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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Assassinato do juiz Boselino. Estado Italiano ajudou a Máfia?



Existem crimes apenas parcialmente elucidados. O tempo passa, os autores matérias são identificados, presos e condenados. Mas, não se dissipa a certeza de que uma nuvem escura encobre os mandantes do crime.

Ontem, 19 de julho, centenas de crianças deixaram as escolas para praticarem, defronte da palermitana Via d´Amélia, o "jogo da legalidade". Há 15 anos, a máfia, naquele lugar, dinamitou o magistrado Paola Boserselino, de 51 anos, e cinco policiais da sua escolta.

Para recordar os 15 anos dos assassinatos, duas estatuas em bronze foram colocadas na Via d´Amelio.

Uma das estatuas é do magistrado Paolo Boserlino, morto em 19 de julho de 1992. A outra, do seu colega de profissão e amigo Giovanni Falcone. Falcone foi morto pela Máfia em 23 de maio de 1992, ou seja, 57 dias antes de Borselino: vide post abaixo sobre a tragédia

Com efeito. Ontem, 15 anos após, abriu-se uma nova investigação. O foco: "quem estaria por trás da máfia" ?

Alguns fatos levaram às novas invstigações. Vou enunciar os principais:

1)
Borselino, 28 anos de carreira, fora designado para o ocupar o posto de Falcone, depois do assassinato de 23 de maio de 1992.

Como sabia que seria o próximo alvo, começou a escrever um diário: Agenda Rossa (Agenda Vermelha).
Na agenda, fazia avaliações e mostrava como se moviam os políticos e empresários envolvidos com a Máfia.

Também desconfiava-- e com razão—do envolvimento de 007 do serviço secreto italiano com a Máfia. Ou melhor, com 007 do Sismi, órgão de espionagem militar do Estado italiano.

Naquele 19 de julho fatídico, a pasta de Borselino foi apreendida dentro do automóvel oficial que lhe tinha transportado.

Posteriormente, a pasta de trabalho acabou entregue à família, que denunciou, de imediato, a falta da Agenda Vermelha.

Bruno Contrada- 007 do Estado a serviço da Máfia.



A referida agenda, como apurado, foi furtada. Isto logo depois da explosão do automóvel Fiat, estacionado defronte ao prédio de apartamentos onde morava a mãe de Borselino.

Parêntese Na Fiatt, 100 kg de dinamite, acionados à distância por um supermoderno sistema de detonagem à distância.

A Máfia não dominava essa tecnologia de detonagem a quilômetros de distância. Basta atentar que, 57 dias antes e quando da explosão que matou o juiz Falcone, o aparelho de acionamento remoto era rudimentar e com poucos de metro de alcance.

Parentese fechado, sem deixar de frisar que o Simi e os seus 007 sempre utilizarm ecnologia de ponta.

2)

Depois da morte de Borselino restou processado e condenado definitivamente Bruno Contrada. E ele era um 007 do Sismi (órgão de espionagem militar do Esado italiano). Contrada mudou de lado. Como agente de inteligência, trabalhou para a Máfia, transmitindo informações do Estado.

3)

Os mafiosos que se tornaram colaboradores de Justiça informaram, -- nos autor processuais e na condição de testemunhas-- ter ocorrido uma mudança nos planos mafiosos, depois da eliminação do juiz Falcone, em 23 de maio de 1992.

Referidos "pentiti" (arrependidos), declararam que, de repente e para atender uma emergência, a cúpula mafiosa começou, às pressas, a elaborar um projeto para matar Borselino.

Os colaboradores,-- ex-mafiosos--,deixaram claro que a cúpula mafiosa (órgão de governo) atendeu a pedido que partiu de fora dessa organização criminosa.

Falcone e Borselino.


















Como se percebe e para voltar à expressão empregada no início deste "post", nuvens escuras continuam a impedir que se cheguem a outros mandantes do bárbaro e ousado crime.

Não se deve esquecer, para se ter idéia das relações da Máfia com a política, da condenação definitiva por associação mafiosa de Giulio Andreotti. Ele foi sete vezes primeiro ministro da Itália: só não está na cadeia porque os crimes prescreveram. Atualmente, Andreotti, de mais de 80 anos, é senador vitalício.



testo de Wálter Fanganiello Maierovitch retirado do site http://www.ibgf.org.br/

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

PAPA - BERLUSCONI - DELL'UTRI E O PROCESSO POR ASSOCIAçAO MAFIOSA

http://farm3.static.flickr.com/2267/2071906366_80293b69d1.jpg

Que Deus os abençoe... por que acho que nem o diabo seria capaz com a concorrencia...




fonte: http://maierovitch.blog.terra.com.br/ (site do jurista e professor Wálter Fanganiello Maierovitch)


“Sobre cavalos, ele não entendia nada”, disse o procurador de Justiça que atua junto à Corte de Apelação de Palermo a respeito do “cavalariço” Vittorio Mangano, um mafioso de ponta contratado, de 1973 a 1975, para cuidar do valioso plantel de cavalos do haras de luxo de Sílvio Berlusconi, na sua fazenda em Arcore (norte da Itália).

“Não entendia de cavalos”, virou a frase-piada carimbada no premier Silvio Berlusconi na última sexta-feira, tão logo ele retornou dos EUA, onde, no palácio de vidro das Nações Unidas em Nova York, procurou a ribalta e só conseguiu destaque de canto de página. Isto em razão de ter passado alguns minutos preso no elevador do célebre hotel Waldorf Astorias, por problemas técnicos.

Na Corte de Apelação de Palermo tramita um processo por associação mafiosa contra o senador siciliano Marcello Dell´Utri, amigo fraterno de Berlusconi, co-fundador com ele do partido Forza Itália e seu exclusivo correspondente na Sicília.

Por sentença de primeiro grau, o senador berlusconiano Marcello Dell´Utri está condenado a 9 anos de prisão por associação à Máfia.

Sexta feira, na Corte de Palermo, o procurador de Justiça Antonino Gatto lembrou ter sido Dell´Utri a indicar o mafioso Mangano para trabalhar para Berlusconi na fazenda de Arcore.

Só para lembrar, Mangano foi condenado à prisão perpétua por ser mafioso e responsável por dois homicídios perpetrados a mando da Cosa Nostra: ele morreu em 2000, com um câncer no cérebro.

Gatto lembrou que Dell´Utri era o braço direito de Berlusconi para negócios na Sicília: “Mangano era o símbolo vivo de como a Cosa Nostra tutelava Berlusconi”. E acrescentou Gatto: “Mangano foi chamado para cultivar interesses diversos para os quais foi oficialmente contratado”.

No final da sua manifestação perante a Corte de Apelação de Palermo, indagou o procurador: - “O que fazia um cavalariço de fachada e mafioso na fazenda de Berlusconi em Arcore ?”

Numa investigação conduzida pelo magistrado Paolo Borsellino, — dinamitado pela Máfia em 1992–, figurava Vittorio Mangano. Para Borsellino ele era o “testa de ferro” que cuidava dos negócios da Cosa Nostra no norte da Itália. Esse juízo de Borsellino foi lembrado pelo magistrado Gatto, em função de representante do ministério Público.

Apesar do odor de máfia a impregnar em Berlusconi no momento, ele conseguiu, antes de o papa Ratzinger embarcar para Praga, agendar um encontro.

Sem saber o que dizer, Berlusconi, ontem, foi logo dizendo: - “Santidade, trago-lhe um afetuoso abraço do presidente Barack Obama”.

Com um cinismo nada cristão, Ratzinger emendou: - “Presidente (do Conselho de Ministros), que alegria em encontrá-lo”.

PANO RÁPIDO. Como não mais está entre nós, só podemos imaginar que tenha ficado o mafioso Mangano, –que em vida nunca montou ou tratou de cavalos–, admirado com o diálogo entre Berlusconi e o papa Bento XVI.

Nem Totó Riina, o encarcerado “capo-dei-capi” (chefe dos chefes) da Máfia poderia imaginar um trato diplomático igual.


domingo, 27 de setembro de 2009

ITALIA- MAFIA AFUNDA NAVIOS COM LIXO RADIOATIVO !!!!

Polícia italiana 'acha corpos' em navio que pode ter lixo radioativo

Nave dei veleni, l'allarme all'Ue "Il pericolo va oltre la Calabria"
foto navio (jornal La Repubblica)


Investigadores na Itália afirmaram que podem ter encontrado dois corpos a bordo de um navio que teria sido afundado por membros da máfia e pode também conter lixo nuclear.

Uma câmera submarina usada para examinar o navio, que está a uma profundidade de 500 metros na costa sudoeste da Itália, também mostrou barris da cor laranja, com a palavra "tóxico" escrita neles.

As autoridades afirmam que acreditam que o navio pode ter sido afundado pela máfia calabresa como parte de um plano para lucrar com a indústria do lixo.

O cargueiro foi descoberto depois que um informante da máfia disse às autoridades que ele estava envolvido em uma operação para destruir navios que continham lixo nuclear e outros tipos de dejetos.

'Lucro milionário'

Promotores locais afirmam que é possível que parte da tripulação não soubesse da intenção de afundar a embarcação ou então foi morta pela máfia.

As autoridades afirmam que só poderão ter certeza quando o navio for resgatado.

O informante da máfia, por sua vez, afirma que ele afundou pessoalmente dois outros navios e que também sabia a respeito de pelo menos outros 30 navios sabotados pela máfia.

O homem, que atualmente está em prisão domiciliar, disse durante interrogatório que o lixo tóxico veio de companhias farmacêuticas italianas e europeias e que a máfia recebeu entre US$ 2 milhões (cerca de R$ 3,6 milhões) e US$ 20 milhões (cerca de R$ 36 milhões) para afundar os navios.



Abaixo o mapa do crime. As bolinhas indicam naves descobertas (da notar que a primeira nave afundada é de 1979!!!). Os "X" sao afundamentos suspeitos.

Fonte mapa: La Repubblica

(veja mapa completo em http://www.repubblica.it/popup/2009/affondamenti/01.html)



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

RODEIOS

Assim como acontece seguido nos circos nos quais levamos nossas crianças, nos rodeios a situaçao nao é diferente. Comprove voce mesmo, assistindo o video, como sao considerados os animais. Veja o que nao aparece - ou o que nao fazem aparecer - nos "espetaculos", tire suas proprias opinioes e, sobretudo, pense bem antes de querer parecer bacana indo a "Barretos" (rodeio de Barretos)!!!



video

terça-feira, 22 de setembro de 2009

INTEL MULTADA por comportamento desleal (com a ajuda de HP, DELL, NEC e LENOVO)


Antitrust diz que Intel afetou e prejudicou o mercado economico com seu poder economico, prejudicando concorrentes - em especial AMD - com suas chantagens feitas a HP, DELL, LENOVO, NEC e a redes de distribuiçao come Media Saturn Holding. Assim fazendo, Intel disturbou a livre concorrencia e, de consequencia, prejudicou os consumidores. Se fossemos conscientes e inteligentes boicotarìamos Intel....


Materia abaixo do site:
http://idgnow.uol.com.br/mercado/2009/05/13/entenda-o-processo-da-uniao-europeia-contra-a-intel/


São Paulo - Investigações começaram em 2000 e resultaram em processo judicial só em 2007. Fabricante tentou adiar audiências várias vezes.

Nesta quarta-feira (13/05), a União Europeia aplicou uma multa recorde à Intel de 1,06 bilhão de euros, pela prática de truste dentro do bloco econômico. A fabricante de processadores é acusada de conceder descontos para grandes compradores - como governos e universidades - e de pagar redes de varejo para retirar das lojas produtos equipados com processadores da rival AMD.

Leia também
> UE multa Intel em 1,06 bilhão de euros
> Intel promete recorrer

O processo, porém, vem se desenrolando desde muitos antes. As primeiras investigações aconteceram em 2000, mas foi só em julho de 2007 que a UE acusou formalmente a maior fabricante de chips do mundo de conceder “descontos substanciais” a empresas de computadores em troca de que estas comprassem grandes volumes de seus processadores.


intel-em-numeros.gif


Em janeiro de 2008, a Intel respondeu às acusações da UE, pedindo audiências fechadas com seus conselheiros para se defender das acusações, com o prolongamento do prazo inicialmente oferecido para a fabricante.

Em julho de 2008, a Comissão Européia apresentou novas acusações antitruste contra a Intel. Nessa segunda fase do processo, foram iniciadas as investigações sobre práticas de mercada voltadas a tirar a rival Advanced Micro Devices (AMD) de varejos da Europa. Uma das acusações que pesam contra a fabricante de processadores é de que ela teria pago à rede Media Markt para deixar de vender produtos da rival.

Três meses depois, em outubro, a empresa entrou com uma ação contra a Comissão Europeia, órgão responsável por fiscalizar a competição dentro do bloco econômico, alegando que o órgão grupo falhou em obter "evidências documentadas" sobre as acusações do caso. A Intel exigiu que as decisões da Comissão fossem anuladas. Sem sucesso, a companhia disse que a ação antritruste da União Européia era “discriminatória e parcial”.

Pouco depois, a Intel tentou adiar a audiência referente à investigação antitruste realizada contra a companhia pela Comissão Europeia. Mas, no começo deste ano, a Corte de Primeira Instância de Luxemburgo, onde o processo tramita, rejeitou o pedido da fabricante de chips. A decisão de punir a Intel com uma pesada multa foi anunciada neste mês de maio, com o valor da multa, de 1,06 bilhão de euros, sendo anunciado nesta quarta-feira.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ITALIA RACISTA? IMAGINA!!!


Pode parecer mentira. Pode parecer surreal, mas INFELIZMENTE nao é. Na Italia, parte dos seus cidadaos parecem que esqueceram das suas raìzes e da sua historia de imigraçoes ocorridas verso todas as direçoes do mundo. Nao raras vezes ouvi italianos se orgulharem de seu passado desbravador, explorador, em sintese, de imigrantes. Hoje, porém, como as coisas nao vao a seu favor, tornaram-se inexplicavelmente RACISTAS. Obviamente nao se trata da maioria da populaçao, mas o chocante é que se trata de um partido que atualmente faz parte da maioria do governo e, em muitas vezes, consegue chantagear o governo liberalista berlusconiano (note-se que esse ultimo parece aceitar sem muita relutancia!).

Tempos atras apareceu no site facebook do partido "Lega Nord" (liga norte) um cartaz com os dizeres: "Immigrati clandestini. Torturali! È legittima difesa", ou seja Imigrantes clandestinos. Tortura-los! é legitima defesa".




Certo que um pode pensar "ah tudo bem.. se trata apenas de um site facebook. Essa gurizada de hoje é assim". Mas o que vale salientar é que a este site eram inscritos diversos integrantes do partido como Umberto Bossi (ministro do governo berlusconie e chefe do referido partido) e seu filho Renzo. Além de Cota (capogrupo Lega Nord na Camara dos deputados), Boso (ex-parlamentar da Lega Nord), entre outros.

Pra completar, Renzo colocou na pagina facebook da Lega Nord um jogo cujo objetivo é afundar o maior numero de barcos com os desesperados africanos que procuram entrar na Italia para fugir da guerra civil, DA MISéRIA ou da ditadura que esta em ato nos seus paises de origem.

Mais um triste fato, uma triste atrocidade nao sò para a historia italiana, mas para a historia da nossa humanidade que se auto-intitula civilizada!!!


Saiba mais no site do jornal "L'unità": http://www.unita.it/news/italia/87688/clandestini_torturali_legittima_difesa




sábado, 12 de setembro de 2009

Formula 1 (F1) - CHEIRANDO A PILANTRAGEM...

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,site-divulga-depoimento-de-nelsinho-a-fia-no-caso-renault,432603,0.htm


Veja video do acidente anexado no fim ou clique aqui


Site divulga depoimento de Nelsinho à FIA no caso Renault

Piloto é quem denunciou à FIA que o acidente no GP de Cingapura de 2008 foi proposital, por escrito

Nelsinho Piquet não confirma o documento

SÃO PAULO - Nelsinho Piquet fez uma confissão de culpa por escrito à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) no caso envolvendo o polêmico acidente no GP de Cingapura de 2008 de Fórmula 1.

O site F1SA divulgou nesta quinta-feira o documento, onde o brasileiro conta os detalhes da reunião com o chefe da Renault, Flavio Briatore, e o engenheiro-chefe, Pat Symonds, onde ficou decidido que ele precisaria bater para ajudar Fernando Alonso a vencer.

Nelsinho Piquet admitiu a veracidade do documento um dia depois, na sexta-feira. O caso está sendo investigado pela FIA. A intenção da confissão é a de não ser punido pelo caso.

Esta é a transcrição do documento, em português - o original é em inglês e está aqui.

"Eu, Nelson Ângelo Piquet, nascido em 25 de julho de 1985 em Heidelberg, Alemanha, morando atualmente em Mônaco, disse o que segue:

1. Salvo prova em contrário, os fatos e declarações contidas neste depoimento são baseadas em fatos e assuntos de meu conhecimento. Acredito que os fatos e declarações contidos neste depoimento são verdadeiros e corretos. Sempre que quaisquer fatos ou declarações não estiverem dentro de meu próprio conhecimento, eles serão verdadeiros ao melhor de meu conhecimento e crença e, se este for o caso, indico a fonte deste conhecimento e desta crença.

2. Faço esta declaração voluntariamente à FIA, a fim de permitir que ela exerça suas funções de supervisão e regulamentação no que diz respeito ao Mundial de Fórmula 1.

3. Estou ciente de que existe um acordo entre os participantes do Mundial de F-1 e todos os titulares tem sua superlicença para assegurar a justiça e a legitimidade do campeonato, e estou ciente das consequências caso forneça à FIA informações falsas ou enganosas.

4. Entendo que a minha declaração completa foi gravada áudio e que uma transcrição completa será disponibilizada para mim e para a FIA. O documento constitui um resumo dos principais pontos abordados durante minha declaração verbal.

5. Gostaria de trazer os seguintes fatos ao conhecimento da FIA.

6. Durante o GP de Cingapura, realizado no dia 28 de setembro de 2008, fui convidado pelo sr. Flavio Briatore, que é tanto meu 'manager' quanto diretor da equipe Renault, e pelo sr. Pat Symonds, diretor técnico da mesma equipe, a bater deliberadamente meu carro, a fim de influenciar positivamente o desempenho da Renault no evento em questão. Concordei com esta proposta e conduzi meu carro para acertar o muro, provocando um acidente entre as voltas 13 e 14.

7. A proposta de provocar deliberadamente um acidente me foi feita pouco antes da corrida, quando fui convocado pelo sr. Briatore e pelo sr. Symonds no escritório do sr. Briatore. O sr. Symonds, na presença do sr. Briatore, perguntou se eu estaria disposto a sacrificar minha corrida pela equipe por um safety car. Todo piloto sabe que o safety car entra na pista quando há um acidente que a bloqueia ou joga detritos, ou quando há um carro parado onde é difícil resgatá-lo, como foi o caso.

8. No momento da conversa, estava em um estado mental e emocional muito frágil. Este estado de espírito foi provocado pelo estresse intenso causado pelo fato de que o sr. Briatore se recusou a informar da existência da renovação de meu contrato de piloto para 2009, como habitualmente ocorre no meio da temporada (entre julho ou agosto). Ao contrário, o Sr. Briatore repetidamente pediu-me para assinar uma "opção", o que significava que eu não estava autorizado a negociar com outras equipes no mesmo período. Ele repetidamente me colocou sob pressão para prolongar a opção que tinha assinado, e iria me chamar regularmente em seu escritório para discutir a renovação, mesmo em dia de corrida - um momento que deveria ser apenas para concentração e relaxamento. Este esforço foi acentuado pelo fato de que, durante o GP de Cingapura, tinha me classificado em 16.º no grid, então estava muito inseguro sobre meu futuro na Renault. Quando me pediram para bater o carro e provocar a entrada do 'safety car' a fim de ajudar a equipe, aceitei porque esperava que pudesse melhorar minha posição na equipe neste momento crítico da temporada. Em nenhum momento fui informado por qualquer pessoa que, ao concordar em provocar um incidente, eu teria garantido a renovação de meu contrato ou qualquer outra vantagem. No entanto, no contexto, pensei que seria útil para alcançar este objetivo. Por isso, concordei em provocar o incidente.

9. Após a reunião com o sr. Briatore e o sr. Symonds, o sr. Symonds me puxou para um canto tranquilo e, usando um mapa, apontou-me para a curva exata da pista onde eu deveria bater. Esta curva foi escolhida porque aquele local específico não possui guindastes que permitiriam que um carro danificado pudesse ser rapidamente removido da pista, nem possui entradas laterais, o que permitiria que um fiscal pudesse empurrar rapidamente o carro para fora dela. Assim, considerou-se que um acidente neste lugar específico seria quase certo de provocar uma obstrução da pista e que, portanto, seria necessária a entrada do safety car a fim de permitir que a pista fosse limpa e para assegurar a continuidade da corrida.

10. O sr. Symonds também me disse em que volta exata, eu deveria provocar o incidente, de modo a proporcionar a meu companheiro de equipe, o sr. Fernando Alonso, uma boa estratégia, já que ele faria seu reabastecimento pouco antes da entrada do safety car, durante a 12.ª volta. A chave para a estratégia reside no fato de que o conhecimento de que o safety car entraria na pista entre as voltas 13 e 14 permitiu que a equipe fizesse no carro do sr. Alonso uma estratégia agressiva de combustível, suficiente para chegar a 12 voltas, mas não muito mais. Isso permitiria que o sr. Alonso ultrapassasse o máximo de carros possível, sabendo que os carros teriam dificuldade em recuperar o tempo perdido depois do pit stop devido à implantação posterior do safety car. A estratégia foi bem sucedida e o sr. Alonso venceu o GP de Cingapura de F-1 de 2008.

11. Durante as discussões, não foi feita qualquer menção de quaisquer preocupações no que diz respeito à segurança desta estratégia para mim, para os espectadores ou para os outros pilotos. O único comentário feito neste contexto foi realizado pelo sr. Pat Symonds, que me alertou para "ter cuidado", dizendo que não deveria me ferir.

12. Intencionalmente causei o acidente, deixando o carro sair lateralmente pouco antes da curva. A fim de me certificar que eu provocaria o acidente durante a volta certa, perguntei para a minha equipe por diversas vezes, através do rádio, para confirmar o número da volta, algo que não faria normalmente. Não me feri no acidente, nem ninguém.

13. Após as discussões com o sr. Briatore e o sr. Symonds a "estratégia do acidente" nunca foi discutida novamente. O sr. Briatore discretamente disse "obrigado" após o final da corrida, sem falar mais nada. Não sei se alguém tinha conhecimento da estratégia no início da corrida.

14. Após a corrida, informei ao sr. Felipe Vargas, amigo da família, o fato de que o acidente tinha sido intencional. O sr. Vargas ainda informou meu pai, o sr. Nelson Piquet, algum tempo depois.

15. Depois da corrida, vários jornalistas perguntaram sobre o acidente e me questionaram se eu havia feito de propósito, porque sentiram que era "suspeito".

16. Na minha equipe, o engenheiro do carro questionou a natureza do incidente, porque achou incomum, e respondi que tinha perdido o controle do carro. Acredito que um engenheiro inteligente notaria que os dados de telemetria indicariam que o acidente foi causado de propósito, já que continuei acelerando, enquanto que o "normal" seria frear o mais rapidamente possível.

Declaração de Verdade

Acredito e juro que os fatos citados nesta declaração são verdadeiros.

Este depoimento foi feito na sede da FIA em Paris, no dia 30 de julho de 2009, na presença do sr. Alan Donnelly (chefe dos comissários da FIA), sr. Martin Smith e sr. Jacob Marsh (ambos investigadores da empresa Quest, mantidos pela FIA para ajudar na investigação). As notas foram tomadas pela sra. Dondnique Costesec (Sidley Austin LLP).

Assinado:

Nelson Piquet Jr."


CADA UM TIRE SUAS CONCLUSOES SOBRE A VERDADEIRA CARA DOS ESPORTES... Na Italia e no Brasil os resultados das partidas de futebol eram resolvidos "a priori", os alemaes na época de Hitler eram dopados para parecer que a raça ariana era superior e a historia se repete.

Me vem em mente uma letra de musica: "Eu vejo o futuro repetindo o passado; eu vejo um museu de grandes novidades...." E as pessoas nao se tocam.... lalalalalalara....



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SILVIO BERLUSCONI (primeiro ministro italiano)


I) Vaticano, Mafia, Servicos secretos, Silvio Berlusconi

II) Silvio Berlusconi e seus escandalos

III) Juiz declara BERLUSCONI co-responsavel de corrupçao


IV) FECHA O CERCO A BERLUSCONI - ACUSADO DE COLABORAR E SER A REFERENCIA DA MAFIA


SILVIO BERLUSCONI (primo ministro italiano)






Berlusconi deu um "bolo" no presidente da republica italiana - Giorgio Napoletano - para passar a noite com garota de programa brasileira


Silvio Berlusconi é qualquer coisa de imaginavel. Seu curriculum judiciario é impressionante. Acredito que se possa dizer que nem mesmo Mussolini teria tantos problemas com a justiça se nao tivesse sido um ditador.

Depois de inumeras - literalmente inumeras - acusaçoes que passam por:

- corrupçao (entre as quais o primeiro processo da historia que condenou um corrupto - advogado Mills - mas nao o corruptor - Berlusconi - devido ao "Lodo Alfano" aprovado pelo seu governo)

- legislar a proprio favor para ganhar imunidade frente a justiça atraves do polemico "Lodo Alfano" e defender seus interesses economicos (é o mais rico da Italia com 3 redes de tv das 7 principais - sendo que outras 3 estatais estao nas suas maos, pois é o chefe dos ministros - jornais, revistas, ecc..) atraves da lei "Gasparri"

- associaçao mafiosa

- mandante de atentados em 92-93 que mataram os juizes anti-mafia Borsellino e Falcone...(Seria uma proeza enumerar todas as causas contra o primeiro ministro).


Mas dessa vez estamos ainda mais perto dos italianos. O Brasil com seu "encanto" maravilhou Silvio Berlusconi. Ao ponto de faze-lo cancelar um encontro com o Presidente da Republica italiana. E tudo por que? Para passar uma bela noite com a "modelo" brasileira Camilla Charao. O Brasil sempre fazendo "sucesso"!!! Que maravilha ter o orgulho de vantar-se dos ilustres brasileiros que fazem sucesso no exterior (além dos jogadores... claro.)


Fonte: Jornal do Brasil


RIO - O empresário italiano Gianpaolo Tarantini, amigo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, confirmou ontem notícias que o apontavam como organizador de 18 festas regadas a prostitutas e cocaína, a fim de obter favores do premier italiano, especialmente na disputa de contratos. A confissão do empresário divulgada pelo diário italiano Il Corriere della Sera teria sido feita ao juiz Giuseppe Scelsi.

Tarantini confirmou que entre setembro de 2008 e fevereiro de 2009, organizou festas no palácio Grazioli, em Villa Certosa, e em um spa de luxo conhecido como o Centro Messeguet de Todi, na Umbria, recrutando 30 prostitutas para ficarem à disposição de Berlusconi e outros convidados.

Entre as garotas de programa citadas, estavam atrizes, apresentadoras, modelos e até uma mulher identificada pelo jornal italiano como "a brasileira Camilla Cordeiro Charão".

De acordo com as atas dos interrogatórios judiciais em Bari, cidade de Tarantini, o empresário admitiu ter pago mil euros (cerca de R$ 2.700) a jovens para passarem a noite com Berlusconi. O empresário explicou que o seu objetivo era entrar no círculo do poder do premier.

"O recurso às prostitutas e à cocaína formam parte de um projeto dirigido a levantar uma rede de conivências no setor da administração pública, porque sempre pensei que as mulheres e a cocaína são a chave de acesso para o êxito na sociedade", lê-se numa das transcrições dos interrogatórios.

Tarantini diz que sempre quis conhecer o premier e, para isso, teve gastos consideráveis tentando ganhar sua confiança, "conhecendo seu interesse pelo gênero feminino", explicou ao juiz.

Tarantini afirma, porém, que Berlusconi não sabia que as mulheres recebiam dinheiro para manter relação sexual com ele, nem mesmo que eram pagos os gastos com deslocamento e o hotel de luxo em que ficava hospedado.

"Apresentei-as como minhas amigas e mantive silêncio sobre suas identidades", disse Tarantini, citado nas fitas. A declaração confirma a afirmação famosa do advogado de Berlusconi, Niccolò Ghedini, que afirma que o premier não cometeu nenhum delito, pois era somente um "usuário final" das prostitutas.

Durante o escândalo, Berlusconi confessou que "não era santo", mas denunciou o que chamou de uma campanha de esquerda para prejudicá-lo e já abriu processos contra vários jornais italianos e estrangeiros que divulgaram o caso.

Os escândalos custaram a Berlusconi parte do apoio que tinha entre os eleitores católicos. Atualmente, pesquisas indicam que seu índice de aprovação está próximo dos 50%, embora ele diga que tenha 70% do apoio público.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O regime da corrupçao - Lima Barreto

texto "roubado" do site http://republicadefiume.blogspot.com (muito bom)


Não gosto, nem trato de política. Não há assunto que mais me repugne do que aquilo que se chama habitualmente política. Eu a encaro, como todo o povo a vê, isto é, um ajuntamento de piratas mais ou menos diplomados que exploram a desgraça e a miséria dos humildes.

(...)

A República no Brasil é o regime da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos poderosos do dia. Ninguém admite que se divirja deles e, para que não haja divergências, há a "verba secreta", os reservados deste ou daquele Ministério e os empreguinhos que os medíocres não sabem conquistar por si e com independência.

A vida, infelizmente, deve ser uma luta; e quem não sabe lutar, não é homem.


A gente do Brasil, entretanto, pensa que a existência nossa deve ser a submissão aos Acácios e Pachecos, para obter ajudas de custo e sinecuras.

Vem disto a nossa esterilidade mental, a nossa falta de originalidade intelectual, a pobreza da nossa paisagem moral e a desgraça que se nota no geral da nossa população.

Ninguém quer discutir; ninguém quer agitar idéias; ninguém quer dar a emoção íntima que tem da vida e das coisas. Todos querem "comer".

"Comem" os juristas, "comem" os filósofos, "comem" os médicos, "comem" os advogados, "comem" os poetas, "comem" os romancistas, "comem" os engenheiros, "comem" os jornalistas: o Brasil é uma vasta "comilança".


Lima Barreto

MA CHE ITALIA!!!

I) VATICANO, MAFIA, SERVIçOS SECRETOS, SILVIO BERLUSCONI (primeiro ministro)

II) IGREJA CATOLICA

III) DEPOIMENTO DE VINCENZO CALCARA (ex-mafioso que resolveu colaborar com a justiça italiana)

IV) ITàLIA RACISTA? IMAGINA!!!

V) ITALIA- MAFIA AFUNDA NAVIOS COM LIXO RADIOATIVO !!!!

VI) PAPA - BERLUSCONI - DELL'UTRI E O PROCESSO POR ASSOCIAçAO MAFIOSA

VII) ASSASSINATO DO JUIZ Paolo Bosellino. ESTADO ITALIANO AJUDOU A MAFIA?

VIII) FILMADO HOMICIDIO DA MAFIA A NAPOLES

BRASIL

I)BRASIL, esse é o meu paìs....

II)BRASIL - a face escondida sob a mascara da violencia

BRASIL - A face escondida sob a mascara da violencia

Este foi um trabalho de pesquisa bibliografica e entrevistas realizado para a faculdade junto dos colegas Carla dos Santos Mendes e Marcus Alexandre da Costa.

Um pouco lungo, mas acredito que pode ser um pouco util para se ter outra visao do nosso Brasil. Olhar os problemas de outro angulo pode nos fazer crescer.


AS ORIGENS DA VIOLÊNCIA URBANA


RESUMO

Este trabalho demonstra a relação entre violência e educação. Aborda temas como a ética e a moral dos seres humanos, apresenta a educação como forma de extermínio da violência e salienta a necessidade das pessoas serem solidárias aos seus semelhantes de forma a encontrarem a paz e a felicidade conjunta e verdadeira.


SUMÁRIO


INTRODUÇÃO

1 GÊNESE

1.1 Do nascimento

1.2 Da trajetória

2 VIOLÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA

2.1 A arte burguesa

2.2 O papel dos pais

2.3 O papel da escola

2.4 O papel da sociedade

CONCLUSÃO

Anexo A – Violência contra professores 19

INTRODUÇÃO


Nossa sociedade vive momentos de angústia e terror. Ao sair pela manhã o retorno ao lar é duvidoso. A violência urbana está por todos os lados e não escolhe sua vítima. Ela pode ser de qualquer classe, idade ou sexo. Vive-se o caos.


Os contrastes sociais são cada vez maiores. Os pobres cada vez mais oprimidos e sem oportunidades de trabalho, educação, lazer... Os ricos, por sua vez, isolam-se atrás de grades, cercas elétricas, seguranças particulares, carros blindados e não se importam com o bem estar dos seus demais. Quanto aos governantes dos estados e da união; não desempenham suas atribuições de forma correta, moral e ética. Os interesses pessoais de parte favorecida da população são tratados com primazia aos interesses sociais.


Não vive-se nem educa-se os indivíduos adequadamente. Sentimentos como o amor e a fraternidade dificilmente são lembrados. E, quando lembrados, vêm acompanhados de hipocrisia e cinismo. É a era do salve-se quem puder.


Neste trabalho a intenção não é se ater à visão elitista e da mídia em geral de que ladrão é vagabundo e a solução é, simplesmente, colocá-lo em uma cadeia sem as mínimas condições de higiene na qual a lei predominante é a do cão. Também não tem o intuito de posicionamento à favor ou de defesa da violência dos marginais e infratores, mas, sim,

buscar a conscientização das pessoas que devem ser promovidas ações preventivas a fim de evitar que estas pessoas tornem-se merecedoras de tais adjetivos.


Procurar-se-á analisar melhor as situações que levam pessoas a praticarem a violência em centros urbanos. Primeiramente, focalizar-se-á as observações no convívio familiar e na educação dada por ela. Posteriormente, na educação e na lacuna do ensino escolar, seja ele de nível básico, médio ou superior, fornecida pelas instituições de ensino governamentais – que tem a obrigação constitucional de fornecê-la e não o fazem – e privadas. A finalidade, com isto, não é apenas remediar, mas alcançar as origens desta violência urbana e apontar soluções para as suas causas.


1 GÊNESE


Para que uma criança se torne um homem solidário, justo, fraterno, necessita de uma família estruturada que terá a responsabilidade de transmitir bons preceitos éticos e morais que servirão de alicerce por toda a sua vida. Da mesma forma estrutura-se o caráter de uma nação.


    1. 1 Do nascimento

Galvão (1997 p. 15-16) descreve:


Descobrir uma terra, ética e historicamente falando, é chegar a um lugar abandonado, sem dono, onde inexistam culturas e/ou valores sociais. Subjugar, matar, roubar, impor padrões de cultura, é praticar rapina, é conquista armada, legítimo ataque" [...] "O que foi levado para a Europa, principalmente em ouro e pau-brasil, é incalculável.


Como podemos verificar, ao contrário do que nos revelam os livros de história onde o descobrimento do nosso país é tratado como ato de coragem e bravura do povo Ibérico, fomos colonizados de forma bárbara e hostil. Se continuássemos a analogia do capítulo anterior, poderíamos afirmar que o Brasil é uma criança que nasce sendo o fruto de um roubo seguido de estupro.

2.2 Da trajetoria


No decorrer de cinco séculos, vemos sistemas sociais e políticos atenderem a interesses da classe burguesa em detrimento das necessidades mais básicas do povo.


Conforme Galvão (1997 p. 16), "Da conquista arbitrária seguiu-se a colonização violenta e a consolidação injusta, que vieram desaguar qual um fétido esgoto, no modelo sociopolítico atual, elitista, concentrador, não-solidário, fechado, corrupto, violento e excludente". Ainda, Galvão (1997 p. 17):


A pobreza no Brasil tem raízes profundas, históricas. Começa na invasão, toma corpo na colonização e na escravidão, reforça-se no coronelismo, nas oligarquias políticas, indo tudo desembocar nas revoluções promovidas pelas elites. Entretanto, enquanto se contempla o esfacelamento de nossa política, resultante de tantos fatores despidos de ética e moral, é indispensável lembrar que trazemos essas marcas desde nossa gênese histórica, e que tudo começou com uma invasão armada.


Ainda Galvão (1997 p. 14-15) cita em seu livro um fato sensacional sobre a estúpida colonização européia:

Tudo começou com os descobrimentos ... '0 brado discricionário do vigia da gávea da nau Santa Maria – 'terra à vista' - tornou-se a ata de um gesto característico de desrespeito à vida, à cultura, à propriedade e aos sistemas constituídos'. A esse respeito há um fato triste, constrangedor mas extremamente esclarecedor destas assertivas. Quando o Papa João Paulo II visitou o Peru, em 1985, recebeu, dos sobreviventes dos índios aimaras, das mãos do cacique Ramyro Reinaga, uma Bíblia bem velha, surrada. 'Nós, índios dos Andes e da América, decidimos aproveitar a visita de João Paulo II para devolver-lhe a Bíblia, porque em cinco séculos ela não nos deu nem amor, nem paz, nem justiça. Por favor, tome de novo a sua Bíblia e devolva-a aos nossos opressores, porque eles necessitam mais de seus preceitos morais do que nós, pois, desde a chegada de Cristóvão Colombo, foram impostas à América, pela força, uma cultura, uma língua, uma religião e valores próprios da Europa. A Bíblia chegou para nós como parte de um projeto cultural imposto. Ela foi a arma ideológica desse assalto colonialista. A espada espanhola, que de dia atacava e assassinava o corpo dos índios, de noite se convertia em cruz que atacava a alma índia'.

Reinaga, apud Galvão (1997 p. 15), expressou em poucas linhas toda a indignação que sua tribo carregava na alma. O povo brasileiro tido como mais civilizado que os povos indígenas, em quinhentos anos, ainda não conseguiu colocar em um livro de história sua verdadeira história. A nação segue uma educação Ibérica expansivista, exploradora, escravicionista, impiedosa com as classes desfavorecidas. Chega-se ao quadro do rico ficar cada vez mais rico e do pobre ser "promovido" a indigente.


  1. VIOLÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA


Violência, educação e cultura estão intimamente ligados entre si e às nossas vidas. É impossível se falar em violência urbana – ou qualquer tipo – sem remeter-se aos dois outros substantivos [...] "violência (população sem esperança, sem escola, sem estudo)" [...] (GALVÃO, 1997. p.62). Referindo-nos a educação nota-se que ela torna-se um sério agravante da violência quando as pessoas se vêem sem esperança devido à falta de oportunidades geradas pelos poucos (ou nenhum) anos de estudo. Ela também é cultivada desde os primeiros anos de vida dos seres humanos na família e continua nos anos acadêmicos. Já a cultura, por sua vez, generaliza e marginaliza a toda a classe pobre. Essa cultura esquece que os maiores ladrões não estão nas favelas ou vilas. Ela, costumeiramente, situa-se apenas nas mentes dos integrantes do grupo dos abonados. Estes temas abordaremos neste capítulo, bem como uma derivação especial da arte.


2.1 A arte burguesa


A atual sociedade burguesa em sua incessante busca pelo requinte e preocupadíssima com as aparências valoriza a arte de Shakespeare, Goethe, Picasso, Monet, Renoir, Mozart, Vivaldi, Bach, Schubert, porém a arte que mais lhe apraz e é útil são as "ARTEmanhas" do sofisma. Galvão (1997 p. 64) cita:

Há meses, um cronista de um jornal de Porto Alegre, perfilado aos ideais neoliberais do patrão, gastou uma página inteira para elogiar a atualidade econômica, afirmando que o pobre nunca comeu tão bem. Vejam o exercício de sofisma que ele apresentou: "um frango e um quilo de arroz custam R$ 3, e dá para alimentar seis pessoas". Esse invariável cardápio, comido durante um mês, resultaria num gasto de apenas R$ 90. À primeira vista, parece tudo bem. Tudo bem para um jornalista, que deve levantar seus R$ 15.000 / mês. Ele esqueceu-se, porém, de alguns detalhes. Noventa reais é o líquido de quem ganha salário mínimo; isso se estiver empregado. Além desse detalhe, em seu sofisma, o comunicador esqueceu-se que, para comer frango com arroz durante um mês (se é que alguém agüenta), é necessário sal, óleo, sabão para lavar panelas e pratos, e gás. A esta altura, os R$ 90 já foram para o espaço. E tem mais: um quilo de frango e um quilo de arroz dá para o almoço; não sobra para a janta. E, pelo visto, não vão tomar café da manhã. É isso que revolta. Esse cinismo dos que querem, através de panacéias sofistas, oriundas de falsas ideologias, encobrir a fome e a miséria do povo.


Vê-se no cotidiano que os fatos são narrados de forma maquiada, ou seja, eles são reportados com o intuito de ludibriar a população de menor instrução, escondendo as verdadeiras intenções das elites e dos governantes.


O psicólogo chileno Cláudio Naranjo, apud Teles (1992 p. 76), diz que: "Se queremos mudar o mundo é preciso mudar a gente que está neste mundo. E esta mudança só pode ser feita através da educação".


Esta mudança, que pode reverter o quadro que se encontra nosso país, ocorrerá quando todos tiverem acesso a uma educação de qualidade, diferente da atual.



2.2 O papel dos pais


A personalidade de uma criança se forma até os cinco anos de idade como ensinou o pai da psicanálise. Levando-se isto em consideração, a estrutura familiar torna-se de suma importância na vida. Quantos são os casos de pais bem sucedidos, graduados, com mestrados, doutorados que sabem tudo sobre a ciência, mas parece que esquecem as exigências do coração. Quantos os casos de cardiologistas renomados, com títulos que sabem como ninguém tratar das enfermidades fisiológicas do coração, entretanto são imperitos ao lidar com as enfermidades não fisiológicas deste órgão. A atenção, o carinho, o prazer da companhia, a imposição de limites na hora e na medida certa são negligenciados. Se não forem impostos limites provavelmente estas crianças serão indivíduos egoístas, sem consciência moral, sociopata incapaz de viver e construir uma sociedade fraterna.


Teles (1992 p. 11) comenta:


Uma coisa é certa: no lar, os pais não compreenderam que à liberdade corresponde a responsabilidade e que quem vive em sociedade tem que conhecer os limites que lhe são impostos naturalmente. Além disso, acostumados a uma educação vertical, simplesmente inverteram os papéis, ficando os filhos como "dominadores". Passaram, pois, os filhos a controlar os pais, principalmente com chantagens emocionais, e estes, para fugir deste controle e de qualquer responsabilidade adotaram a filosofia do "laissez faire" (deixar fazer), procurando ausentar-se o mais possível do lar.


É aqui que deve-se começar as ações preventivas já citadas. As crianças órfãs de carinho não poderão ter um bom resultado escolar. Os pais transferem suas responsabilidades, no que diz respeito à educação, à moral e à ética, às instituições de ensino e/ou professores e muitas vezes são capazes de culpar os docentes pelo resultado insatisfatório de seus filhos nos exames. Cabe aí uma reflexão, pois a criança necessita de um modelo a seguir. Alguém em quem se basear na construção de seu caráter. E estes devem ser o pai e mãe.


2.3 O papel da escola


O método de estudo brasileiro necessita de mudanças. Não basta fazer o ensino bulêmico, de memorização momentânea. Teles (1992 p. 19) afirma: [...] "acredito em uma Educação Humanística libertadora e em uma pedagogia de divergência" [...]. Os alunos devem ser instigados para que possam tirar suas próprias conclusões, pois cada um tem seu ponto de vista considerando as circunstâncias e fatos decorridos em sua vida enobrecendo, desta forma, o ensino dentro da sala de aula. Ainda Teles (1997 p. 9) "Mostram-nos o Homem como um ser racional para, mais tarde, percebermos que ele é, acima de tudo, emocional". Seria interessante, também, na questão do relacionamento, pois os alunos poderiam aprender a respeitar os demais vendo que cada pessoa possui uma trajetória com diversos problemas financeiros, sociais, sentimentais criando assim uma visão humanística. Todos alunos poderiam tirar proveito não só da vivência dos professores, mas de todos os presentes conforme fossem revelando suas experiências e dificuldades. Ainda, poderiam saber as causas que motivam determinado aluno a ser triste, daquele outro ser quieto, tímido entre outros e, ao invés de fazer gozações inúteis e idiotas, procurar compartilhar experiências tristes e boas criando uma amizade mais profunda do que aquela superficial. Isso provavelmente se refletiria no modo de se portar diante de seus iguais em uma sociedade capitalista antiética e com pouco interesse pelas dificuldades alheias.

2.4 Do papel da sociedade


Cabe a ela o mais importante e talvez difícil. Quebrar barreiras, derrubar preconceitos. O filósofo alemão Jaspers, apud Sarlet (2005 p. 20) afirma: "Eu sou na medida que os outros também são". O ser humano deve preocupar-se não só consigo, mas com todos que vivem ao seu redor. Desta forma haveria um contágio benéfico. Desejando o bem ao próximo e auxiliando-o a progredir moralmente, espiritualmente, materialmente nós estaríamos ajudando a nós mesmos. Não se pode ser realmente feliz vendo pessoas em situação de miséria. Além disso, para termos uma nação evoluída necessitamos de educação que ensine ciência e solidariedade. Uma criança de barriga vazia não consegue se concentrar para aprender quando se usam as vírgulas, qual a regra de acentuação das palavras, a tabuada, a ter um espírito solidário ela só pode se imaginar tendo algo para comer. E, neste caso, o carinho não vale de nada, pois carinho não mata a fome.


Outro fator importante é adotar o sistema de Gandhi tratando a violência com a não-violência. Em seu livro1, Morais revela o procedimento com os menores na Febem de São Paulo:


Esta é a triste e dolorosa relação das torturas e maus-tratos: 1) o pau-de-arara, em que o menor é amarrado e espancado com as mãos presas; 2) ajoelhar em grãos de milho e ficar nesta posição durante um bom tempo; 3) agressão com rodos em chuveiros; 4) violência com cassetetes de madeira camuflados com uma capa de borracha; 5) os castigos em cubículos individuais, onde a ventilação é péssima e o desespero do

menor fatalmente o leva a tentar o suicídio; 6) os espetos de varas finas que servem para espicaçar o menor em várias partes do corpo, principalmente os órgãos sexuais; 7) os choques (elétricos), em certas unidades conveniadas; 8) as drogas para acalmar os mais violentos e que paralisam as pernas evitando movimentação; 9) os espancamentos conhecidos pela terminologia "ir à missa", onde os garotos apanham nus; 10) a tática de acordar o menor de madrugada, levá-lo para uma sala isolada e aplicar-lhe surras de "aprendizado especial"; 11) isolamento em "cafuas", espécie de cadeia medieval e que em algumas unidades sempre existiram em locais subterrâneos; 12) a tática dos "telefones", que consiste em dar tapas com as duas mãos sobre os ouvidos e que leva invariavelmente a problemas de surdez para o resto da vida; 13) a tática do afogamento parcial para intimidar; 14) a tática de deixar os garotos seminus e levá-los a sessões denominadas psiquiátricas; 15) dar tapas na frente dos outros, o que leva à humilhação; 16) chamar a atenção em voz alta seguido de socos e pontapés; 17) puxar cabelos e orelhas do menor que cometeu alguma infração; 18) os estupros, com aquiescência dos funcionários; 19) o uso de chicotes para agredir; 20) a tática de vendar os olhos e espancar; 21) agredir o menor e depois isolá-lo em celas onde estrategicamente são colocados vidros para que ele tente o suicídio; 22) o uso de menores para tráfico de entorpecentes, para assaltos e com resultados repartidos; 23) 'bananinha' para dar choques elétricos, de 110 a 220 volts, no interior da pessoa" (a peça "bananinha" é introduzida no ânus).


Em outro trecho Morais (1981 p. 68) complementa:


Com sete anos, morava em Itaquera com minha mãe, meu pai e oito irmãos. Um dia fui na venda da esquina pegar o pão. Na volta, lá em casa estava tudo cercado de polícia. Eles gritaram para minha mãe e meus irmãos saírem que iam abrir fogo. Coisa do meu pai. Minha mãe custou a sair. Os garotos foram logo pra rua chorando. A polícia abriu fogo. Acertaram a mãe correndo ensangüentada até na minha frente. Depois meu pai. Levou um monte de tiros. Morreu na hora. Me lembro que um tempo depois eu estava indo pra Bahia com uns parentes meus, num trem grande, cheio de gente. Aí um cara olhou pra mim e perguntou por que eu estava chorando.


Como querer-se cobrar atitudes de seres civilizados se são tratamos como animais. Como pode um adolescente suportar tudo isso e ser um exemplo de cidadão. Ao freqüentar escolas não é de nos surpreender que tomem atitudes brutais e impensadas (Anexo A). Esta é a sociedade que deve mudar. A sociedade burra que só vê o superficial atendendo aos sofismas da burguesia neoliberal. Deve-se rever os conceitos sobre a violência. Aprofundar-se mais o entendimento sobre política e sociedade. A solução mais fácil e cômoda nem sempre é a ideal. A opressão está esperando chegar a sua vez. Aí você sentirá o que é ser oprimido, humilhado e marginalizado.



CONCLUSÃO


Concluí-se que a violência é tratada de forma errada. Não se conseguirá acabar com a violência simplesmente prendendo pessoas e pondo-as em celas como animais. Deve-se ver que um povo sem educação é um povo sem oportunidades de seguir sua vida com os próprios esforços, com dignidade. Um povo sem oportunidades é um povo sem esperança e isso torna suas vidas banais e sem valor. Com isso todas as vidas tornam-se sem valor para eles, até por que eles, dessa forma, não tem nada a perder.


Também nota-se que os verdadeiros marginais são os donos da situação. Eles cercam a população de baixa instrução junto com a fome e o descaso. Lembram-se deles apenas de quatro em quatro anos. Lhes dão uma cesta básica em troca do seu voto de confiança. Os autores da violência "primária" estão atrás da gravata e do colarinho. Em gabinetes espalhados por Brasília, São Paulo, Rio de janeiro. Estes fazem uma violência silenciosa, mas extremamente eficiente.


É necessário educar nosso povo para que eles também possam chegar, em grande número, a cargos políticos de expressão. Que possam ter discernimento na hora de votar. Que tenham consciência dos impostos que pagam, do dever que o estado tem para com eles. Também necessita de uma educação diferenciada aquele que possui condições de estudar.

Este necessita de educação humanista. Que lhe abra a sensibilidade, que o torne uma pessoa solidária e fraterna. Que lhe mostre os anseios dos oprimidos. Que lhe faça ver o mundo como sendo uma coletividade. Assim, a educação deve ser tanto para os ricos como para os pobres.


ANEXO A