugar específico seria quase certo de provocar uma obstrução da pista e que, portanto, seria necessária a entrada do safety car a fim de permitir que a pista fosse limpa e para assegurar a continuidade da corrida.

10. O sr. Symonds também me disse em que volta exata, eu deveria provocar o incidente, de modo a proporcionar a meu companheiro de equipe, o sr. Fernando Alonso, uma boa estratégia, já que ele faria seu reabastecimento pouco antes da entrada do safety car, durante a 12.ª volta. A chave para a estratégia reside no fato de que o conhecimento de que o safety car entraria na pista entre as voltas 13 e 14 permitiu que a equipe fizesse no carro do sr. Alonso uma estratégia agressiva de combustível, suficiente para chegar a 12 voltas, mas não muito mais. Isso permitiria que o sr. Alonso ultrapassasse o máximo de carros possível, sabendo que os carros teriam dificuldade em recuperar o tempo perdido depois do pit stop devido à implantação posterior do safety car. A estratégia foi bem sucedida e o sr. Alonso venceu o GP de Cingapura de F-1 de 2008.

11. Durante as discussões, não foi feita qualquer menção de quaisquer preocupações no que diz respeito à segurança desta estratégia para mim, para os espectadores ou para os outros pilotos. O único comentário feito neste contexto foi realizado pelo sr. Pat Symonds, que me alertou para "ter cuidado", dizendo que não deveria me ferir.

12. Intencionalmente causei o acidente, deixando o carro sair lateralmente pouco antes da curva. A fim de me certificar que eu provocaria o acidente durante a volta certa, perguntei para a minha equipe por diversas vezes, através do rádio, para confirmar o número da volta, algo que não faria normalmente. Não me feri no acidente, nem ninguém.

13. Após as discussões com o sr. Briatore e o sr. Symonds a "estratégia do acidente" nunca foi discutida novamente. O sr. Briatore discretamente disse "obrigado" após o final da corrida, sem falar mais nada. Não sei se alguém tinha conhecimento da estratégia no início da corrida.

14. Após a corrida, informei ao sr. Felipe Vargas, amigo da família, o fato de que o acidente tinha sido intencional. O sr. Vargas ainda informou meu pai, o sr. Nelson Piquet, algum tempo depois.

15. Depois da corrida, vários jornalistas perguntaram sobre o acidente e me questionaram se eu havia feito de propósito, porque sentiram que era "suspeito".

16. Na minha equipe, o engenheiro do carro questionou a natureza do incidente, porque achou incomum, e respondi que tinha perdido o controle do carro. Acredito que um engenheiro inteligente notaria que os dados de telemetria indicariam que o acidente foi causado de propósito, já que continuei acelerando, enquanto que o "normal" seria frear o mais rapidamente possível.

Declaração de Verdade

Acredito e juro que os fatos citados nesta declaração são verdadeiros.

Este depoimento foi feito na sede da FIA em Paris, no dia 30 de julho de 2009, na presença do sr. Alan Donnelly (chefe dos comissários da FIA), sr. Martin Smith e sr. Jacob Marsh (ambos investigadores da empresa Quest, mantidos pela FIA para ajudar na investigação). As notas foram tomadas pela sra. Dondnique Costesec (Sidley Austin LLP).

Assinado:

Nelson Piquet Jr."


CADA UM TIRE SUAS CONCLUSOES SOBRE A VERDADEIRA CARA DOS ESPORTES... Na Italia e no Brasil os resultados das partidas de futebol eram resolvidos "a priori", os alemaes na época de Hitler eram dopados para parecer que a raça ariana era superior e a historia se repete.

Me vem em mente uma letra de musica: "Eu vejo o futuro repetindo o passado; eu vejo um museu de grandes novidades...." E as pessoas nao se tocam.... lalalalalalara....



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SILVIO BERLUSCONI (primeiro ministro italiano)


I) Vaticano, Mafia, Servicos secretos, Silvio Berlusconi

II) Silvio Berlusconi e seus escandalos

III) Juiz declara BERLUSCONI co-responsavel de corrupçao


IV) FECHA O CERCO A BERLUSCONI - ACUSADO DE COLABORAR E SER A REFERENCIA DA MAFIA


SILVIO BERLUSCONI (primo ministro italiano)






Berlusconi deu um "bolo" no presidente da republica italiana - Giorgio Napoletano - para passar a noite com garota de programa brasileira


Silvio Berlusconi é qualquer coisa de imaginavel. Seu curriculum judiciario é impressionante. Acredito que se possa dizer que nem mesmo Mussolini teria tantos problemas com a justiça se nao tivesse sido um ditador.

Depois de inumeras - literalmente inumeras - acusaçoes que passam por:

- corrupçao (entre as quais o primeiro processo da historia que condenou um corrupto - advogado Mills - mas nao o corruptor - Berlusconi - devido ao "Lodo Alfano" aprovado pelo seu governo)

- legislar a proprio favor para ganhar imunidade frente a justiça atraves do polemico "Lodo Alfano" e defender seus interesses economicos (é o mais rico da Italia com 3 redes de tv das 7 principais - sendo que outras 3 estatais estao nas suas maos, pois é o chefe dos ministros - jornais, revistas, ecc..) atraves da lei "Gasparri"

- associaçao mafiosa

- mandante de atentados em 92-93 que mataram os juizes anti-mafia Borsellino e Falcone...(Seria uma proeza enumerar todas as causas contra o primeiro ministro).


Mas dessa vez estamos ainda mais perto dos italianos. O Brasil com seu "encanto" maravilhou Silvio Berlusconi. Ao ponto de faze-lo cancelar um encontro com o Presidente da Republica italiana. E tudo por que? Para passar uma bela noite com a "modelo" brasileira Camilla Charao. O Brasil sempre fazendo "sucesso"!!! Que maravilha ter o orgulho de vantar-se dos ilustres brasileiros que fazem sucesso no exterior (além dos jogadores... claro.)


Fonte: Jornal do Brasil


RIO - O empresário italiano Gianpaolo Tarantini, amigo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, confirmou ontem notícias que o apontavam como organizador de 18 festas regadas a prostitutas e cocaína, a fim de obter favores do premier italiano, especialmente na disputa de contratos. A confissão do empresário divulgada pelo diário italiano Il Corriere della Sera teria sido feita ao juiz Giuseppe Scelsi.

Tarantini confirmou que entre setembro de 2008 e fevereiro de 2009, organizou festas no palácio Grazioli, em Villa Certosa, e em um spa de luxo conhecido como o Centro Messeguet de Todi, na Umbria, recrutando 30 prostitutas para ficarem à disposição de Berlusconi e outros convidados.

Entre as garotas de programa citadas, estavam atrizes, apresentadoras, modelos e até uma mulher identificada pelo jornal italiano como "a brasileira Camilla Cordeiro Charão".

De acordo com as atas dos interrogatórios judiciais em Bari, cidade de Tarantini, o empresário admitiu ter pago mil euros (cerca de R$ 2.700) a jovens para passarem a noite com Berlusconi. O empresário explicou que o seu objetivo era entrar no círculo do poder do premier.

"O recurso às prostitutas e à cocaína formam parte de um projeto dirigido a levantar uma rede de conivências no setor da administração pública, porque sempre pensei que as mulheres e a cocaína são a chave de acesso para o êxito na sociedade", lê-se numa das transcrições dos interrogatórios.

Tarantini diz que sempre quis conhecer o premier e, para isso, teve gastos consideráveis tentando ganhar sua confiança, "conhecendo seu interesse pelo gênero feminino", explicou ao juiz.

Tarantini afirma, porém, que Berlusconi não sabia que as mulheres recebiam dinheiro para manter relação sexual com ele, nem mesmo que eram pagos os gastos com deslocamento e o hotel de luxo em que ficava hospedado.

"Apresentei-as como minhas amigas e mantive silêncio sobre suas identidades", disse Tarantini, citado nas fitas. A declaração confirma a afirmação famosa do advogado de Berlusconi, Niccolò Ghedini, que afirma que o premier não cometeu nenhum delito, pois era somente um "usuário final" das prostitutas.

Durante o escândalo, Berlusconi confessou que "não era santo", mas denunciou o que chamou de uma campanha de esquerda para prejudicá-lo e já abriu processos contra vários jornais italianos e estrangeiros que divulgaram o caso.

Os escândalos custaram a Berlusconi parte do apoio que tinha entre os eleitores católicos. Atualmente, pesquisas indicam que seu índice de aprovação está próximo dos 50%, embora ele diga que tenha 70% do apoio público.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O regime da corrupçao - Lima Barreto

texto "roubado" do site http://republicadefiume.blogspot.com (muito bom)


Não gosto, nem trato de política. Não há assunto que mais me repugne do que aquilo que se chama habitualmente política. Eu a encaro, como todo o povo a vê, isto é, um ajuntamento de piratas mais ou menos diplomados que exploram a desgraça e a miséria dos humildes.

(...)

A República no Brasil é o regime da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos poderosos do dia. Ninguém admite que se divirja deles e, para que não haja divergências, há a "verba secreta", os reservados deste ou daquele Ministério e os empreguinhos que os medíocres não sabem conquistar por si e com independência.

A vida, infelizmente, deve ser uma luta; e quem não sabe lutar, não é homem.


A gente do Brasil, entretanto, pensa que a existência nossa deve ser a submissão aos Acácios e Pachecos, para obter ajudas de custo e sinecuras.

Vem disto a nossa esterilidade mental, a nossa falta de originalidade intelectual, a pobreza da nossa paisagem moral e a desgraça que se nota no geral da nossa população.

Ninguém quer discutir; ninguém quer agitar idéias; ninguém quer dar a emoção íntima que tem da vida e das coisas. Todos querem "comer".

"Comem" os juristas, "comem" os filósofos, "comem" os médicos, "comem" os advogados, "comem" os poetas, "comem" os romancistas, "comem" os engenheiros, "comem" os jornalistas: o Brasil é uma vasta "comilança".


Lima Barreto

MA CHE ITALIA!!!

I) VATICANO, MAFIA, SERVIçOS SECRETOS, SILVIO BERLUSCONI (primeiro ministro)

II) IGREJA CATOLICA

III) DEPOIMENTO DE VINCENZO CALCARA (ex-mafioso que resolveu colaborar com a justiça italiana)

IV) ITàLIA RACISTA? IMAGINA!!!

V) ITALIA- MAFIA AFUNDA NAVIOS COM LIXO RADIOATIVO !!!!

VI) PAPA - BERLUSCONI - DELL'UTRI E O PROCESSO POR ASSOCIAçAO MAFIOSA

VII) ASSASSINATO DO JUIZ Paolo Bosellino. ESTADO ITALIANO AJUDOU A MAFIA?

VIII) FILMADO HOMICIDIO DA MAFIA A NAPOLES

BRASIL

I)BRASIL, esse é o meu paìs....

II)BRASIL - a face escondida sob a mascara da violencia

BRASIL - A face escondida sob a mascara da violencia

Este foi um trabalho de pesquisa bibliografica e entrevistas realizado para a faculdade junto dos colegas Carla dos Santos Mendes e Marcus Alexandre da Costa.

Um pouco lungo, mas acredito que pode ser um pouco util para se ter outra visao do nosso Brasil. Olhar os problemas de outro angulo pode nos fazer crescer.


AS ORIGENS DA VIOLÊNCIA URBANA


RESUMO

Este trabalho demonstra a relação entre violência e educação. Aborda temas como a ética e a moral dos seres humanos, apresenta a educação como forma de extermínio da violência e salienta a necessidade das pessoas serem solidárias aos seus semelhantes de forma a encontrarem a paz e a felicidade conjunta e verdadeira.


SUMÁRIO


INTRODUÇÃO

1 GÊNESE

1.1 Do nascimento

1.2 Da trajetória

2 VIOLÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA

2.1 A arte burguesa

2.2 O papel dos pais

2.3 O papel da escola

2.4 O papel da sociedade

CONCLUSÃO

Anexo A – Violência contra professores 19

INTRODUÇÃO


Nossa sociedade vive momentos de angústia e terror. Ao sair pela manhã o retorno ao lar é duvidoso. A violência urbana está por todos os lados e não escolhe sua vítima. Ela pode ser de qualquer classe, idade ou sexo. Vive-se o caos.


Os contrastes sociais são cada vez maiores. Os pobres cada vez mais oprimidos e sem oportunidades de trabalho, educação, lazer... Os ricos, por sua vez, isolam-se atrás de grades, cercas elétricas, seguranças particulares, carros blindados e não se importam com o bem estar dos seus demais. Quanto aos governantes dos estados e da união; não desempenham suas atribuições de forma correta, moral e ética. Os interesses pessoais de parte favorecida da população são tratados com primazia aos interesses sociais.


Não vive-se nem educa-se os indivíduos adequadamente. Sentimentos como o amor e a fraternidade dificilmente são lembrados. E, quando lembrados, vêm acompanhados de hipocrisia e cinismo. É a era do salve-se quem puder.


Neste trabalho a intenção não é se ater à visão elitista e da mídia em geral de que ladrão é vagabundo e a solução é, simplesmente, colocá-lo em uma cadeia sem as mínimas condições de higiene na qual a lei predominante é a do cão. Também não tem o intuito de posicionamento à favor ou de defesa da violência dos marginais e infratores, mas, sim,

buscar a conscientização das pessoas que devem ser promovidas ações preventivas a fim de evitar que estas pessoas tornem-se merecedoras de tais adjetivos.


Procurar-se-á analisar melhor as situações que levam pessoas a praticarem a violência em centros urbanos. Primeiramente, focalizar-se-á as observações no convívio familiar e na educação dada por ela. Posteriormente, na educação e na lacuna do ensino escolar, seja ele de nível básico, médio ou superior, fornecida pelas instituições de ensino governamentais – que tem a obrigação constitucional de fornecê-la e não o fazem – e privadas. A finalidade, com isto, não é apenas remediar, mas alcançar as origens desta violência urbana e apontar soluções para as suas causas.


1 GÊNESE


Para que uma criança se torne um homem solidário, justo, fraterno, necessita de uma família estruturada que terá a responsabilidade de transmitir bons preceitos éticos e morais que servirão de alicerce por toda a sua vida. Da mesma forma estrutura-se o caráter de uma nação.


    1. 1 Do nascimento

Galvão (1997 p. 15-16) descreve:


Descobrir uma terra, ética e historicamente falando, é chegar a um lugar abandonado, sem dono, onde inexistam culturas e/ou valores sociais. Subjugar, matar, roubar, impor padrões de cultura, é praticar rapina, é conquista armada, legítimo ataque" [...] "O que foi levado para a Europa, principalmente em ouro e pau-brasil, é incalculável.


Como podemos verificar, ao contrário do que nos revelam os livros de história onde o descobrimento do nosso país é tratado como ato de coragem e bravura do povo Ibérico, fomos colonizados de forma bárbara e hostil. Se continuássemos a analogia do capítulo anterior, poderíamos afirmar que o Brasil é uma criança que nasce sendo o fruto de um roubo seguido de estupro.

2.2 Da trajetoria


No decorrer de cinco séculos, vemos sistemas sociais e políticos atenderem a interesses da classe burguesa em detrimento das necessidades mais básicas do povo.


Conforme Galvão (1997 p. 16), "Da conquista arbitrária seguiu-se a colonização violenta e a consolidação injusta, que vieram desaguar qual um fétido esgoto, no modelo sociopolítico atual, elitista, concentrador, não-solidário, fechado, corrupto, violento e excludente". Ainda, Galvão (1997 p. 17):


A pobreza no Brasil tem raízes profundas, históricas. Começa na invasão, toma corpo na colonização e na escravidão, reforça-se no coronelismo, nas oligarquias políticas, indo tudo desembocar nas revoluções promovidas pelas elites. Entretanto, enquanto se contempla o esfacelamento de nossa política, resultante de tantos fatores despidos de ética e moral, é indispensável lembrar que trazemos essas marcas desde nossa gênese histórica, e que tudo começou com uma invasão armada.


Ainda Galvão (1997 p. 14-15) cita em seu livro um fato sensacional sobre a estúpida colonização européia:

Tudo começou com os descobrimentos ... '0 brado discricionário do vigia da gávea da nau Santa Maria – 'terra à vista' - tornou-se a ata de um gesto característico de desrespeito à vida, à cultura, à propriedade e aos sistemas constituídos'. A esse respeito há um fato triste, constrangedor mas extremamente esclarecedor destas assertivas. Quando o Papa João Paulo II visitou o Peru, em 1985, recebeu, dos sobreviventes dos índios aimaras, das mãos do cacique Ramyro Reinaga, uma Bíblia bem velha, surrada. 'Nós, índios dos Andes e da América, decidimos aproveitar a visita de João Paulo II para devolver-lhe a Bíblia, porque em cinco séculos ela não nos deu nem amor, nem paz, nem justiça. Por favor, tome de novo a sua Bíblia e devolva-a aos nossos opressores, porque eles necessitam mais de seus preceitos morais do que nós, pois, desde a chegada de Cristóvão Colombo, foram impostas à América, pela força, uma cultura, uma língua, uma religião e valores próprios da Europa. A Bíblia chegou para nós como parte de um projeto cultural imposto. Ela foi a arma ideológica desse assalto colonialista. A espada espanhola, que de dia atacava e assassinava o corpo dos índios, de noite se convertia em cruz que atacava a alma índia'.

Reinaga, apud Galvão (1997 p. 15), expressou em poucas linhas toda a indignação que sua tribo carregava na alma. O povo brasileiro tido como mais civilizado que os povos indígenas, em quinhentos anos, ainda não conseguiu colocar em um livro de história sua verdadeira história. A nação segue uma educação Ibérica expansivista, exploradora, escravicionista, impiedosa com as classes desfavorecidas. Chega-se ao quadro do rico ficar cada vez mais rico e do pobre ser "promovido" a indigente.


  1. VIOLÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA


Violência, educação e cultura estão intimamente ligados entre si e às nossas vidas. É impossível se falar em violência urbana – ou qualquer tipo – sem remeter-se aos dois outros substantivos [...] "violência (população sem esperança, sem escola, sem estudo)" [...] (GALVÃO, 1997. p.62). Referindo-nos a educação nota-se que ela torna-se um sério agravante da violência quando as pessoas se vêem sem esperança devido à falta de oportunidades geradas pelos poucos (ou nenhum) anos de estudo. Ela também é cultivada desde os primeiros anos de vida dos seres humanos na família e continua nos anos acadêmicos. Já a cultura, por sua vez, generaliza e marginaliza a toda a classe pobre. Essa cultura esquece que os maiores ladrões não estão nas favelas ou vilas. Ela, costumeiramente, situa-se apenas nas mentes dos integrantes do grupo dos abonados. Estes temas abordaremos neste capítulo, bem como uma derivação especial da arte.


2.1 A arte burguesa


A atual sociedade burguesa em sua incessante busca pelo requinte e preocupadíssima com as aparências valoriza a arte de Shakespeare, Goethe, Picasso, Monet, Renoir, Mozart, Vivaldi, Bach, Schubert, porém a arte que mais lhe apraz e é útil são as "ARTEmanhas" do sofisma. Galvão (1997 p. 64) cita:

Há meses, um cronista de um jornal de Porto Alegre, perfilado aos ideais neoliberais do patrão, gastou uma página inteira para elogiar a atualidade econômica, afirmando que o pobre nunca comeu tão bem. Vejam o exercício de sofisma que ele apresentou: "um frango e um quilo de arroz custam R$ 3, e dá para alimentar seis pessoas". Esse invariável cardápio, comido durante um mês, resultaria num gasto de apenas R$ 90. À primeira vista, parece tudo bem. Tudo bem para um jornalista, que deve levantar seus R$ 15.000 / mês. Ele esqueceu-se, porém, de alguns detalhes. Noventa reais é o líquido de quem ganha salário mínimo; isso se estiver empregado. Além desse detalhe, em seu sofisma, o comunicador esqueceu-se que, para comer frango com arroz durante um mês (se é que alguém agüenta), é necessário sal, óleo, sabão para lavar panelas e pratos, e gás. A esta altura, os R$ 90 já foram para o espaço. E tem mais: um quilo de frango e um quilo de arroz dá para o almoço; não sobra para a janta. E, pelo visto, não vão tomar café da manhã. É isso que revolta. Esse cinismo dos que querem, através de panacéias sofistas, oriundas de falsas ideologias, encobrir a fome e a miséria do povo.


Vê-se no cotidiano que os fatos são narrados de forma maquiada, ou seja, eles são reportados com o intuito de ludibriar a população de menor instrução, escondendo as verdadeiras intenções das elites e dos governantes.


O psicólogo chileno Cláudio Naranjo, apud Teles (1992 p. 76), diz que: "Se queremos mudar o mundo é preciso mudar a gente que está neste mundo. E esta mudança só pode ser feita através da educação".


Esta mudança, que pode reverter o quadro que se encontra nosso país, ocorrerá quando todos tiverem acesso a uma educação de qualidade, diferente da atual.



2.2 O papel dos pais


A personalidade de uma criança se forma até os cinco anos de idade como ensinou o pai da psicanálise. Levando-se isto em consideração, a estrutura familiar torna-se de suma importância na vida. Quantos são os casos de pais bem sucedidos, graduados, com mestrados, doutorados que sabem tudo sobre a ciência, mas parece que esquecem as exigências do coração. Quantos os casos de cardiologistas renomados, com títulos que sabem como ninguém tratar das enfermidades fisiológicas do coração, entretanto são imperitos ao lidar com as enfermidades não fisiológicas deste órgão. A atenção, o carinho, o prazer da companhia, a imposição de limites na hora e na medida certa são negligenciados. Se não forem impostos limites provavelmente estas crianças serão indivíduos egoístas, sem consciência moral, sociopata incapaz de viver e construir uma sociedade fraterna.


Teles (1992 p. 11) comenta:


Uma coisa é certa: no lar, os pais não compreenderam que à liberdade corresponde a responsabilidade e que quem vive em sociedade tem que conhecer os limites que lhe são impostos naturalmente. Além disso, acostumados a uma educação vertical, simplesmente inverteram os papéis, ficando os filhos como "dominadores". Passaram, pois, os filhos a controlar os pais, principalmente com chantagens emocionais, e estes, para fugir deste controle e de qualquer responsabilidade adotaram a filosofia do "laissez faire" (deixar fazer), procurando ausentar-se o mais possível do lar.


É aqui que deve-se começar as ações preventivas já citadas. As crianças órfãs de carinho não poderão ter um bom resultado escolar. Os pais transferem suas responsabilidades, no que diz respeito à educação, à moral e à ética, às instituições de ensino e/ou professores e muitas vezes são capazes de culpar os docentes pelo resultado insatisfatório de seus filhos nos exames. Cabe aí uma reflexão, pois a criança necessita de um modelo a seguir. Alguém em quem se basear na construção de seu caráter. E estes devem ser o pai e mãe.


2.3 O papel da escola


O método de estudo brasileiro necessita de mudanças. Não basta fazer o ensino bulêmico, de memorização momentânea. Teles (1992 p. 19) afirma: [...] "acredito em uma Educação Humanística libertadora e em uma pedagogia de divergência" [...]. Os alunos devem ser instigados para que possam tirar suas próprias conclusões, pois cada um tem seu ponto de vista considerando as circunstâncias e fatos decorridos em sua vida enobrecendo, desta forma, o ensino dentro da sala de aula. Ainda Teles (1997 p. 9) "Mostram-nos o Homem como um ser racional para, mais tarde, percebermos que ele é, acima de tudo, emocional". Seria interessante, também, na questão do relacionamento, pois os alunos poderiam aprender a respeitar os demais vendo que cada pessoa possui uma trajetória com diversos problemas financeiros, sociais, sentimentais criando assim uma visão humanística. Todos alunos poderiam tirar proveito não só da vivência dos professores, mas de todos os presentes conforme fossem revelando suas experiências e dificuldades. Ainda, poderiam saber as causas que motivam determinado aluno a ser triste, daquele outro ser quieto, tímido entre outros e, ao invés de fazer gozações inúteis e idiotas, procurar compartilhar experiências tristes e boas criando uma amizade mais profunda do que aquela superficial. Isso provavelmente se refletiria no modo de se portar diante de seus iguais em uma sociedade capitalista antiética e com pouco interesse pelas dificuldades alheias.

2.4 Do papel da sociedade


Cabe a ela o mais importante e talvez difícil. Quebrar barreiras, derrubar preconceitos. O filósofo alemão Jaspers, apud Sarlet (2005 p. 20) afirma: "Eu sou na medida que os outros também são". O ser humano deve preocupar-se não só consigo, mas com todos que vivem ao seu redor. Desta forma haveria um contágio benéfico. Desejando o bem ao próximo e auxiliando-o a progredir moralmente, espiritualmente, materialmente nós estaríamos ajudando a nós mesmos. Não se pode ser realmente feliz vendo pessoas em situação de miséria. Além disso, para termos uma nação evoluída necessitamos de educação que ensine ciência e solidariedade. Uma criança de barriga vazia não consegue se concentrar para aprender quando se usam as vírgulas, qual a regra de acentuação das palavras, a tabuada, a ter um espírito solidário ela só pode se imaginar tendo algo para comer. E, neste caso, o carinho não vale de nada, pois carinho não mata a fome.


Outro fator importante é adotar o sistema de Gandhi tratando a violência com a não-violência. Em seu livro1, Morais revela o procedimento com os menores na Febem de São Paulo:


Esta é a triste e dolorosa relação das torturas e maus-tratos: 1) o pau-de-arara, em que o menor é amarrado e espancado com as mãos presas; 2) ajoelhar em grãos de milho e ficar nesta posição durante um bom tempo; 3) agressão com rodos em chuveiros; 4) violência com cassetetes de madeira camuflados com uma capa de borracha; 5) os castigos em cubículos individuais, onde a ventilação é péssima e o desespero do

menor fatalmente o leva a tentar o suicídio; 6) os espetos de varas finas que servem para espicaçar o menor em várias partes do corpo, principalmente os órgãos sexuais; 7) os choques (elétricos), em certas unidades conveniadas; 8) as drogas para acalmar os mais violentos e que paralisam as pernas evitando movimentação; 9) os espancamentos conhecidos pela terminologia "ir à missa", onde os garotos apanham nus; 10) a tática de acordar o menor de madrugada, levá-lo para uma sala isolada e aplicar-lhe surras de "aprendizado especial"; 11) isolamento em "cafuas", espécie de cadeia medieval e que em algumas unidades sempre existiram em locais subterrâneos; 12) a tática dos "telefones", que consiste em dar tapas com as duas mãos sobre os ouvidos e que leva invariavelmente a problemas de surdez para o resto da vida; 13) a tática do afogamento parcial para intimidar; 14) a tática de deixar os garotos seminus e levá-los a sessões denominadas psiquiátricas; 15) dar tapas na frente dos outros, o que leva à humilhação; 16) chamar a atenção em voz alta seguido de socos e pontapés; 17) puxar cabelos e orelhas do menor que cometeu alguma infração; 18) os estupros, com aquiescência dos funcionários; 19) o uso de chicotes para agredir; 20) a tática de vendar os olhos e espancar; 21) agredir o menor e depois isolá-lo em celas onde estrategicamente são colocados vidros para que ele tente o suicídio; 22) o uso de menores para tráfico de entorpecentes, para assaltos e com resultados repartidos; 23) 'bananinha' para dar choques elétricos, de 110 a 220 volts, no interior da pessoa" (a peça "bananinha" é introduzida no ânus).


Em outro trecho Morais (1981 p. 68) complementa:


Com sete anos, morava em Itaquera com minha mãe, meu pai e oito irmãos. Um dia fui na venda da esquina pegar o pão. Na volta, lá em casa estava tudo cercado de polícia. Eles gritaram para minha mãe e meus irmãos saírem que iam abrir fogo. Coisa do meu pai. Minha mãe custou a sair. Os garotos foram logo pra rua chorando. A polícia abriu fogo. Acertaram a mãe correndo ensangüentada até na minha frente. Depois meu pai. Levou um monte de tiros. Morreu na hora. Me lembro que um tempo depois eu estava indo pra Bahia com uns parentes meus, num trem grande, cheio de gente. Aí um cara olhou pra mim e perguntou por que eu estava chorando.


Como querer-se cobrar atitudes de seres civilizados se são tratamos como animais. Como pode um adolescente suportar tudo isso e ser um exemplo de cidadão. Ao freqüentar escolas não é de nos surpreender que tomem atitudes brutais e impensadas (Anexo A). Esta é a sociedade que deve mudar. A sociedade burra que só vê o superficial atendendo aos sofismas da burguesia neoliberal. Deve-se rever os conceitos sobre a violência. Aprofundar-se mais o entendimento sobre política e sociedade. A solução mais fácil e cômoda nem sempre é a ideal. A opressão está esperando chegar a sua vez. Aí você sentirá o que é ser oprimido, humilhado e marginalizado.



CONCLUSÃO


Concluí-se que a violência é tratada de forma errada. Não se conseguirá acabar com a violência simplesmente prendendo pessoas e pondo-as em celas como animais. Deve-se ver que um povo sem educação é um povo sem oportunidades de seguir sua vida com os próprios esforços, com dignidade. Um povo sem oportunidades é um povo sem esperança e isso torna suas vidas banais e sem valor. Com isso todas as vidas tornam-se sem valor para eles, até por que eles, dessa forma, não tem nada a perder.


Também nota-se que os verdadeiros marginais são os donos da situação. Eles cercam a população de baixa instrução junto com a fome e o descaso. Lembram-se deles apenas de quatro em quatro anos. Lhes dão uma cesta básica em troca do seu voto de confiança. Os autores da violência "primária" estão atrás da gravata e do colarinho. Em gabinetes espalhados por Brasília, São Paulo, Rio de janeiro. Estes fazem uma violência silenciosa, mas extremamente eficiente.


É necessário educar nosso povo para que eles também possam chegar, em grande número, a cargos políticos de expressão. Que possam ter discernimento na hora de votar. Que tenham consciência dos impostos que pagam, do dever que o estado tem para com eles. Também necessita de uma educação diferenciada aquele que possui condições de estudar.

Este necessita de educação humanista. Que lhe abra a sensibilidade, que o torne uma pessoa solidária e fraterna. Que lhe mostre os anseios dos oprimidos. Que lhe faça ver o mundo como sendo uma coletividade. Assim, a educação deve ser tanto para os ricos como para os pobres.


ANEXO A




quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pequena parcela - CHICO XAVIER

No meio de tantas barbaridades sò ele pra dar um sentido à vida (ao menos pra mim).


"Que eu continue a acreditar no outro mesmo sabendo de alguns valores tão esquisitos que permeiam o mundo;

Que eu continue otimista, mesmo sabendo que o futuro que nos espera nem sempre é tão alegre;

Que eu continue com a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida;

Que eu permaneça com a vontade de ter grandes amigos(as), mesmo sabendo que com as voltas do mundo, eles(as) vão indo embora de nossas vidas;


Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, sentir, entender ou utilizar esta ajuda;


Que eu mantenha meu equilíbrio, mesmo sabendo que os desafios são inúmeros ao longo do caminho;

Que eu exteriorize a vontade de amar, entendendo que amar não é sentimento de posse, é sentimento de doação;


Que eu sustente a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo, escurecem meus olhos;


Que eu retroalimente minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o sucesso e a alegria;


Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico possuo; Que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça, mesmo em meio à turbulência dos interesses;


Que eu não perca o meu forte abraço, e o distribua sempre;

Que eu perpetue a beleza e o brilho de ver, mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos;


Que eu manifeste o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia;


Que eu acalente a vontade de ser grande, mesmo sabendo que minha parcela de contribuição no mundo é pequena;

E, acima de tudo...


Que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada vida, criada por alguém bem superior a todos nós!


E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e, sim, nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós!"

domingo, 30 de agosto de 2009

AS CINCO ENTIDADES - (Cosa Nostra, 'Ndrangheta, corruptos das Instituiçoes italianas, corruptos da Maçonaria e corruptos do Vaticano)

 

No outono de 1991, quando o Dr. Borsellino era procurador em Marsala, decidi contar-lhe como era estruturada Cosa Nostra, segundo o quanto eu sabia. Queria mostrar como Cosa Nostra nao era nada mais do que uma daquelas que eu chamo cinco Entidades que, com a sua secretissima rede de conexões, ocupam e influenciam grande parte da vida política, económica e institucional italiana. Em uma das muitas reuniões com o Dr. Borsellino, lhe tinha mais uma vez externado minha preocupação com a sua vida, dizendo-lhe para colocar-se em segurança, porque só vivo poderia ser minha salvação.

 

Ele me respondeu com estas palavras: "Vicenzo, somente se tirar do teu coração aquele sentimento negativo do medo, poderas honrar a ti mesmo, a escolha que fizestes e a confiança que coloquei em ti e, porque não, também aquelas preciosas horas que tomei da minha família para dedicar-las a ti, para apoiar-te nos momentos difíceis. Lembra-te daquilo que te disse da última vez: É belo morrer por aquilo em que se acredita, e quem tem medo morre todos os dias; quem não tem medo morre uma só vez. Vincenzo, estamos no mesmo barco, não se volta atrás! Agora, conta com riqueza de detalhes tudo o acenastes sobre as Entidades e sobre a poderosa idéia. Mas saibas que quando eu for te encontrar a Roma, tudo o que me dissestes e me dizes será registrado e assinado por ti. Lembra-te que as coisas mais importantes eu escrevo sobre esta agenda e depois não poderas dizer de nao te-las dito".

 

Naquele momento eu lhe disse que me tinha sido contada com orgulho que estas cinco Entidades tinham nascido de uma poderosa e nobre Idéia e no coração desta idéia são ligadas de forma indissolúvel. Essa Idéia as nutre de valores nobres, que por sua vez se espalham nos corações e na mente dos homens que são dignos dela. Isto é o que me fizeram acreditar e em que eu sempre acreditei até que eu encontrei o Dr. Borsellino.

 

A única pessoa que eu me lembro que mencionou a existência destas cinco Entidades era Buscetta (outro mafioso colaborador de justiça, ndr). Fora dele, nenhum outro "pentito" quis falar. Na realidade, estas Entidades também podem ser pensadas como Idéias, fortes e aparentemente indestrutíveis. Por exemplo, é evidente que a idéia de um edifício é mais importante que o edifício em si: a construção pode cair, mas a sua idéia não é danificada. Quando se fala de Cosa Nostra e das outras Entidades ligadas a ela, precisa ter em mente este fato: o que conta é a qualidade dessas Idéias.

 

Aquela nobre e grande Idéia a que me referi, pode ser definida como uma Idéia-Madre que inclui no seu interior todas as cinco Idéias representadas pelas cinco Entidades. Quais são essas Entidades? Elas são:

 

1)       Cosa Nostra

2)       'Ndrangheta

3)       Pessoas "desviadas" das Instituiçoes

4)       Pessoas "desviadas" da Maçonaria

5)       Pessoas "desviadas" do Vaticano (uns 10% eu diria)

 

Estas cinco Entidades estão intimamente ligadas umas as outras, como se fossem os órgãos vitais do mesmo corpo. Têm os mesmos interesses. Primeiro de tudo, a sobrevivência. E, para sobreviver, e permanecer sempre potentes se ajudam usando qualquer meio, mesmo o mais cruel. Estas cinco Entidades foram e representam ainda hoje um incrível poder econômico, capaz de condicionar, em alguns casos, o poder político italiano,  mesmo aquele representado por pessoas limpas. Infelizmente, se criaram situações tais que o poder político italiano não pode ficar sem esses poderes ocultos. Estas cinco Entidades ocultas se fundem sobretudo quando estao em jogo interesses financeiros e económicos, condicionando, assim, a Itália a nível de política e instituições.

 

Existe uma regra fundamental: cada Entidade é completamente autonoma. Nenhuma Entidade pode interferir em questões de outra Entidade. As regras que são aplicadas são quase idênticas aquelas de Cosa Nostra. Exemplo: Se dentro de Cosa Nostra um homem de honra é "deitado", em uma outra entidade se diz "é em repouso" ou "dorme" (significados já explicados antes). Em qualquer caso, a essencia não muda. 

 

Mas como sao estruturadas no especifico?

 

Bem. No topo de cada Entidade existe uma Comissão, representada por não mais de 12 pessoas.

Cada comissão é dirigida por um triunvirato (associação política entre três homens, ndr), composto pelo Chefe Absoluto e duas outras pessoas que, no que diz respeito a força e poder, não são menos do Cabo Absoluto. O triunvirato controla os chamados Soldados, pessoas reservadissimas que se reúnem entre si de acordo com as ordens dadas pelo "triunvirato". É importante entender que, dentro de cada Comissão, apenas o triunvirato é ciente da existência das outras Idéias. Todos os outros, mesmo dentro da própria Comissão, são ignorantes de tudo e a única coisa que eles podem fazer é trocar informações, mas sem serem capazes de compreender a vastidão das ligaçoes.


Acontece, no entanto, como é natural, que, a um certo ponto, chegue o fim de um triunvirato. Então, estao ja prontas as "pessoas-sombra", que substituirao os membros do triunvirato após a morte. Cada membro do triunvirato escolhe a sua própria "sombra" (também pode ser um Chefe família qualquer) e a prepara para que esteja pronta para assumir seu lugar. Na verdade, não só os componentes do triunvirato, mas cada membro da Comissão tem a sua própria sombra. É uma tradição transmitida ao longo do tempo. Assim como um advogado, depois criarà um filho advogado. É como um clone.

 

Infelizmente, é uma questão bastante delicada e do maior segredo e eu não fui capaz de entender por quem são "construídas" essas sombras, prontas para a sucessão.

Os cinco triunviratos, que lideram as cinco Entidades, entre eles estão ligados e formam a chamada Super Comissão, aquela que eu chamava de Idéia-Madre. Naturalmente, cada pessoa da Comissão Suprema tem o direito e o dever de escolher-se uma sombra. No vértice dessa Super Comissão, composta por 15 pessoas (três para cada Entidade), há um outro triunvirato, uma espécie de Super Triunvirato, a qual toda a Super Comissão deve estar sujeita para as decisões finais. Os componentes desse Super Triunvirato são eleitos por voto secreto e comandam à vida. A função desta Super Comissão é garantir os direitos e a autonomia das cinco Entidades, incluindo, naturalmente, a Entidade Cosa Nostra.

 

Serao uns vinte ao todo, os "pentiti" que conhecem esta Super Comissão, mas não querem falar. Eu não posso acreditar que todos os "pentiti", a parte Brusca e Cancemi, não conheçam nada além ou de fora de Cosa Nostra. Entre eles tem alguém que sabe. Mas eles têm medo de falar porque acreditam que, não falando, salvarao suas vidas.

 

Sei, com certeza, que alguns membros da Suprema Comissão participaram da redação da Constituição Italiana, obviamente junto com muitos outros homens honestos que, porém têm medo de oporem-se por que intuem o perigo.

 

 

Cosa Nostra

 

O braço mais armado de todas as Entidades é aquele de Cosa Nostra. Nisso nao està atras de ninguém.

Até agora, as instituições têm sempre, e somente, golpeado a Entidade Cosa Nostra, que, porém é apenas o braço armado de uma Idéia maior, a Idéia-Madre.

Os milhares e milhares de homens de honra que compõem Cosa Nostra sao como um exército, estão enraizados no território e, inevitavelmente, reduzem a Sicília a uma terra atormentada. Provocam medo no povo siciliano e impoem a cultura do silencio (omertà em italiano). Toda criança nascida na Sicília nao pode evitar de respirar aquela cultura da morte que Cosa Nostra impoe com a força.

 

 

Pessoas "desviadas" das Instituiçoes

 

A Entidade das pessoas "desviadas" das Instituiçoes está enraizada em todo o território italiano. É composta de políticos, serviços secretos, magistrados, juízes e sub-oficiasis dos "carabinieri" (especie de policia-militar italiana), polícia e exército. As Idéias de Cosa Nostra e das pessoas "desviadas" das Instituiçoes sempre foram ligadas. Um exemplo é o assassinato de Salvatore Giuliano. Esta Entidade tem homens de grande qualidade, preparados, treinados e prontos a causar grandes danos a qualquer um. Esses homens nao ficam atras dos Soldados de Cosa Nostra e são chamados Gladiadores.

 

(ndr: Famoso gladiador foi Bruno Contrada, condenado por associaçao mafiosa e ex-chefe do SISDE siciliano – serviço (secreto) para as informaçoes e a segurança democratica)

 

São homens de muita reserva e de grande importância, uma vez que juraram servir fielmente o Estado, mas na verdade seu juramento é absolutamente falso. Aos olhos dos seus colegas limpos, que felizmente são a maioria, parecem muito limpos e, com engano, demonstram lealdade às instituições. Sao um Estado dentro do Estado.

 

 

Pessoas "desviadas" da Maçonaria

 

O mesmo se aplica para a Entidade da Maçonaria, que também está intimamente ligada as pessoas "desviadas" das Instituiçoes. Esta Entidade da Maçonaria desviada, dentro da Maçonaria limpa, tem um grande poder e enormes riquezas e, inevitavelmente, quem exerce o poder em Itália devem entrar em acordo com a Maçonaria. Esta Entidade foi criada em torno de 1866 sem o conhecimento do Rei por um maçom ilustre, o Conde Camillo Benso di Cavour.

 

 

Pessoas "desviadas" do Vaticano

 

Dentro do Vaticano também tem uma Idéia. A Entidade das pessoas "desviadas" das instituiçoes do Vaticano também está bem estabelecida no território italiano. É composto de bispos, cardeais e nuncios apostolicos (especie de embaixador do Vaticano, ndr). Também eles aos olhos de outros bispos e cardeais, felizmente a maioria (mas no passado em minoria) parecem limpos e fiéis a Jesus Cristo e ao Papa.

Na verdade sao demônios disfarçados de santos, que exploram a boa fé de muitas pessoas.

Com um método secreto que só eles conhecem e graças à sua inteligência diabólica, embora em minoria, quase sempre conseguem enganar e manipular aqueles bispos e cardeais que realmente servem com devoção e humildade à Igreja.

 

Sei que, a nível nacional, existem alguns Cardeais de prestígio soltos para colocar na mente do povo italiano a crença de que a máfia não existia e que era apenas uma invenção dos comunistas. Sua intenção era orientar milhões de pessoas para votar no "Escudo Cruzado", a Democracia Cristiana (DC). Acredito que na ex-DC aqueles que faziam parte dessas Idéias não superavam 10-15%. Posso dizer com certeza que cerca de 80% não fazia parte, enquanto os restantes 20% eram uma incognita.

 

O Bispo Marcinkus, que mencionei muitas vezes, como era americano não podia fazer parte da Entidade. Ele era simplesmente um instrumento do Cardeal Macchi e do notário Albano, que exploraram suas habilidades em gestir o I.O.R. (Istituto Obras Religiosas, ndr) e suas conhecimentos a nível internacional. Obviamente exploravam especialmente sua ingenuidade. No Banco do Vaticano passaram milhares e milhares de bilhões pertencentes as cinco Entidade ocultas, incluindo Cosa Nostra (conecta-se a sentença de absolvição pela reciclagem daqueles famosos 10 bilhões). Esse dinheiro era reciclado e, uma vez limpos, reinvestidos. Ao notário Albano, na qualidade de notário, eram confiados muitos bens imoveis (terra, vilas, fazendas, mansões) que eram colocados no nome de Cardeais e Bispos, mas também em nomes de homens da Cosa Nostra, da Maçonaria, da politica e também de parentes e amigos que faziam o papel de intermediário ("laranja", ndr). 

 

Tudo o que digo eu digo com a certeza que ninguém poderà demonstrar que é falso.

Se quiser, basta que se controlem todos os atos que o notário Albano fez em sua vida. O Dr. Borsellino soube verificar o que eu digo. Essas verificaçoes ele escreveu na sua agenda vermelha!

 

(agenda que sumiu misteriosamente da cena do crime quando do atentado realizado na"Via D'Amelio" em 19 de julho de 1992 e que tirou a vida do juiz anti-mafia Paolo Borsellino, ndr) 



CLIQUE ABAIXO PARA IR AO INDICE DO DEPOIMENTO DO EX-MAFIOSO VICENZO CALCARA

http://listap2.blogspot.com/search/label/Mafia

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PALAVRAS DO PAPA BENTO XVI

fonte: jornal A Republica

http://www.repubblica.it/2007/09/sezioni/cronaca/conti-della-chiesa/conti-della-chiesa/conti-della-chiesa.html

"L'otto per mille (ndr imposto versado a igreja muitas vezes sem conhecimento do contribuinte), as escolas, os hospitais, os professores de religiao (ndr escolhidos sem concurso pelo vaticano, mas pagos pelos contribuintes) e os grandes eventos.
Todo ano, do Estato italiano, chegam as estruturas eclesiasticas cerca de 4 BILHOES DE euro"




"O clero é vítima da ilusoria equação da mídia: "a visibilidade é igual a consenso", como seu gêmeo separado, a classe política. Na vida real, na verdade, o perigo de uma terrível profecia lançada há três décadas por um teólogo progressista: "A Igreja está se tornando para muitos o principal obstáculo para a fé. Eles não conseguem mais ver nela nada mais que a ambição humana pelo poder, o pequeno teatro de homens que, com sua pretensão de administrar o cristianismo oficial, parecem mais obstacolar o verdadeiro espírito do cristianismo ". Aquele teólogo se chamava Joseph Ratzinger". (Papa Atual!!!)


NB. Nada contra os catolicos ou qualquer outra religiao. Mas tudo contra o clero que, assim como a Igreja Universal, ilude as pessoas de boa fé! Abram os olhos antes que a vida passe. Deus està dentro de cada um e nao em monumentos... Cada um tem o seu livre arbitrio, mas eu acredito que um pensamento bom vale muito mais que uma oferta...!!!

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L'otto per mille, le scuole, gli ospedali, gli insegnanti di religione e i grandi eventi
Ogni anno, dallo Stato, arrivano alle strutture ecclesiastiche circa 4 miliardi di euro



"Il clero è vittima dell'illusoria equazione mediatica "visibilità uguale consenso", come il suo gemello separato, il ceto politico. Nella vita reale rischia d'inverarsi la terribile profezia lanciata trent'anni fa da un teologo progressista: "La Chiesa sta divenendo per molti l'ostacolo principale alla fede. Non riescono più a vedere in essa altro che l'ambizione umana del potere, il piccolo teatro di uomini che, con la loro pretesa di amministrare il cristianesimo ufficiale, sembrano per lo più ostacolare il vero spirito del cristianesimo". Quel teologo si chiamava Joseph Ratzinger."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

VATICANO, MAFIA, SERVIçOS SECRETOS, SILVIO BERLUSCONI (primeiro ministro)


Caso juiz Borsellino: máfia executou a chacina em aliança a serviços secretos italianos


fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/07/22/ult581u3375.jhtm


Em 19 de julho de 1992 o juiz antimáfia Paolo Borsellino foi assassinado junto com seus cinco guarda-costas por um carro-bomba carregado com 100 quilos de dinamite. A bomba explodiu na Via Mariano D'Amelio em Palermo, quando o magistrado ia visitar sua mãe.

Dois meses antes, e apenas alguns dias depois do assassinato de seu amigo e colega Giovanni Falcone, Borsellino tinha falado em uma entrevista à RAI sobre as relações entre a Cosa Nostra e os industriais de Milão, citando os nomes de Marcello Dell'Utri, condenado depois por associação mafiosa, e Silvio Berlusconi, chefe e parceiro político do anterior.

Agora, 17 anos depois de sua morte, os magistrados sicilianos reabriram o caso depois de encontrar documentos e depoimentos que indicam que a máfia executou a chacina em aliança com os serviços secretos.

O "capo dei capi", Totò Riina, preso na penitenciária de Opera (Toscana) e condenado à prisão perpétua por, entre outros, os assassinatos de Falcone e Borsellino, acaba de romper um hermetismo de 17 anos e confirmou essa versão. Informado pelos jornais do novo rumo da investigação judicial, o "padrinho" de Corleone contou no sábado a seu advogado sua verdade: "Eles o mataram", disse. E acrescentou: "Não olhem sempre só para mim, olhem também vocês o que têm dentro".

Na tradução de seu advogado, Luca Cianferoni, Riina afirma que o assassinato de Borsellino foi um crime de Estado. A afirmação reforça as suspeitas das promotorias de Caltanissetta e Palermo, que reabriram uma investigação que parecia sepultada graças às revelações de dois novos arrependidos, Giovanni Brusca e, principalmente, Massimo Ciancimino.

O segundo é o filho do falecido chefe e convicto Don Vito Ciancimino, um corleonês que foi prefeito democrata-cristão (corrente andreotista) nos anos 1970 e que, segundo revelou o recente livro "Vaticano S.P.A", do jornalista Gianluigi Nuzzi, recebia dinheiro da máfia através do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano.
Durante seu mandato, Don Vito construiu uma nova Palermo e levou para o túmulo um tesouro de milhões de euros. Acusado de reciclar essa fortuna, Ciancimino filho tentou se safar confessando a origem de alguns papéis cruciais que seu pai guardava.

Em um deles, que parece estar rasgado na metade superior, a Cosa Nostra ameaçava Silvio Berlusconi com um "fato funesto" (o sequestro de um de seus filhos) se não pusesse a sua disposição um canal de televisão que cuidasse de seus interesses. Segundo Ciancimino, a nota foi escrita pelo chefe Bernardo Provenzano, embora ele a tenha visto inteira e não rasgada: "Nesta história há algo maior que eu", ele disse, acrescentando que Provenzano enviou para Berlusconi mais duas cartas através de seu pai e de Dell'Utri.

Outro dos papéis, que Ciancimino atribui ao próprio Riina, provaria que o assassinato de Borsellino foi consequência de uma negociação entre a máfia e dois chefes dos serviços secretos.

Riina, com a credibilidade que se possa dar ao mafioso mais impiedoso e sanguinolento da história, não demorou 48 horas para aparecer em cena: negou que fosse ele quem tratou com o Estado, mas disse que essa negociação existiu e que os negociadores foram os assassinos.

Os irmãos do juiz Borsellino também acreditam nessa versão, que sempre foi uma espécie de segredo aberto. No sábado, Rita e Salvatore Borsellino encabeçaram uma manifestação de protesto que terminou diante do Castillo Utvegio, sede dos serviços secretos em Palermo.
"Hoje finalmente, depois de anos de trevas, a luta que as promotorias de Caltanissetta e Palermo estão realizando vai finalmente pelo caminho justo", disse Salvatore Borsellino.

Ao grito de "Resistência, a agenda vermelha existe", cerca de 300 pessoas exigiram que apareça o caderno vermelho de Paolo Borsellino. A caderneta continha o que o juiz sabia. Acredita-se que foi recolhida por um policial no dia da chacina. Ninguém teve notícias dos dois desde então.

Rita Borsellino, eurodeputada pelo Partido Democrático, se pergunta por que todas essas pistas vêm à luz 17 anos depois. "Tenho muitas dúvidas, mas não acuso ninguém", diz.

Se conhecerá algum dia a verdade ou as verdades? No domingo, a manifestação do aniversário foi reveladora. Quase não foi ninguém, e não se viu um só político nacional. O único representante do Estado foi o promotor antimáfia Piero Grasso. E isso que trabalho não lhe falta. O arrependido Ciancimino declarou na televisão: "Tenho medo, claro que tenho medo. Cada vez que falo, Riina sai do esconderijo".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves